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Vivendo e Aprendendo


Escolhi o Jornalismo porque ele me dá a possibilidade de viver em constante aprendizado, de evoluir sempre, porque no fundo eu “só sei que nada sei”. Desde o momento em que entendi que o trabalho era a maneira que os adultos encontravam para se sustentar e constatei que eles nem sempre gostavam do que faziam, decidi que eu buscaria uma profissão que, a cada dia, me ensinasse algo prazeroso. Sim, porque acho que o trabalho pode e deve ser prazeroso. Afinal, são oito horas (ou mais) por dia dedicadas exclusivamente a isso. Então, como o Jornalismo me daria a oportunidade de aprender e ser várias ao mesmo tempo ao oferecer a possibilidade de se trabalhar para diversas mídias com diferentes tipos de informações, eu não estaria fadada a uma rotina maçante e mecânica de pagar contas e administrar empresas ou sei lá o quê. Mesmo que eu não obtivesse riqueza financeira sendo Jornalista, eu obteria a riqueza do aprendizado. Viveria em busca da sabedoria, a maior riqueza do mundo.

Trabalhei apenas uma vez na minha área e foi ótimo, foi na Coordenação de Comunicação Social da Prefeitura de Porto Alegre. Tive colegas e chefes fantásticos e tarefas interessantes. Depois tive mais dois empregos que nada tinham a ver com o que eu gostava (ainda estou em um deles). Gostava das pessoas (nem todas), mas não tanto das tarefas a mim destinadas. As pessoas geralmente tinham visões de mundo totalmente opostas a minha. E como é ruim trabalhar com pessoas que não sabem a importância de uma leitura diária de um jornal, que não sabem a importância de ouvir uma rádio am, inclusive dizendo que gurias novas como eu não deviam escutar essas coisas de velho, enquanto eu achava que havia velhos que deviam escutar, mas não escutavam. Por isso digo que trabalhar é foda. Admito, não gosto de trabalhar. De trabalhar no que não gosto entende? Escolhi o Jornalismo, mas ele ainda não me escolheu, pois como não possuo diploma tenho que me submeter a trabalhos que paguem meus estudos e que não têm nada a ver com eles. Há dias em que estou inspirada e quero me dedicar totalmente ao trabalho, deixar a mesa limpa no fim do dia, ser uma funcionária modelo, afinal, meu trabalho não é tão ruim assim, pelo contrário, é legal, eu é que sempre quero mais. Noutros, “eu quero ir embora, eu quero dar o fora”. Cumpro minhas obrigações, mas não sem ouvir uma rádio am, ler uma notícia ou e-mail entre uma tarefa e outra (quando sobra um tempo). Às vezes, tenho que fugir da minha função robótica para ler algo produtivo. Pois quando não tenho essas fugas, fico com a impressão de que estou perdendo oito horas de aprendizado do que realmente me interessa.

Escolhi essa profissão também, pois é a que mais me dá liberdade de fazer do meu jeito, mas nem tanto. Porque mesmo que eu seja Jornalista eu receberei ordens e não há nada que estrague mais meu dia do que receber ordens. Cara, como odeio isso. Já tive sérios problemas no trabalho por receber ordens de quem não é meu chefe. Felizmente tive a sorte de ter chefes maravilhosos que sabiam que eu cumpriria com minhas tarefas, mas ao meu jeito. Sub-chefes nunca são legais. Acham que são importantes, mas não são.

Faço Jornalismo, mas não sei se serei Jornalista. Sou inconstante demais. Só sei que nunca abandonarei meu lado criativo da escrita, do aprendizado, da cultura. Quero ter meu diploma de Jornalista logo pra poder fazer o que mais gosto, mesmo que não plenamente. Só estarei plenamente satisfeita em se tratando de trabalho quando eu for livre. Quando eu puder viver de escrita. Quando eu mesma mandar em mim. Por que por mais que digam que isso é coisa de vagabundo, pra mim vagabundo é aquele que não pensa, que não evolui, que se conforma, se acomoda. Um diploma tem força, queiramos ou não. Se eu já tivesse posse do meu seria bem mais fácil publicar um livro e ter um emprego na minha área simplesmente por eu ser Jornalista, e não por ser uma simples estudante de apenas 21 anos competente e cheia de idéias. Isso não basta!

Comentários

  1. Vou prestar vestibular no fim do ano para Jornalismo pela 3ª vez, dessa vez vai, eu tenho fé! :)

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  2. Olá!! Adorei oq vc escreveu. Penso +ou- dessa forma tbm. Faço Geografia, e o curso me proporciona coisas que a maioria das pessoas não imaginam, não fazem idéia. Posso dizer que trabalho com o mundo e para o mundo. Você escolheu a palavra certa para definir trabalhar no que se gosta não apenas pra se sustentar: liberdade! Ser livre. Não há opção de vida melhor.
    Um ótimo fds.
    Bjos.

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  3. De certo que o jornalista tem mais liberdade de trabalhar, além do quê, está vivenciando a história. Jornalista é o historiador do dia-a-dia. Bem, quanto ao post do Só Pensando. Não fique pasma comigo, pois sou mais polêmico do que possas imaginar, e defendo posicionamentos que poucos defendenriam. Além da legalização da prostituição, sou a favor da legalização do aborto, das pesquisas com células tronco e o direito a eutanásia. Até li tempos atrás seu artigo falando sobre o tema, mas não foi nele que pensei ao escrever o meu. Como diz o velho deitado Chinês, "cada um tem a sua verdade". Defenda as suas verdades, que eu defenderei as minhas. Bjus e bfs.

    http://so-pensando.blogspot.com

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  4. Caso você opte por outra profissão, tenho uma vaga para motorista da noite no meu táxi...
    Há braços!!

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  5. ooo guriazinha!
    eu te adicionei, mas (pelo visto) deve ter dado algo de errado... que droga! bem que eu estranhei.

    bueno, aí vai o meu msn: letecea@hotmail.com

    BEIJÃO!

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  6. vC está em qual período? Me formei na sua idade, de lá pra cá todo dia é um aprendizado eu posso dar um conselho? Mesmo que o dinheiro nessas horas fale mais alto, procure algo o quanto antes na sua área, estagiei uma boa parte da faculdade em banco, pq a grana era legal, mas sai muita crua da faculdade, conseguí depois de 8 meses um emprego no qual estou até hj e sou coordenadora do meu departamento, graças a dona da empresa que me deu oportunidade, mas afirmo que todo dia tem que ser correr atrás, estar a frente de muitas situações!
    bjs

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