23 de mai de 2007

Quem falou que estagiário sofre ....

... nunca trabalhou onde eu trabalhei e nem com as pessoas com quem trabalhei. É até pecado reclamar do meu ex-estágio, mas tenho que admitir que odiava os plantões de sábados ou feriados e espero que não se repitam (já se repetiram de forma bemmmm mais prolongada e sem remuneração).

A rádio-escuta é um ótimo estágio, apesar de muitos não perceberem. Na escuta você aprende a digitar feito um louco, principalmente quando há debates; a resumir debates em tempo real (imagine que perfeito isso pra quando o gravador falhar no meio de entrevista, só que tem que ser ágil no manual também e não só nos teclados); te faz conhecer uma vastidão de jornalistas de rádio, tv e meios impressos; te deixa super atualizado por te oferecer todos melhores jornais da capital se você quiser ler; e, ainda por cima, te oferece Internet para você fazer o que quiser. Já o pronta-resposta, para onde fui promovida sem aumento salarial, te ensina a se comunicar com assessores de todos temperamentos; a filtrar respostas encaminhadas por eles que serão rebatidas na mídia; fazer respostas para reclamações; filtrar matérias importantes; dentre outras coisas. Mas não é só do aprendizado que vim escrever, afinal, quando o pessoal sair da escuta verá como foi importante. Vim falar é da loucura que é trabalhar lá.

Imagine-se acordando às 6h30 e indo para uma sala de quatro paredes não muito saudável nem limpa, e começar a ouvir o seu rádio e mais quatro ou cinco ao mesmo tempo, já que ninguém gosta de fone de ouvido. É som de rádio, tv, e digitação ao mesmo tempo. Acredito que todos estagiários perdem um pouco da audição quando passam pela escuta.

Agora imagine conviver com um bando de loucos. É perfeito. Vamos relembrar: como eu era a veterana da rádio-escuta nessa última leva já conheci uma galera: Larissa, Brigida, Marcela, Priscila, Alexandre, Daniela, Ariane, Amanda, Gabriel, Luciano, Vinicius, Tiago F, Carlos, Thais, Natália, Raphael, Tiago, Simone, Viviane, Karina, Tatiana, Nanra, Christiane, Fabiano, sem falar dos tios: do xerox, do administrativo, da faxina, da portaria, da guarda municipal, da redação, da publicidade, da foto, e do diabo a quatro. Eis abaixo os colegas mais marcantes devido a minha maior convivência com esses (não sintam-se insignificantes os não-citados, pois quem sabe terei a oportunidade de conhecê-los melhor em outros estágios.

Um dos mais marcante foi sem dúvida o Alexandre, espero que ele nunca leia isso (se ler, "saiba que é um bom rapaz"). Ele tinha alguns neurônios a menos, acredito eu. Com a aparência de um bugre perdido na capital, ele tinha seus devaneios. Ele era levemente tarado e sem noção (quem sabe um dia a chefa conte a vocês a história). Ele adorava mãos. Eu é que não gostava quando ele resolvia pegar minhas mãos para elogiar minhas unhas bem feitas ou minha pulseira. Eu, a Priscila e a Brígida sofríamos. Elogios não faltavam, mas irritavam. Teve um dia que ele descobriu que eu fazia curso de inglês. Não é que toda a manhã ele só queria falar em inglês: "Good morning, beautiful girl". Beautifull só pros íntimos, darling. No Orkut ele tinha comunidades excêntricas, dentre elas "Eu quero ser uma pokebola". Dá pra se ter uma idéia do que era o rapaz que comia cinco pães de queijo sozinho.

A Brigida foi uma amigona. Falava pelos cotovelos feito eu. Era uma briga feia de quem falava mais alto quando sentávamos lado-a-lado. Seria eu, ela ou os radialistas? Toda manhã ela levava um iogurte e uma fruta de lanchinho, acompanhados de um todinho e o que mais coubesse no estômago e na bolsa. Ei Tiago, ela que me fez virar uma obreira mão de vaca.

A Priscila é a guria mais paty com quem já trabalhei. Não era só paty na maneira de vestir, era paty na maneira de agir. Teve uma vez que ele se esqueceu que tinha que trabalhar, deixou o rádio de lado e ficou discutindo com o namorado pelo telefone, porque ele apagara todos os guris do msn dela. Mas ela não conversava, ela gritava. Sorte que nessa época, não haviam chefes na sala.

A Thais se tornou uma amigona além das fronteiras da escuta. Todos os dias ela achava algum vídeo idiota no You Tube e ria feito louca, coisa que a descontrolada da Vivi também fazia. Além disso vivia no O Fuxico vendo as fofocas, característica também marcante da Simone e do Rapha que no fundo anseiam por uma oportunidade de estágio na TITITI para quem sabe chegarem ao topo: a CARAS. Coincidentemente a Thais é vizinha de praia de outra amigona minha. Não cabe aqui revelar nossos assuntos juntamente com a Simone dentro de um carro só de meninas, às vezes! hahaha

A Simone é uma figura lendária, outra amigona. Diga-se de passagem que a última leva da escuta se tornou mais que colegas e sim amigos do peito. Digamos que nós damos bem pelas nossas semelhanças, eu e a Si. Nossas viagens da Ipiranga até a Salvador França eram marcadas por temas polêmicos, a maioria sobre nossos namorados cabeçudos e nosso trabalho. Além disso fizemos um tour inesquecível pelo sebo. Nossa paixão e obsessão quase sexual por livros também faz a gente fazer trocas, de livros, não de sexo tá?

