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GRÁ - VI - DA!!!

- Pai?! – ele continua impassivo assistindo ao programa de debates sobre futebol na TV – Paiêêêê, eu preciso falar contigo...

- Ãhnn? – ele resmunga sem paciência. Odeia ser interrompido.

- Pensando bem, se você não quiser ouvir agora, por mim tudo bem...

- Ótimo, querida. Depois do programa tu me fala. – ele responde satisfeito sem tirar os olhos da tela.

- Mas depois não vou ter mais coragem. – Carlinha praticamente sussurra.

- Coragem? Coragem de quê? – ele fica encucado, mas continua sem olhá-la.

- De falar ué! – ela aumenta o tom da voz.

- O quê aconteceu, Carlinha? – ele faz uma careta olhando-a, finalmente.

- Eu tô grávida. – ela conta como se estivesse dizendo “Estou indo pra faculdade.”

- Ãhn?! - diz ele sem que a ficha tenha caído ainda – Ãhnnnnnnn?? – a ficha começa a cair.

- GRÁ – VI – DA – enfatizou Carlinha, fazendo ironia até mesmo diante dessa situação – Grávida, pai. Embuchada, prenha, barriguda, como tu preferir.

- Pára com isso guria, tu enlouqueceu? Como isso aconteceu? – pergunta gritando.

- Ah, vai dizer que tu não sabe? – fala Carlinha com um sorrisinho no canto esquerdo da boca.

- Ãhn? – ele parece não entender.

- Eu nasci da cegonha de certo pai?! Bom, se tu esqueceu eu te explico então. Começou com uns amassos quentes no carro, depois fomos rumo à um motelzinho de quinta já que o Beto é um pé rapado, daí...

- CHEGA! Me poupe dos detalhes, Carla. – grita mais alto, o que não parece intimidar Carlinha.

- Ok, mas lembre-se que foi tu que perguntou. Tá ficando gága heim! – retruca ela sem aparentar nenhum um tipo de abalo com o grito do pai.

- E o que vamos fazer agora heim? Você é só uma criança... – baixa o tom da voz, lamentando o ocorrido.

- Duas coisas: Como assim o que vamos fazer? Eu vou fazer. Vou ter meu filho. E eu não sou mais uma criança, afinal de contas, que eu saiba criança não transa, apesar de assistir filme pornô escondido... - continua Carlinha sem mudar seu tom inabalável.

- Carla, o Beto não tem condições de criar essa criança... – continua, ignorando a informação desnecessária que Carlinha lhe passou.

- Eu sei, mas ele disse que tu tem.

- O quê? – ele exalta-se de novo.

- Foi assim ó: “ Relaxa Cá, teu coroa é cheio da grana, enquanto eu não achar um emprego de verdade ele banca o piá, afinal, pai é pra essas coisas.” - repete o que havia decorado, fielmente.

- Mentira Carla. O Beto é meio malandro, mas não falaria isso desse jeito. Só se ele fumou maconha, ou, por acaso, foi tu que fumou e tá me falando um monte de merda. Abre a boca Carla, deixa eu ver.

- AAAAAAAA – Carlinha abre a boca se rindo por dentro – Pronto pai, agora deu pra ti ver que eu não comi maconha né. Ai pai, acorda...

- Chega, Carla. Temos que falar sério. Agora tu vai ser mãe e não pode continuar com esse pensamento infantil.

- Eu sei pai, e você vai ser avô, não vá pensar que seu neto come maconha.– Carlinha mantém o mesmo sorrisinho no canto da boca.

- Meu neto não vai ser maconheiro... - já esgotando sua paciência.

- Isso não tem como prever, pai. – ela levanta a sombrancelha direita, levando a mão esquerda ao queixo com o dedo indicador próximo ao olho esquerdo também, fazendo cara de pensativa.

- Ai Carla, chega, ele nem nasceu ainda. E eu nem aceitei isso ainda. - esgotado.

- Ah, aceitou sim, dá pra ver nos seus olhinhos brilhando de felicidade.– Carlinha fala tratando o pai como se fosse uma criança prestes a ganhar um ovo de páscoa - Que tal o Beto morar com a gente? Um pai deve ficar perto do filho. - sugere.

- Não, de jeito nenhum, não precisava de um neto, muito menos de um filho novo! Vou enlouquecer, Carla. Eu preciso de um Beck pra relaxar. – se rende, Seu Carlos deitando-se no sofá como se tivesse desmaiado – Eu preciso dar um pega!!! – grita feito uma criança implorando por chocolate.

