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Off mundo, on vida...On mundo, off vida.



Jogados pelo meu quarto, três livros por ler. À frente de uma estante cheia de autores fascinantes na biblioteca da faculdade (em plena sexta-feira), não resisti. Apesar dos vários trabalhos por fazer no fim de semana, cometi o disparate de alugá-los. Por culpa exclusivamente minha, essa semana vou pro trabalho lendo os poemas do Caderno H, do meu bom e sábio velhinho Mário Quintana. Antes de dormir, leio Felicidade Clandestina da melancólica e misteriosa Clarice Linspector. Tomando um sol na praça, leio Morangos Mofados de um autor que estou aprendendo a amar também, Caio Fernando Abreu. Na minha lista de livros por ler, ainda me esperam naquela estante Rubem Fonseca, Fernanda Young, Maria Adelaide Amaral, Milan Kudera, Martha Medeiros, Nelson Rodrigues, Paulo Coelho, Gay Talese, John Fante, Mitch Albom, Cláudia Tajes, Paulo Francis, Clarah Averbuch, Carol Teixeira, Charles Kiefer, Lucinha Lins e por aí vai meu ecletismo literário, tal como em tudo na minha vida.

Enquanto esses autores me esperam entre seus livros velhos, rasgados, empoeirados, cheirando a novos, em sebos ou livrarias, eu escrevo vários textos pendentes, de idéias que aos poucos vão se perdendo por falta de tempo pra pô-las no papel. Sobre o CPU do meu computador, pilhas de polígrafos não lidos. Folhas e mais folhas maçantes, de leituras nada prazerosas e, como consequência, nada bem cuidadas. São páginas amassadas, riscadas, rasgadas, dobradas. Aqui, de frente pra tela do meu computador, fico angustiada só de lembrar de quantos sites e blogs deixei de visitar essa semana. Lamento também o jornal que não pude ler hoje e talvez ontem e anteontem. Falta tempo, pois tenho muito trabalho, num trabalho que não me interessa, mas que paga uma faculdade que me interessa.

Há muita informação disponível, pouco tempo para consumi-la, um cérebro muito pequeno pra armazená-las e um desejo enorme de possuí-las por completo. Quero ler tudo, me auto-obrigo e frusto-me quando não consigo o impossível. Cada informação que deixo de lado é como uma peça a menos no meu quebra-cabeça, é uma palavra cruzada incompleta, um game over no meu dia. A era de internet me tornou uma escrava da rede, pois nela tenho meus e-books, meus blogs, meus jornais, meus programas de rádio, de tv e filmes. Tudo on line. Apesar desse tudo, sou vítima de um conhecimento fragmentado, manchetado. E é eu mesma que me faço prisioneira dessa tela. Meu mundo é real ou é virtual? Eles se confundem ou se fundem?

Deixo obrigações de lado pela obrigação que eu mesma me impus de ficar on. Porque quem não está on, hoje em dia, está por fora. O problema todo é que eu quero estar por fora, às vezes, pra poder ficar lá fora, sentindo o vento, passeando com minha cadela, sentindo o sol. Pois pra ficar por dentro, fico dentro do meu quarto, do meu computador e da minha vida, só da minha. Da vida dos outros acabo sabendo daqui, enquanto ele está ali fora, é meu vizinho ou está no quarto do lado. Porque apesar de estar off mundo longe da rede, também estou off mundo dentro da rede. Porque a rede aproximou as pessoas distantes, mas também distanciou as pessoas próximas. Eu quero mais, eu quero menos. Eu quero tudo, eu não quero nada. Eu só quero mesmo ser menos auto escravizada. Ser on, ser off, ser uma lâmpada. Quero uma mão pra me ligar e me desligar, pois sozinha eu não consigo.


P.S.: Esqueci esse texto nos rascunhos... Aí vai então, com um pouco de atraso. = ( = )

Comentários

  1. Ameii o post, realmente, a gente sempre tem muitos livros. Adoroo todos os autores que voce citou!

    JGossipGirl

    BeijO*

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  2. Ficaria horas aqui tentando escrever algo pra complementar o seu texto, seria em vão.
    Como na maioria das vezes, pude me ver nessas linhas.
    And precisando de alguém pra me desligar, ou pelo menos pra fazer parte daminha vida. Essa que mesmo cheia de pessoas, tenho vivido tão sozinha.

    ;**

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  3. Adorei! Hehe. Vi o seu blog na capricho e como to chegando agora nesse mundo resolvi fuçar os que tinham por aqui pra saber como funciona o esquema. Não imaginei que fosse ler textos tão legais como todos os que venho lendo! :D

    Beijos

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  4. Também ando atrás da minha carta de alforia rsrs. Olha, tô saindo de férias blogais, mas queria que você lê-se e comentasse o texto que tá lá no Só Pensando. Muita paz, saúde e felicidades 1000 pra você e toda a sua família. Bjus, fique com Deus e até 2009.

    http://so-pensando.blogspot.com

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Então, vc viu? Meus castelinhos são um pouco diferentes dos seus.
    Mas qdo li aquela sua postagem percebi que era metáfora perfeita pra toda vez que eu quebro a cara!

    Acho que minha vida real e a virtual não se confundem nem se fundem, elas ME confundem!

    Tem muita coisa pra ler sempre pro aqui, hein!
    Vc está com a corda toda, como diz minha avó! rs!

    Bjos.

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