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Vestibular


Hoje pela manhã, ao ver vários jovens entrando pelos portões do colégio Protásio Alves rumo ao teste mais esperado da vida deles, até então, lembrei de quando eu estava no lugar deles, há uns três anos atrás. Ao longo do 3º ano eu costumava assistir às aulas pela manhã e, à tarde, eu assistia às aulas de reforço das matérias mais chatinhas. As aulas de reforço eram gratuitas e oferecidas conforme as vagas para os alunos que estavam mal. Eu não estava mal, mas como quem está nunca procura ajuda, eu que estava bem me aproveitava da displicência alheia e utilizava as vagas disponíveis para reforçar meus conhecimentos para o vestibular e aumentar minhas notas em aula conseqüentemente. Eu sempre tentava incentivar minhas melhores amigas preguiçosas a irem comigo, mas não adiantava muito. Sempre iam comigo as que estavam tão bem ou melhor que eu nas aulas. Além disso, eu tinha inglês algumas vezes por semana em outra escola. Então, nos últimos meses de aula entrei no cursinho pré- vestibular que quase não freqüentei e tranquei o inglês.

Falando tudo isso até parece que eu me puxava pra passar no vestibular né? Na verdade me puxei, mas não tinha em mente a UFRGS, sempre tive consciência de que meu curso era muito concorrido e tinha gente que abdicava de muita coisa por uma vaga lá. Eu era um tipo raro de estudante. Não deixei de ir a nenhuma festa para estudar, não deixei de matar aula e também não deixei de viajar com a turma, mas tinha um talento nato pra ir bem no colégio, modéstia parte. Mesmo com toda farra e sem estudar em casa quase nunca, fui bem no vestibular, mas não passei na UFRGS. Mas não me abalei, pois eu não me esforcei pra passar na UFRGS, até porque se eu quisesse passar na UFRGS de verdade eu não faria parte do Grêmio Estudantil, nem da Comissão de Formatura e nem sairia à noite.

O vestibular da UFRGS foi a prova mais chata que já fiz. O tempo não passa nunca. Me lembro que nesse ano fiz três vestibulares. O da PUC, que era muito fácil (acho que mais fácil que o da Ulbra), o do IPA, que na verdade era prova cumulativa nos três anos de ensino médio, e o da Unisinos, que era muito difícil. Imagina fazer uma prova dissertativa numa salinha calorenta e depois do almoço voltar pra fazer um texto de 75 linhas!!! Bom, na UFRGS, eu me lembro de olhar o relógio na parede sem parar. Olhava pro lado e um dos meus colegas de aula dormia em cima da prova e do outro lado meu outro colega tirava os tênis por não aguentar o calor. O mais chato é que tu tem um tempo limite mínimo pra ficar na sala, mesmo que tu queira zerá-la. Quando esse tempo acabava, nós três saíamos feitos loucos da sala sob os olhares dos confiantes na aprovação. Na PUC, nós três conseguimos acabar no limite mínimo de tempo, e acho que nós três passamos, pois era pagar pra passar, depois ainda falam da Ulbra. Enfim, entrei na Unisinos, me lembro da faixinha na praia "Tássia - Jornalismo/ Unisinos e PUC e Turismo/ IPA e Bruno (meu irmão) - Educação Física IPA e Ulbra."

Hoje fico olhando aquela gente que faz a mesma coisa que faziam há três anos trás: estuda até entrar na sala. Cruzes, acho que eu nem tinha levado caneta pro vestibular, muito menos, um livro! O pior ou melhor, sei lá, é que naquele oba oba fui super bem, só não passei na UFRGS por causa de matemática e física óbvio, porque até chutando a prova inteira de química, eu fui bem!

Acontece que é melhor evitar tanta expectativa, pois hoje voltei ao meu lar estudantil e estou pagando pra estudar e muitos dos que estão ali em frente ao Protásio farão a mesma coisa. Se bem que, atualmente, a faculdade pública tá barbada. Descobri esse fim de semana que meu amigo que demorou uns 10 anos pra concluir o colégio passou na federal de Santa como cotista (pardo). Fala sério, ele tá hiper bronzeado porque ele é surfista, mas pardo, tá longe de ser!

Como diria Martinho da Vila "Felicidade, passei no vestibular, mas a faculdade é particular..."

Comentários

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