7 de jul de 2006

Dedos

Ontem, às 13 h, ao pegar o ônibus para voltar pra casa, como eu não tinha nenhum livro pra ler comecei a pensar na vida. Ou melhor, dessa vez não estava pensando propriamente na minha vida e nas coisas que não estão boas nela (como costumo perder tempo fazendo). Dessa vez voltei pra casa pensando na vida dos outros. Mais precisamente, na vida dos cobradores de ônibus. E esses cobradores me fizeram pensar bem mais além...

Eu costumava pegar o ônibus 13h12 min. Consequência: todos os dias eu via o mesmo motorista (um coroa barrigudo e careca muito simpático que me dava um bom dia bem alegre) e o mesmo cobrador (um jovem de óculos muito educado). Ambos funcionários trabalhavm na linha do meu bairro antes de trabalhar na linha que pego para o trabalho. Portanto eu já conhecia ambos. Mudei meu horário pra pegar ônibus mais cedo e chegar em casa antes. Consequência: não pego mais ônibus com o gordinho e o educado. Agora o cobrador é um senhor educado e engraçado. Ele está sempre com as calças dobradas até os joelhos, expondo uma meia azul de futebol que parece que só vai acabar na barriga dele. Mas ontem, eu me perdi no tempo e peguei um ônibus mais tarde que o das 13h. Peguei às 13h25min. Nesse o cobrador era um jovem bem gringo, parecia do interior. Mas eu nem reparei no rosto dele, isso porque ele não foi educado como os outros. Não disse bom dia e nem obrigado. Talvez ele fosse tímido. O problema todo era o dedo dele. Eu acho que ele tinha perdido parte do dedo anelar dele, ou quem sabe fosse uma anomalia de nascimento. Sei lá. A questão é que o dedo dele me intrigava e eu não parava de olhar. Quando eu vi uma aliança no dedo dele, da outra mão, achei tão engraçado que uma mulher podia se casar com um cara com um dedo daqueles. Eu sei que eu sou um pouco retardada, e quando não penso nas merdas da minha vida, penso em merdas muito maiores. Mas acreditem não é preconceito. É excêntrico, sei lá.

O fato é que o tal do dedo estranho me levou a relembrar várias estranhezas que eu já vi. Como por exemplo um antigo amigo que nem sei se tá vivo, mas que todas gurias achavam lindo. Eu nunca achei. Talvez porque ele fosse loiro de olhos azuis e não gosto nem um pouco de guri clarinho. Pois é, uma certa noite de chuva quando ele mecheu nos cabelos compridinhos dele, pude ver suas orelhas. Que susto! Parecia um duende. Foi aí que minha amiga me mostrou um dedo dele....Nãaaaooo um dedo não! Era muito pra mim!


Essa história do dedo me fez viajar mais além ainda. Comecei a lembrar da mulher do trem. Super bonita! Unhas feitas, porém ela tinha um dedo torto. Bem torto. E pintada a unha! Que dó.
E o dedo dela me fez lembrar de uma mulher que tinha uma doença que eu nunca tinha visto antes. Ela tinha todos os dedos das mãos e dos pés com defeitos. Só no centro e em ônibus que a gente vê essas coisas.

Mas voltando ao cobrador lembrei de um tipo de dedo muito comum que eu vejo seguido, e que vi num cobrador bigodudo com quem peguei ônibus algumas vezes. Ele tinha o minguinho com uma unha super comprida. Sem falar que não tinha nem como largar moedas em cima do balcãozinho dele. Era cheio de latas de santos. Como existe gente estranha! Ele nem deve tocar violão. No máximo uma gaita velha como o bigode dele! Dedos me intrigam...sei lá por quê.

Mas ainda tem gente que tem coragem de falar do calinho do meu dedo de tanto escrever....Tenha santa paciência!

4 comentários:

  1. Estranho que lendo este ultimo post, me lembrei do filme "O homem que copiava". O estilo do teu texto, e descrição rica em detalhes, parece muito o narrador personagem que descreve tudo com muitos detalhes. Acho que tá pegando gosto e jeito nessa de escreve. De repente perdemos uma jornalista e ganhamos escritora hein...

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