15 de jun de 2007




A chance que faltava pra entrar na UFRGS

Está para ser votada a proposta elaborada por Celi Pinto, coordenadora da Comissão Especial para Implementação de Ações Afirmativas da UFRGS, na qual 40% das vagas do vestibular da universidade seriam destinadas a cotistas. Se a proposta for aprovada, a partir do próximo vestibular os cotistas já terão direito a 20% das vagas, sendo 10% para afro-brasileiros e 10% para alunos do ensino público. Particularmente, sou totalmente contra a proposta de cotas para alunos negros e a favor das cotas para alunos egressos de escolas públicas.

Minha oposição às cotas destinadas a negros se dá devido à impossibilidade de definir raça no Brasil e à desvalorização do mérito pessoal. Não há como definir com precisão a raça de qualquer brasileiro. O país é formado pela miscigenação racial há anos, fazendo com que negros tenham antepassados brancos, assim como brancos tenham antepassados negros. Conforme um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, publicado na Revista Veja na edição do dia 06/06/07, 87% dos brasileiros tem pelo menos 10% dos genes de origem africana, totalizando 160 milhões de pessoas. Assim como há muitos negros com maior parte de sua origem em antepassados europeus.

A lei é infundada, pois propõe diminuir a desigualdade social dando oportunidades aos negros, sendo que tratará brancos e negros de forma desigual (ao favorecer negros que não necessariamente serão pobres nem despreparados) oficializando o racismo e desmerecendo o esforço dos demais candidatos que desejam passar por mérito acadêmico. Não é porque o vestibulando é negro que ele tem menos condições intelectuais de passar no teste do que um branco. E é aí que entra minha concordância com os 10% destinados a alunos egressos de escolas públicas. Estes sim têm desvantagem, não por serem menos inteligentes, mas por estarem menos preparados já que não dispõem de recursos para freqüentar cursinhos ou escolas privadas. Claro que deveria haver projetos governamentais para cursos gratuitos como já vem acontecendo em Porto Alegre, mas ainda falta muito para essa situação mudar, então nada mais justo do que dar cotas a alunos da rede pública sejam eles negros, brancos ou pardos.

A lei de cotas será um retrocesso na história da UFRGS se for aprovada. Daqui há alguns anos será mais difícil concorrer como cotista do que normalmente devido ao enorme número de pessoas que recorrerá às cotas devido as suas origens. Eu, por exemplo, tenho um avô índio kaingang, antepassados negros e europeus, mas minha pele é apenas “moreninha”. Será que não tenho uma chance no sistema de cotas? Acho que minha pele engana e a de muitos brasileiros também.

4 comentários:

  1. Esse é daqueles assuntos pra se ficar horas e horas discutindo. Nem eu sei se tenho uma opinião formada sobre o assunto. Podem falar que estão privilegiando os negros assim e por isso é injusto. Mas, a escravidão e a discrimação que eles sofrem hoje na sociedade são justos? Alunos das escolas públicas, digamos, 'usarão' bem a sua vaga ou apenas entrarão na facul e matarão aula, enquanto essa cadeira poderia ser usado por alguém mais determinado?

    O problema está todo na educação. Por isso eu votei num certo candidato nas últimas eleições. Precisamos já de uma reforma nessa área.

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  2. Fui eu, fui eu que escrevi isso

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  3. Eu acho que votei no mesmo candidato do Tiago Anonymous, pois acredito que o problema está na formação do cidadão, desde o ensino básico. Cotas raciais são preconceituosas, tendenciosas e ridículas num país como o Brasil, em que tanto se luta contra a discriminação.

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  4. Concordo. Sou contra cota para negros e sim para estudantes de escolas públicas (de onde sai a maioria dos negros).

    Manda e-mail pra mim, pelo de trabalho mesmo.

    fabianosc@gp.prefpoa.com.br

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