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Convenções Sociais = Hipocrisia


Sabe o que eu mais odeio nessa vida depois da falsidade, da infidelidade e da futilidade? O calendário. Isso mesmo. Aquele que fica nas agendas, nas paredes, nos computadores e nos marcadores de páginas. Aquele, que tal como o relógio, se espalha por todos os cantos feito peste. Aquele que fica nos lembrando que temos prazos a cumprir, obrigações, dias de vida que passam rápido ou devagar demais e convenções impostas por datas e feriados. É principalmente à estas últimas que me refiro. À essas datas sagradas que não considero tão sagradas assim.


Vejamos o natal por exemplo. Em certas famílias é inadimissível passar o natal distante dos parentes. Eu pergunto: - Por quê? Natal não era pra ser uma dia de reflexão sobre o nascimento de Cristo? E quem lembra disso? Poucos. O que importa nessa data é trocar presentes e reunir a família. Mas precisa haver uma data pra reunir a família? Será que a família não pode se reunir em quaisquer fins de semana? O amor fraterno só pode ser demonstrado no natal? E além do mais, há necessidade de unir a família mesmo quando nem sempre reina paz e amor entre todos os membros só pra cumprir com uma convenção da sociedade? Ano novo então, é festa. Por que jovens tem que ficar segurando as saias de suas mães nessa data? Deixem eles viajarem, saírem. É ano novo e não o fim do mundo! Aniversários. Eca. Um bando de gente se entupindo de docinhos e salgadinhos (confesso que essa parte me interessa), dando parabéns porque alguém ficou mais velho. Parabéns? Não sou fã do tempo, portanto, ficar mais velho não é tão digno de parabéns. Deve ser lembrado e também merece comemorações, afinal, se Jesus faz todo mundo comemorar seu nascimento todo ano - mesmo que poucos saibam sequer o que aconteceu no natal -, por que nós não podemos reunir nossos amigos e fazê-los comemorar nosso nascimento? O ponto conflitante desta história toda, não são as datas em si, mas sim o que somos socialmente obrigados a fazer nessas datas. Não deveria ser obrigação um ato que tem que ser expontâneo, de coração. Um belo cartão, um telefonema, uma surpresa, uma visita sem hora marcada. Tudo isso é bem representativo e não envolve necessariamente uma obrigação.


O que mais me incomoda nisso tudo é o fato de ser uma lei não decretada a nossa presença em determinados locais e em determinadas datas. Ficar longe a família no natal é errado, ano novo legal mesmo é na praia e passar de preto dá azar, não ir no aniversário da priminha é falta de consideração, não ir nas bodas da tia-avó é falta de respeito, não levar presente é cara de pau. Temos que ter o direito de escolher. Temos que comer carne na páscoa se estamos a fim. Pois falta de respeito, se for, é comer carne todo dia, já que os bichinhos morrem em qualquer data e poupar vidas só nesse dia não muda muita coisa. Temos que passar o natal em casa vendo um dvd se não estivermos a fim de olhar pra'quela tia falsa, pro primo pentelho e pra cunhada metida. Temos que faltar aniversários se quisermos aproveitar nosso fim de semana com algo que gostamos. Temos que ser livres, se a sociedade e a geração passada permitirem e aceitarem que os tempos mudaram e que as convenções são tão ultrapassadas quanto eles. É um retrocesso usar datas livres, de folga e transformá-las de um dia que podia ser prazeroso em um tédio, ou um incômodo. Se a vida é curta e temos que curtir a vida, seria bem mais interessante se a gente pudesse fazer o que a gente quer pra aproveitar o tempo e não o que os outros querem.

Comentários

  1. A questão realmente é que tudo virou obrigação e consequentimente rotina e toda rotina com o tempo fica chata!

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  2. Tássia, concordo com teu ponto de vista.

    Ontem, enquanto minha família estava na casa de uma vizinha comemorando o Natal (ou melhor, á espera deste), eu estava em casa, sozinha, refletindo sobre o real significado dessa data.

    Bom, eu não odeio o calendário em si, mas alguns feriados sem pé e sem cabeça (o Natal não uma data sem pé e sem cabeça), mas o Homem deturpa tudo: porque para o Homem, dinheiro é tudo. E tudo por mais vago que seja, é motivo pra lucrar.

    Não importa se há milênios milhões e milhões de crianças são enganadas todos os anos com a historinha do Papai-Noel... o que importa é que você vai gastar seu dinheiro (mesmo sem ter, mas dá-se um jeito) pra presentear pessoas com coisas materiais, quando o essencial são as coisas que são invisíveis aos olhos.

    Enfim..

    Abraços.
    =*

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  3. Concordo com a Camila. Tudo que vira rotina é chato.
    E realmente ter que aguentar o primo pentelho, que nem sabe que é meu primo é um saco!
    E eu como carne na Pascoa! =X

    Ainda assim, que 2009 seja um ano excelente pra você! Com muitas oportunidades, saíde, paz, alegria e amor!
    Beeijos

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  4. Passando pra conhecer seu blog.
    ADOREI! Muito legal. Os textos estão bem bacanas. =P
    Qt as datas... Concordo com oq vc falou. Natal virou obrigação. Sou obrigada a ir na casa de parentes desejar "Feliz Natal" e gastar telefone ligando pro restante q mora longe ¬¬ Só gosto da parte da comida! (não vou mentir). Qt ao restante dos feriados. Nem percebo qd eles passam, a n ser q eu n tenha aula na universidade! =P

    Bjos.
    Bom final de semana.

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  5. Também concordo que as famílias deveriam reunirem-se todos os finais de semana. Entretanto, sabems que não é assim que funciona. Aí, sendo realista, é melhor ter ao menos uma data pra juntar todo mundo. Então, esqueça a falsidade, por pelo menos um dia no ano...
    Foi dessa forma que preferi enxergar o natal...

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  6. Sabe tava falando esses dias até com uma amiga.... q nao ligo p ngm nunca p desejar feliz natal nem ano novo (pq acho meio que um desproposito).Desejar Feliz Natal pq? se é apenas mais um dia! todo mundo se reune mas todo mundo continua o mesmo, os errados nao pensam em mudar seu jeito de ser.. e depois das festas e confraternizações tudo continua igual.. a bolsa cai o dolar sobe, enfim...
    E essa historia de ficar colado com família, é simplesmente ridiculo - se obrigar a fazer uma coisa q não quer por causa de convenção - Apoio a tua idéia!

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