15 de dez de 2008

Escondendo o pó debaixo do tapete...

Dentes amarelos. Conversas sem interesse mútuo. Beijos, abraços, sorrisos... falsos. Insultos presos na garganta. Disfarce. Pra que isso? Por que isso? Não é mais fácil virar o rosto? Fingir que não viu? Ignorar? Ou ainda, não é mais fácil falar tudo o que se pensa e acabar de uma vez por todas com o fingimento?


Ah, a sociedade! Sempre a sociedade e suas malditas convenções. "É falta de respeito", "Mantenha a classe", "Não baixe o nível". "Seja cínica também". Blá, blá, blá. Não consigo pensar assim. Quando o sangue ferve, tô pouco me importando com minha elegância. Deselegante pra mim é quem não tem atitude. É quem baixa a cabeça e diz amém ou às ordens. Quero mais é gritar pra Deus e pro mundo que se foda. Quero ser livre pra dizer que odeio (e que amo). Livre pra dizer: sai daqui que não vou com tua cara, dá licença que tua presença me irrita, tô incomodada e por isso estou me retirando. Quero dar voz aos meus pensamentos sem medo de repressálias. Porque só é livre quem pode se expressar. Porque o cinismo aprisiona. É falso até com nós mesmos.


Como diria Quintana, em Coexistência Pacífica: "Amai-vos uns aos outros é muito forte para nós: o mais que podemos fazer, dentro da imperfeição humana, é suportarmo-nos uns aos outros". E mesmo assim, como é difícil. E a sociedade insisite em nos forçar a fingir, encenar, interpretar. A sociedade quer que a gente siga os ensinamentos da Bíblia mesmo sabendo que é impossível amar todo mundo. Só Jesus conseguiu isso e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas quanto à isso. Colocar seres tão distintos tão próximos é até covardia. Se tira algum aprendizado disso? Não. Não aprendemos a amar e nem mesmo a suportar tais pessoas, então pra que tamanha proximidade? E, ainda por cima, com a lição de que o certo é calar e aceitar? Não. Isso definitivamente não é pra mim. Ficar quieta é uma coisa que ainda não aprendi e, sinceramente, não quero aprender.


"Se eu amo meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?" - Sempre o bom e velho Mário respondendo com mais perguntas. Quer saber? Minha alma gêmea sou eu mesma, pois cérebros opostos muitas vezes se dão bem, mas quando não se dão, sai de perto. Só te peço um favor, caro amigo, colega, conhecido ou qualquer, me deixe extravasar, me deixe falar, porque guardar pra mim não faz bem e eu quero mais é que as máscaras caiam, porque delas o mundo tá cheio. Mas, se depender de mim, muitas máscaras ainda hão de cair, custe o que custar.

5 comentários:

  1. Concordo inteiramente com você! As noções sociais nos passadas são de fingir e surportar, sendo "políticamente correto". Odeio isso! Falsidade não é comigo, e quando tenho que falar, falo mesmo! Bjus e boa semana.

    http://so-pensando.blogspot.com

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  2. As vezes acho que não tenho semelhantes... daí a pouco passa essa impressão ruim, e eu volto a tolerar o próximo... mas tem dia que eu quero que o próximo não fique nada próximo a mim, aliás, os meus próximos poderiam ir "catar coquinho" de vez enquando!

    Ufa! Consegui ler tudo que estava atrasado! rs!
    Gosto do que você diz, garota!
    Bjos!

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  3. PS: além de ler, dei palpite em quase tudo! rs!

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  4. Muito bom esse texto! Caramba! Me vi nas linhas. Depois de um certo tempo, creio eu que devido ao amadurecimento, passei a não fazer médía com ninguém, a querer agradar! Hoje pra mim o que vale é expressar o que eu tô sentindo, dizer a verdade, se isso não acontece, não me importo com que o outro(a) vai pensar!
    bjão

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