- Ué, não prefere comer maconha, pai? – pergunta Carlinha e sai de fininho com o mesmo sorrisinho nos lábios sem esperar por uma resposta.


Pay-per-view

- Vai ser um piá. Tenho certeza. – afirma Betinho.

- Que o quê! Vai ser guria! – contra-ataca Carlinha.

- Que, tá doida?! Essas "mina" dão muito trabalho!

- Por quê?

- Se forem que nem a mãe então, tô fudido.

- Cala a boca, Beto! – ela extravasa enquanto ele ri descontroladamente - Vai ser uma gremista linda!

- Que “ista” o quê? Vai ser colorada e deu! – responde Beto, ironicamente.

- Nunca! Não quero mais uma fanática na minha família, já basta o pai petista doente. Não viaja!

- Mas, Carla, pensa bem, quem vai levar a criança no jogo? Tu? - indaga com a cara mais irônica ainda.

- A - ha, por acaso, tu, machista do jeito que é, vai levar uma menina pra ser afofada no jogo? Até parece Sr. Machão! - Carlinha começa a se estressar.

- Tá, isso é verdade, mas eu posso ver um Pay-per-view com minha filha ué.

- Ah, já aceitou que é menina né? - ela dá um sorriso sarcástico.

- Não, claro que não, só estou levantando uma hipótese pra outra hipótese que tu levantou, Carla. E vai ser piá, se Jah me ouvir. Vai em jogo comigo, vai ver mulher comigo...

- Vai ver o quê?! Olha que aborto a cria agora mesmo.- ela o interrompe imediatamente.

- Cala a boca guria, não fala isso nem brincando! - finalmente, Beto mostra um ar mais sério.

- Não quero que tu transforme meu filho em um mulherengo sem cérebro e, ainda por cima, colorado. Ele vai ser um fracassado desse jeito.

- Então vamos combinar o seguinte, se for mulher vai ser gremista, – ele cruza os dedos – se for homem, colorado.

- É, pode ser, faz sentido – cruza ela os dedos também e mentalmente começa a bolar mais um plano miraculoso “ Se for homem vou fazer a cabeça dele pra ser gremista com a ajuda do meu pai, isso sim. Ele vai ser gremista. Assim terei certeza de que o Beto não vai ir em muitos jogos sem companhia e nem vai emendar a saída do estádio junto com meu filho pra ir num inferninho. Já se for mulher, vai ser colorada, daí ela fica, como ele disse, vendo um Pay-per-view com ele, sentadinhos no sofá! Rárárá” – ri feito uma bruxa!

- Por que tá rindo, Carlinha? - fica curioso Betinho.

- Acho que vai ser mulher e, infelizmente, colorada, algo me diz isso! Sinto pena dela! - Carlinha faz uma cara de coitada.

- Por mim está ótimo! - ele concorda sem entender mais nada.

- “Você que pensa. Rá Rá Rá” - ela pensa.

Comentários

  1. São 10:51h, estou tentando retribuir comentários e responder e-mails. Isso parece que não tem fim. Depois de um longo dia de trabalho no volante do táxi, os olhos teimam em querer fechar. Confesso que não tive coragem de ler o teu post (mais comprido que suspiro em velório). Prometo voltar outra hora, mais descansado.
    Há braços!!

    ResponderExcluir
  2. Mauro Castro29/03/2007 22:55

    Não me identifiquei direito (cansaço).

    ResponderExcluir
  3. Hahahahahaha
    o pior de tudo é que eu tenho uma prima Carlinha que teve uma filha aos 16 anos...tsc, tsc, tsc, lamentável!

    Essa briga sobre o colorado-gremista infelizmente eu terei (ou melhor, já tenho)

    Mas sobre essa de engravidar "sem querer" eu acho balela das mais fracas! É quase i-m-p-o-s-s-í-v-e-l engravidar sem querer...sabe, com todos os recursos da modernidade (camisinha, anticoncepcional, diafragma, camisinha feminina, diu e todos os outros que a gente aprende na aula de educação sexual) só engravida quem quer...ou relaxados que acham q "não vai dar nada"...isso em Direito Penal se chama culpa consciente! Tem uma prima do Thiago que agora está passando pela segunda vez o conto do "aconteceu pai!", que cara-de-pau!!

    A todas aquelas que "engravidam" pq "aconteceu"....ME POUPE!

    hihihihihih
    bjokes

    ResponderExcluir

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