6 de dez de 2006

MAL ENTENDIDO

São 18hs. Beto da logoff no seu computador pra ir embora do seu estágio. Enfim é sexta. Dia de relaxar e esquecer do quanto é exploradao pra ganhar uma mixaria que nem dá pra pagar os passeios com a namorada (sorte dele por viver nesses tempos modernos em que essa autonomia é normal. Cada um por sí porque a crise ta braba).

Pega o “busão” lotado de sempre e vai pra sua casa só no balanço e no esfrega-esfrega. Parece mais um baile funk. Chegando, toma uma ducha, veste a camisa de marca nova que comprara com o último salário, a calça jeans de festa, se perfuma e sai rumo à casa da namorada. No caminho decide passar em uma floricultura, adivinhem pra quê? Apesar de se sentir meio patético, meio não, totalmente, Beto continua a caminhar carregando as rosas vermelhas. Bem que ele pediu uma sacola pra balconista pra tentar esconder as flores, mas ela explicou-lhe que não se pode abafar flores. Ok. Ele se conformou e seguiu.

Resolve poupar-se do constrangimento ainda maior de pegar um ônibus lotado no horário de pico e vai a pé mesmo. Quando percebe que está começando a suar demais e que o desodorante não é muito confiável, decide terminar o trajeto de táxi.

Enfim chega. Biiiiiiii....A namorada abre a porta. Num primeiro momento fica surpresa e alegre:
- Oi amorzinho, trusse pra ti. – sorri Beto.
- É trouXe, Carlos Alberto, TROUXE! – corrige a perfeccionista e desconfiada Carlinha.
- Ai amor, isso é jeito de agradecer um presente?
Ela não fala nada. Pega as rosas e pôe em um vaso com água na cozinha. Talvez Beto não entendesse, mas ela era alérgica, por isso evitava muitos perfumes no seu quarto, exceto um incenso quando ela saia. De manhã, pra se perfumar, ela até tampava o nariz pra não sentir o cheiro que a acompanharia durante o dia. Mas mesmo assim ela amava flores e cheiro de romance no ar. Vai preparar um lanche, mas Beto intervém:
- Não, não. Hoje vamos pedir uma pizza.
Ele pede só calabreza. Ela ama queijo.
Depois de uma hora Carlinha pergunta disfarçadamente:
- Tu estava em algum lugar antes de vir pra cá, Betinho? (detalhe no Betinho pós Carlos Alberto. Artimanhas femininas.)
- Não.
- Hmmm. É que tu tá tão arrumado. Ganhou de quem essa camisa?
- Eu comprei com o salário do mês passado.
- “Filho da puta, pra sair comigo não tem dinheiro, mas pra comprar roupa tem” – Hmm, e esse perfume todo pra quê?
- Pra ti ué.
- Ah ta bom...e as flores? Hoje não é meu aniversário, não é dia dos namorados, nem aniversário de namoro, é?
- Eu só quis te fazer uma surpresa, Cá. Que coisa!
- Muito estranho. Tu nunca faz essas coisas...
Biiii...É a vizinha da Carlinha. Ela mora em cima da floricultura da mãe dela e tem a idade da Carlinha.
- Oi Cá...hmm...pelo visto cheguei em hora boa.
- Não “querida”, a pizza já acabou e, a propósito, ninguém gosta de calabresa.
- Mas, amor, eu pensei que você gostasse... (“não pensa nada”)
- Minha pizza favorita é a de queijo, Carlos Alberto. (Que mudança!). O que tu quer Luciana?
- Eu vim te convidar pra tomar um chimas ali na Encol, mas pelo visto tu tá ocupada. Desculpa. Outra hora eu apareço. Vou voltar pra loja ajudar a mãe.
- Ah, Lú, eu não gosto de rosas vermelhas, gosto de flores do campo!!! Vê se aprende!
Lú sai sem entender nada.
- E tu não me olha com essa cara. Eu vi tu olhando pra bunda dela. É por isso né? Flores? ! Acha que me engana? Vai lá tomar um chimarrão vai. Vai lá e leva essa calabresa horrível junto. Homem é tudo igual mesmo. Flores para namorada só pra ver outra.
Beto não estava entendendo nada. Carlinha saira da própria casa deixando ele sozinho.
Mas Beto não desiste de entendê-la e salvar sua sexta-feira. Vai ao armário da namorada, pega uma camiseta que tinha lá e veste. Atravessa a rua e vai até a floricultura da frente. A floricultura da Luciana. Compra flores do campo. Volta pra casa de Carlinha. Deixa as flores na cama dela com um bilhete e vai embora.
Carlinha estava quase chegando quando Luciana aborda ela:
- Cá.
- O que que é? “ O que tu quer oferecida?”
- Teu namorado é meio doido...
- Por que? O que tu quer com ele? “ E o que te interessa isso?”
- Porque ele passou ali na loja da mãe e pediu flores. Disse que comprou algumas perto da casa dele, mas que pelo fato de ter andado demais com elas até aqui elas murcharam e tu não gostou. Ele até lamentou não ter comprado perto daqui, assim não murchariam.
- Ah é? Ele disse isso? Lú, depois a gente se fala tá? “Puta merda”
Abre a porta feito doida e esquece a chave do lado de fora. No seu quarto encontra as flores de campo sob a cama com um bilhete: “Cá, o que aconteceu? Eu não estou entendendo nada. Me desculpa se pedi a pizza errada e fiz uma surpresa não muito agradável. Tu tá estranha. É TPM? Eu vou entender. Me liga ta? – Beijos do teu Betinho”
Um minuto depois.
- BETINHO...é TPM sim amor. Desculpa. Brigada por ser compreensivo. Vamos no cinema hoje?
- Ah gatinha, no máximo um DVD. Tô sem grana. Eu não estava planejando comprar dois buquês.
- "Ai que saco”... Tá bom CARLOS ALBERTO, eu escolho e tu paga...
- Só não pega romanc...
- EU ESCOLHO E TU PAGA!!!

4 comentários:

  1. que mina chata...
    vcs reclamam quando não fazem, reclamam quando fazem, mulheres... não tem como entendê-las!!!

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  2. bah que guria pentelha mew...
    bahhh coisa chata.. oh guri fazendo tudo certo e ela ali em cima enxendo
    aeueahiuea
    porra heeheheheh

    Santo Betinho ehehe

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  3. Coitadinhos *__*
    Está certo q ela pegou pesado, mas os dois erraram, né?
    A vida é assim...cheia de idas e vindas. ^^

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  4. Simone Bassani21/12/2006 11:38

    Tássia!!! Adorei esse texto... isso aí é pros guris aprenderem um pouco sobre a gente... ahahah
    A gente reclama de tudo, somos umas CHATAS mesmo!! Temos que admitir!
    Beijo guria!!!

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