23 de jan de 2006

Será que tem jeito?

As críticas à mídia continuam crescendo. Logicamente, elas nem sempre são negativas, porém essas parecem se sobreporem, talvez devido ao impacto superior que causam. Também pudera, pois a televisão brasileira parece piorar a cada dia, diferentemente do que muitas pessoas pensam. Mas não iremos aqui questionar o que as pessoas que pensam positivamente acham da mídia. Iremos analisar até que ponto as críticas negativas estão corretas.

Os programas televisivos atuais estão cada vez mais pobres de conteúdo. Isto é, eles exploram cada vez mais a sexualidade e a violência. Produzem-se programas que seguem padrões extremamente semelhantes e que influenciam negativamente todos os receptores, principalmente as crianças, que são alvos fáceis da TV. Essas passam horas em frente a TV absorvendo praticamente na íntegra tudo que ela transmite, assim prejudicando seu desenvolvimento natural. Elas são informadas desde cedo sobre sexo, violência e drogas entrando num mundo que era muito distante do de seus pais quando esses tinham sua idade.

A solução pra esse problema, com certeza, seria a produção de programas de mais qualidade: mais educativos e culturais. Porém eles estão longe disso. Os programas infantis parecem não acompanhar a evolução das crianças e o processo de mudança por qual as gerações passam no decorrer dos anos. Eles subestimam a inteligência e a esperteza dos pequenos fazendo programas dos quais elas mesmas caçoam, acham graça e ridicularizam. Na era dos playstations, MP3s, computadores e DVDs, eles se encontram bem longe do "mundo da imaginação", pelo contrário, eles estão bem incluídos na realidade. E não são mais baixinhos que gostam de contos de fadas, e sim pequenos adultos que gostam de coisa de gente grande e já possuem celular. A propósito, diga-se de passagem que desde pequenas as crianças sofrem o apelo sexual indireto. Afinal, por que as paquitas usavam aquelas micro-shorts e mini-blusas?

Longe de termos bons programas na TV, crescemos em um mundo televisivo que nos transforma em seres ignorantes, manipulados, influenciados e maus cidadãos. As novelas são sempre previsíveis com finais felizes. São mocinhos e mocinhas que acabam juntos; viciados, delinqüentes e doentes curados; temas polêmicos pra garantir retorno comercial; negros como empregados; e diferentes culturas como minoria. Enfim, temas que nos deixam foram da nossa realidade. Porém gostamos de nos iludir diante de um mundo tão real no qual estamos inseridos. Precisamos fantasiar um pouco, não é mesmo?

Como se não fosse o suficiente, ainda por cima surgem os reallity-shows, que contam com corpos femininos e masculinos malhados como padrão de beleza e com minorias raciais, que prendem o povo curioso. O pior é que depois que os participantes saem da casa já se tornam famosos apresentadores de programas. E por que então gastamos tanto dinheiro e tempo em faculdades se as pessoas, após seus 15 minutos de fama, adquirem sucesso profissional e ficam bem sucedidas em questão de dias? E ainda se tornam formadoras de opinião?

Vejam só as donas de casa, além de passar o tempo limpando a casa elas ainda assistem a programas matutinos e vespertinos que são verdadeiros "shoppings" vendendo produtos fora de sua realidade. E o que falar dos programas dominicais, ou simplesmente de fim de semana? São uma verdadeira passarela de mulheres semi-nuas. Os programas de entrevista, por sua vez, fazem com que o entrevistador pareça mais inteligente e superior que o entrevistado.

Apesar de começar dizendo que o mal exemplo seria para as crianças, todos sabemos que não o é somente pra elas, mas principalmente, pois são elas que estão passando por um processo constante de amadurecimento. Porém jovens e adultos são tão influenciáveis quanto uma criança. Essa infinidade de programas influenciáveis, anti-éticos, sem fins educativos e culturais, entram em nossa vida como um turbilhão e nos transformam em ociosos sem conhecimento que preferem gastar seu tempo vendo TV ao invés de ler e ficar na companhia de familiares e amigos.

Devemos levar em consideração que a maioria dos tipos de programas citados provém da maior rede de televisão do mundo, a altamente qualificada Globo, na qual prevalecem programas de origem do eixo Rio-SP. Essa supremacia que ela impõe faz com que pessoas de diferentes culturas, tanto do Brasil como do exterior, sintam-se inferiorizadas diante do padrão global. Todos os elementos citados anteriormente nos mostram que essa emissora é que dita os padrões culturais da país. Ela que é conhecida por ter os melhores programas televisivos brasileiros é que apresenta os padrões do que deve ser considerado bom e bonito. Principalmente é ela que tem o grande poder de influenciar a moda através de suas novelas.

E então, como diz um texto de Marilene Ferinto, “A TV que destrói mundos, de Cabul a Recife”, os próprios estudantes de jornalismo vêem os profissionais das grandes emissoras como ídolos, o que não deveria acontecer, afinal, são iguais à nós e aos seus companheiros de profissão de quaisquer regiões. E por que isso se dá? Complexo de inferioridade! E quem causa ele? A mídia, é lógico! Pois bem, será que a mídia atualmente está nos transmitindo o conhecimento necessário para o nosso crescimento como seres humanos, ou será que nos enche com informações supérfluas e desnecessárias que só visam os lucros empresarias das TVs? Cabe a nós, telespectadores, analisarmos e escolhermos o que devemos e queremos assistir. Sendo assim, sabendo que somos influenciados, saberemos que tipo de cidadão queremos ser.

Um comentário:

  1. Tassia baixando o verbo mais uma vez, e sempre com razão... Mas eu acho que a TV jamais teve a intenção de auxiliar no desenvolvimento intelectual das pessoas, afinal são empresas e como todas as outras visam o lucro. Ela é um poderoso meio de manipulação das massas, isso sim. Belo tema garota, tomara que nós da área da comunicação tenhamos sempre este tipo de pensamento...

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