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Perto dos olhos, longe do coração

Fim de semana fui para a minha praia, Capão Novo. Na volta pra Porto Alegre foi inevitável rever a imagem da desigualdade social lado a lado, literalmente. Na estrada do mar em frente ao condomínio Atlântida Lagos Park, em Atlântida, há o retrato da pobreza. Existe uma vila. É lamentável ver aquele quadro de grotesco contraste social quando passamos pelo local. Viramos a cabeça para o lado esquerdo e vemos mansões e mais mansões dentro de um condomínio cercado de luxos. Viramos a cabeça para o lado direito e vemos casinhas de madeira caidas para o lado e condições de vida visivelmente precárias.

Ao passar pelo local minha cunhada de 12 anos exclamou: - Olha, o lado rico e o lado pobre! A exclamação dela soou como um comentário. Como se fosse algo normal. Não sei se ela via a cena como algo do cotidiano, uma cena comum a qual ela estava acostumada. Algo que naõ devia cair no costume de uma criança, ou pré-adolescente, seja o que for. Mas com certeza muitas pessoas que passam por ali ignoram totalmente o que vêem ou não vêem, inclusive os vizinhos ricos de frente.

Será que os ricos do outro lado da estrada irão algum dia atravessar a rua e cumprimentar seus vizinhos? Será que irão doar um pouco dos tijolos que sobraram na hora da construção de suas enormes casas de praia? Será que darão à eles roupas velhas que não querem mais? Será que darão, ao menos uma vez, um pouco de leite aos filhos de seus vizinhos? Será que seus filhos algum dia jogaram bola no barro com os meninos do lado pobre, ou que os filhos dos pobres entraram na casa dos riquinhos para jogar um playstation pela primeira vez?

Mas pior que serem ignorados pelos vizinhos, é serem ignorados pelas autoridades. Talvez pelo fato de ser uma vila localizada fora dos limites da cidade, da praia, do interior, ela seja,

simplesmente, esquecida, ela não mereça atenção.

Entretanto, sendo uma vila de beira de estrada e não merecendo atenção, por quê políticos fazem propaganda lá? O que será que eles prometem? Sinceramente, acho que eles passam pela vila assim como eu passei, dentro de seus carros confortáveis, observando o lado rico e o lado pobre. Mesmo que pessoas se solidarizem e desçam do carro e doem algo, os governantes deveriam saber que ninguém vive só de doações eventuais.

Comentários

  1. Realmente isso é um fato pra se indignar. Pior de tudo é a aceitação das pessoas mesmo... Eu, tu e qualque outro que ler esse texto é privilegiado, enquanto estamos surfando na internet, há muitas pessoas passando fome, frio e tudo-de-ruim...
    Num geral não fazemos nada e isso é muito triste

    ResponderExcluir
  2. Bah...isso eh um dos milhares de casos onde pobreza e riqueza andam lado a lado...
    vi algumas fotos do Rio onde a favela tem como vizinho um prédio de luxo...

    é triste, sim! o que faremos???

    o que mais me chateia é que eu tenho mãos atadas e nada posso fazer para conscientizar aquele rico que não eh único no mundo e que mto bem poderia ajudar seu vizinho....

    bjokes

    p.s.: atualizei nosso blog!

    ResponderExcluir
  3. Se um governo não tiver sensibilidade social, não serve pra nada. Mas se as pessoas não tiverem a sensibilidade que tu tens, não há governo que resolva. Só com indignação contra a exclusão social é que algo de concreto será feito. A pior coisa num quadro desses que tu retratas, é a indiferença.

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