O Rapha eu conhecia de antes, dos nossos tempos de IPA-Americano e da nossa rivalidade no Grêmio Estudantil. Além disso ele veraneia no mesmo condomínio do meu namorado e é amigo dele também. O Rapha é um figurão. Outro que fala sem parar. Adora uma fofoca quentinha. Sempre leva esporro de todo mundo, mas também faz todo mundo cair na risada com tanta palhaçada.

O Tiago toda manhã quando a ZH chegava ele pegava e não largava mais, e quando eu precisava ver a capa do jornal pra ver se tinha alguma manchete do interesse da prefeitura ele ainda se achava no direito de ficar bravo. Além do mais ele vivia me mostrando fotos de mulheres semi-nuas, se pá ele pensava que eu era lésbica. Me arrependo até hoje de não ter colocado um homem pelado de papel de parede no computador dele antes dele chegar no trabalho. Também era um colorado doente, tal qual a Viviane. Discussões...

A Nathalia quase não falava, ou melhor, não falava. Ela respirava o trabalho, ultra-hiper-mega-super concentrada, responsável, ela só parava de trabalhar para participar das promoções da internet. Uma amiga reveladora, sempre super meiga e prestativa com todos.

A Viviane era uma doida. Ria alto. Falava besteira atrás de besteira e tinha sempre uma história de trapalhadas suas pra contaer. Nem sei quantas vezes já discuti com ela, principalmente sobre futebol. Tínhamos nossas diferenças, mas todos têm. Mas nos damos bem sim...Brigas e discussões na minha vida são normais. Adoro uma! hahaha

Meus chefes todos eram ótimos. A Nanra era madura e responsável e sempre dava uma paradinha no trabalho para bater um papo com a gente. A Chris, uma fofa. Linda e ótima companhia fazia a escuta dar boas risadas. O Fabien, nosso poderoso chefão, é um exemplo também. Ele nos ensinou que o trabalho não é tudo na vida, mas que também não é nada. Ele classificava muito bem o que era importante ou não. Enfim, todos meus chefes foram super legais conosco.


Sei lá, fiquei com vontade de escrever isso pra mostrar pro pessoal como sinto falta de todos. Foi uma experiência inesquecível que merecia até um livro e um replay!

9 comentários:

  1. Ai, Tassinha!!!!!!!! Amei
    To quase chorando, me deu muitas saudades
    LIndooooooo
    sem palavras, negrinhasss
    to suspirando até agora!
    Bjãooooooooooooooooooooooo

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  2. Rá, eu sou o cara! ahhahhaa
    mas, bons tempos esses, da escuta. Era legal. Quiçá (herança que eu ganhei da escuta) a gente ainda se encontre nas redações da vida.

    Beijão

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  3. Ai que saudades Tássia!! Foi muito bom passar esse tempo com vcs na Escuta!!! O madura e responsável e as vezes um pouco chata né!!! hehehehe Adoro todos vocês, fizeram parte de um momento super importante na minha vida.... beijos

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  4. Bah! Me emocionou. Amei. Superlegal a consideração e o carinho que tu guardas de todos os teus colegas. Demais!

    O blog da escuta voltou:
    www.blogdaradioescuta.blogspot.com

    tá convidada!

    AH! O Colorado não tá morto, hein?

    beijão!

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  5. ~*.*~
    Que saudade!! Que bom relembrar os velhos e bons tempos...
    Cada personalidade...rsrsrsrs
    Parece até um filme, quem sabe.
    Tássia, você tirou as palavras da minha boca. Adorei o que você escreveu sobre o trabalho, é verdade.
    Bjss

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  6. Táta.
    Dáuma olhada em www.blogremio.blogspot.com.
    Tu vais gostar.

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  7. Ai querida, que lindo. E que saudade! Nunca mais a escuta será a mesma! E quando digo nunca, NUNCA mesmo, acredite! Estou com pena (lê-se: medo) de deixar a Natália lá sozinha.
    hahahahaha

    Beijosssss

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  8. Não sou rancoroso Táta. Mas o blog é pra sacanear. Só que a fase tá braba pro meu lado. Nem posso falar mais nada. O que melhor eu posso fazer é ficar quietinho sobre futebol. Superbeijo!!

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  9. haieuheiaheaiuha

    Adorei o texto, Tássia!!
    É bem como diz no blog da escuta "Pra trabalhar aqui não precisa ser louco, mas ajuda!".

    Bando de maluco que eu adoro demais, uns eu conheço mais, outros menos, mas tudo gente boa (menos esse tarado que eu não conheci e nem quero O_o).

    Beijão, guria!!!

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