15 de set de 2006

S.O.S SUS

Dia:14 de setembro de 2006. Hora: 6 da manhã. Local: Emergência do Hospital São Lucas da PUCRS pelo SUS.


Ao che

gar na emergência particular, meu pai passou por uma triagem, onde um enfermeireiro verificou sua pressão e em seguida pediu que ele aguardassse. Em seguida, meu pai foi encaminhado para a emergência do SUS, ali do ladinho. Fui falar com o recepcionista. Expliquei que meu pai já tinha passado por uma triagem e que, portanto não era necessário fazê-la novamente. O recepcionista alegou que os médicos eram diferentes e que deveria ser feita a triagem de novo. Mandou que aguardássemos. Meu pai de 52 anos estava em um estado que nunca vi antes. Ele tremia muito sobre a cadeira de rodas já que não conseguia ficar de pé, gritava de dor, possivelmente no abdômen, e chorava, mais tarde chegou a implorar ajuda a um enfermeiro. Eu não suportava ver meu pai naquele estado.


Passado um tempo, uma médica apareceu no balcão da recepção. O nome dela era Fernanda. Eu expliquei pra ela a situação e pedi que ela ao menos medisse a pressão de meu pai ali na cadeira mesmo, mas ela falou que não podia atender na rua. Rua? Estávamos em um ambiente fechado. E afinal, se ela quer atender bem, porque muitas vezes vemos hospitais com pessoas deitadas nos corredores? Inclusive na emergência particular tinha uma moça deitada no corredor com um quarto com dois leitos vazios ao lado. Eu entendo que devem haver leitos em espera para casos cirúrgicos, mas enquanto as pessoas não chegam bem que podiam colocar as que esperam horas sentadas descansando um pouco até terem que liberar o leito. A médica então alterou seu tom de voz e eu junto. Medicamento para diminuir a dor também não podia, isso que minha mãe já havia dado antes. Perguntei se eles esperavam as pessoas desmaiarem, terem um derrame ou qualquer outra coisa para atenderem. Ela simplesmente me disse que se não estava satisfeita eu deveria procurar outro local. Assim eu pedi que ela me pagasse um táxi, porque asim eu iria. Então comecei a questionar as pessoas que estavam na emergência, porque muitas vezes li no jornal sobre emrgências lotadas devido à mudanças bruscas da temperatura e isso não me conformava. Sendo assim ela irritada disse pra eu entrar na emegência pra ver e eu aceitei. Nem ouvi o que ela falou, fui entrando e não via nada nem niguém. Quando cheguei no fundo do corredeor ainda vi um leito vazio e umas médicas conversando. Saí de lá dizendo que não queria que meu pai fosse atendido por aquela mulher e chorando fui até a emergência particular pronta a gastar o que tinha e não tinha pra que atendessem meu pai naquele exato momento. Um efermeiro muito simpático deu um jeito em tudo, lamento não saber o nome dele. Então nos encaminhou à uma médica e em seguida deu um jeito de nos passar pro "excelente" atendimento do SUS, novamente.


Acredito que demorou em torno de três horas para sermos atendidos. Isso porque eu e minha mãe fizemos escândalo. Mas havia muitas pessoas que chegaram de manhã e só foram atendidas à tarde.


Minha revolta toda é com a falta de consideração que eles têm pelas pessoas. Uma moça chegou chorando porque acreditava ter perdido o bebê por estar sangrando, e com muita dor,e simplesmente mandaram ela subir até o quarto andar. Eles podiam prestar ao menos os primeiros atendimentos e levarem ela até o quarto andar de cadeira de rodas. Isso é ser HUMANO, no sentido literal! Uma mulher chegou gritando de dor e demorou mais de uma hora para ser atendida. Uma senhora pediu ao recepcionista que ligasse pra familia dela porque precisava falar urgentemente com alguém e ele fez cara de poucos amigos e ligou uma meia hora depois. Eu fui até a recepção pedir informações de meu pai depois que ele foi chamado e antes que eu falasse qualquer coisa ele me perguntou onde estava meu pai...eu que pergunto. Ele disse pra eu subir até a eco e se possível trazer meu pai para baixo. Vê se pode! Até por telefone o atendimento é horrível. São profissionais mau educados e estúpidos. Se o paciente sofre, o acompanhante também, pois não somos informados de nada. Os recepcionistas são totalmente antipáticos. Viram a cara, não respondem e ainda por cima acham que tem razão. E quanto à médica, ela deveria saber lidar com as pessoas. se ela escolheu essa profissão ela já deveria saber disso. Se não gosta do seu trabalho que não trabalhe.Por mais estresse que um plantão possa causar para médicos e funcionários de um hospital, vale lembrar, eles trabalham com pessoas em situações, muitas vezes, de desespero, então, o mínimo que deveriam ter, é respeito.


É revoltante o descaso e a situação da saúde no nosso país! Se as pessoas continuarem passivas para não fazer escândalo elas continuaram sendo tratadas feito bichos. E se continuarem elegendo políticos como os que estão aí, nada vai melhorar.

Um comentário:

Feedbacks sinceros me interessam. Go ahead!