6 de nov de 2006

Ê saudade...


Nossa, como o tempo passa rápido. Tão rápido que a gente nem percebe. Quando menos esperamos, já deixamos de lado o bico, a bola e as bonecas, e o parque de diversões deixou de ser o nosso local de lazer e deu lugar às baladas noturnas.

Não vamos mais ao shopping em busca de brinquedos, e sim de roupas. Não vamos mais à praia com o intuito de construir enormes castelos de areia, e sim pra tomar um bronze, sair com os amigos e paquerar os gatinhos. Não vamos mais andar de karts achando aquilo o máximo, queremos dirigir carros no trânsito, como adultos de verdade.

Ainda lembro com saudades de tudo que vivi na infância e na pré-adolescência, e continuo com minha vontade de viver na Terra do Nunca. Sinto saudades de tanta coisa que passou que dá vontade de viver tudo outra vez....

Que saudades de andar de roller até cansar minhas pernas fininhas; eu patinava nas calçadas do Bairro Nonoai aqui de Porto Alegre, e no Redondão de Capão Novo com rollers nas cores roxo, azul e verde limão. Por que será que eu não tive um roller rosa que nem minhas amigas? Deve ser porque meu pai não tinha tempo pra escolher quando trazia do Paraguai nas suas viagens sempre corridas. Ou eu já era do contra mesmo. Falando em viagens, que saudades dos meus materiais escolares vindos de Rivera e sempre super originais. Como esquecer minha mochila personalizada da Pocahontas e meu estojo mil e uma utilidades de urso Panda que tinha mil entradas nas quais era só apertar um botão e "plaft" saía o que eu queria. E aquele estojo de tênis clássico cheio de lápis e réguas dentro? E os lápis com pontas multicoloridas?

Que saudades de dançar Macareña e depois seguir o ritmo dançando a dança do bundinha na maior ingenuidade com todas as gurias em fila. E a dança da garrafa? Que saudades da época em que o Tchan era sucesso e que eu tinha até o bambolê pra dançar. Que saudades de dançar "Mexe mexe mexe com as mãos, pequeninas", das Chiquititas, nos recreios. Hmmm, por falar em recreios, que saudades do bolo de chocolate do Fominhas (bar da escola). Que saudades de me vestir de prenda e pescar vários brindes na festa junina. Que saudades de jogar futebol com os guris na aula de educação física. Que saudades de párar na diretoria sempre que eu me irritava com algum dos guris que eu tanto odiava e que, geralmente, não tinha culpa pelo que eu dizia que ele tinha. Que saudades das minhas calças com joelheiras pra não furar. E daqueles tênis maiores que meu pé que meu pai me deu e que eu mal usava, mas que eu tanto gostava.

E no verão? Que saudades de ir pra Sogipa com minhas colegas tomar banho de piscina esperando as férias pra ir pra praia. Que saudades de entrar no mar e sair só depois de estar toda descascada e murcha com a mãe aos berros. Que saudades de passar a tarde inteira na piscina num prédio no fim da praia enquanto eu morava de frente pro mar. Que saudades de andar de bicicleta até a vila sem que minha mãe imaginasse onde eu estava. Que saudades se fazer teatro, dança e o que mais tivesse de oficinas de verão no clube com minha amiga inseparável.


Que saudades de brincar com minhas cadelas no pátio. De jogar vôlei usando a grade da garagem como rede e furar mil bolas. De brincar de corrida de carrinho de fricção com meu irmão no corredor de casa. De fingir que eu era a goleira me atirando num colchão na garagem enquanto meu irmão chutava fingindo que era um chute forte. De jogar Mário no Nintendo dele. De brincar com a gurizada do morro no famoso Cantão, lá no Nonoai. De dançar ballet só pra avacalhar com minhas colegas dondocas já que ballet não era meu forte. De fazer ginástica olímpica, rítmica, futebol, natação e mil e um esportes.

Que saudades dos tempos em que eu acreditava que era grande no jardim B e já tinha um "namorado", mesmo tendo que dividir ele com minha melhor amiga e tendo que me unir a ela pra ele não namorar com outra "atirada". Isso que nem as mãos a gente dava. Eu era tão "grande" que chorava se meu pai demorava pra me buscar, pois ele podia ter me esquecido. Que saudades de bater em todo mundo no Pré, já que eu era irritadinha desde pequena. Que saudades da minha primeira professora que eu seguia por todos os lados. Ah, que saudades de ver meu pai me buscar todo bonitão de terno, gravata e barba.

E dos tempos que morei em Redentora? Também tenho saudades. Saudades de passar a tarde na Praça da cidade com os amigos conversando. De ir com eles pro colégio no outro dia. De tomar mate doce com minha avó. De acordar todo dia com café na cama graças aos mimos da dona Valda. E quanto aos avós aqui de Porto? Que saudades de dormir com a vó Maria na cama com lençol térmico vendo ela fazer palavras cruzadas. Ou de ir com meu vô Nelson na locadora alugar “A Dama e o Vagabundo”.

Saudades... De tomar banho de chuva. De dirigir no colo do meu pai perto da minha casa. De abrir a janela pra ver o meu pai chegando em casa com o carro novo, já que ele era (é) doido por carros. De ver os guris jogarem botão na calçada da minha casa. De ver minha família toda reunida no Natal. Das reuniões dançantes que a minha prima me levava e que eu nunca dançava. Das minhas apresentações de dança e teatro na escola e na praia. Das minhas saídas noturnas na praia com volta prevista para meia noite que eu já achava perfeitas.

Que saudades do meu Pense Bem que eu achava divertidíssimo, assim como do meu Pogobol e do meu Tamagoshi! E do Mirc, que marcou o início da minha adolescência.

Que saudades do todos colégios pelos quais passei. De quando eu ainda não tinha ficado menstruada. De quando eu usava aparelho e achava lindo. Dos dias felizes que se passaram e que não deviam acabar nunca! Das pessoas boas que passaram pela minha vida e que não sei se tornarei a ver... ah, que saudades daquela época em que não existiam problemas e em que a vida não passava de uma grande brincadeira...

Um comentário:

  1. maaaaaas que honra!!!
    estou inspirando pessoas então?! pois é, o tempo passa né, daqui a pouco tu vais ter saudade da rádio-escuta, porque tu vai sair logo logo hahahaha
    brincadeira!!!

    bjão

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