9 de nov de 2006

Caixinha de surpresas


Dia desses, recebi a triste notícia de que o pai de um amigo meu veio a falecer em um súbito ataque do coração. À noite, ele sua esposa e alguns amigos comemoravam o aniversário dela. Após o encerramento da festa, ambos se dirigiram ao quarto para ver as fotos arquivadas na câmara digital durante a comemoração. De repente, ele sentiu uma forte dor no coração, foi para o hospital e não sobreviveu. Nos momentos em que convivi com ele pude perceber que ele era um homem muito alegre, educado e um pai muito admirado pelo único filho e pelos amigos.


Há anos atrás, o pai de outros amigos meus também faleceu de repente, sem que ninguém esperasse, em um acidente de carro na conhecida "curva da morte" a caminho de Santa Catarina que chocou a todos. O corpo ficou irreconhécível, exceto pelo número de telefone de seu sobrinho em um bolso de sua camisa. O tio João era querido por toda a galera. Ele não era somente o pai dos guris. Ele era integrante da turma. Não tinha nenhum dia em que a casa do tio não estivesse cheia de amigos e amigas dos seus filhos a quem ele tratava como se fossem filhos dele também. Ele vivia rindo, tirando sarro de todo mundo, dando conselhos, e se pudesse passava todas as tardes tocando uma viola com a turma e à noite fazendo os famosos luais na beira da praia. O prazer da vida dele era ser amigo de seus filhos. Ele tinha a alma jovem. Ele não era um coroa metido a gurizão. Ele é era um gurizão com cara de gurizão, mas com um pequeno erro gráfico na data de nascimento em sua identidade. Quantas vezes, nós, meninas, éramos recebidas em sua casa com um banho de mangueira que acabava com o nosso visual, enquanto ele dizia que era VERÃO! Quantas vezes ele nos recebia com uma canção, ou acompanhado de mulheres cada dia diferentes.


Impossível esquecer o dia em que recebi a notícia de sua morte. Eu estava em Porto Alegre e não pude ir até a praia ver a linda homenagem que fizeram pra ele na beira da praia. Parecia que a praia inteira estava naquele luau à luz do dia cantando, rezando e prestando homenagens ao tio João. Fui no dia seguinte pra praia ver meus amigos e prestar solidariedade. Não tinha o que falar. Quando cheguei na casa de meu amigo, a única coisa que pude fazer foi dar um abraço apertado naquele amigo que cresceu comigo. Eu sabia a falta que aquele pai iria fazer pra ele, já que sua relação com a mãe nunca fora boa (Felizmente mais tarde passou a ser ótima). Eu sentia a dor por ele. Seguidamente ele chorava feito criança e por muitas vezes tive que aconselhá-lo para não fazer bobagens.


Toda essa lembrança é para dizer que a vida é uma caixinha de surpresas, mas que nem sempre essa caixinha trás boas surpresas. Hoje posso estar aqui no meu trabalho, fazendo planos para a tarde, para o dia seguinte, para o verão e para o futuro. Mas, infelizmente, eu não sou dona do meu futuro e não posso prêver como vai ser meu dia hoje ou amanhã. Eu posso deixar pra trás, sem avisar, muitas pessoas que me amam e que até dariam a vida por mim, assim como posso deixar pra trás pessoas que me detestam e para as quais talvez eu não faça a mínima falta. E posso deixar pra trás muitas pessoas que não conheci, mas as quais eu poderia fazer muito bem , como eu quero. E sabendo de tudo isso, a cada dia, tenho mais certeza de que devo viver cada dia como se fosse o único, pois cada dia É ÚNICO. E por isso, devo ao menos de demonstrar todo dia o quanto amo minha família e meus amigos. Claro que viver cada dia dessa maneira não significa que eu viva em uma aventura constante, pra dizer que aproveitei a vida. A proveitar a vida é tanto desfrutar dos grandes prazeres dela como dos pequenos e rotineiros. O bom mesmo é relaxar e viver sem pressa, sem medo do amanhã, e deixando nossa vida nas mãos de Deus fazendo por merecer!

3 comentários:

  1. ah pois é...
    e é bem isso mesmo, afinal, pra morrer basta estar vivo, não?
    é foda, tu pode estar aqui do meu lado, trabalhando, xingando os colorados e me deixando brabo, sair daqui e ser atropelada na mauá (ah nãããããããããão), por isso, te digo, porque te conheço: olha pros lados, tássia!!!
    hehehe
    eu vou fazer um texto sobre esses imprevistos, já tá na minha cabeça, daqui a pouco desce pros dedos das mãos para serem digitados

    bju (sua chata)

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  2. a vida nos prega cada peça. por isso, o melhor a ser feito é não perder tempo e curtir cada momento com quem amamos.

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  3. Eaii bá é foda né ninguem está acostumado com perdas. A gente tem na cabeça ter a pessoa ali sempre nos esperando nunca imaginamos que um dia ela pode ir até por que isso é muito doloroso.. é horrível!

    O ruim é que depois de um tempo todo mundo segue sua vidsa e acaba esquecendo ou sei lá deixando de lado.
    Mas a dor da perda é horrível. graças a deus pessoas próximas de mim fazem tempo que não morrem e espero que não venha a acontecer tão cedo isso... ninguém nunca está preparado para isso...

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