15 de fev de 2009

Fugir do PADRÃO? Nãaaaoooooo....



Minha amiga Anne me enviou por e-mail um texto do Herbert Vianna sobre a futilidade da sociedade moderna. Gostei tanto das idéias que o texto levantou que me empolguei na hora de responder pra ela e decidi postar a resposta aqui. A Anne é tipo eu: POLÊMICA. E com ela sempre consigo bater um papo-cabeça! Ela acertou em cheio na hora de me mandar esse e-mail, afinal, olhem só tudo que a coitada teve que ler...

Realmente não é normal que jovens de 20 anos estejam turbinadas ou lipoaspiradas. Na verdade é um abusurdo que elas se tornem artificias antes mesmo de descobrirem o quão lindas podem ser ao natural. Mas a culpa não é delas. Ou melhor, é delas sim, mas da sociedade também. É delas porque elas se deixam influenciar por esse sistema podre em que vivemos, e da sociedade porque é ela que constrói esse sistema.

Eu sou vítima e ré confessa. Com meus seios naturais eu me sentia incompleta, afinal, os olhos masculinos deviam percorrer quaisquer peitos, menos a ausência dos meus. Eu me esquecera completamente dos assovios que recebera na rua, dos colegas apaixonados na escola, dos ficantes dos tempos de festa e do então namorado que gostavam de mim como eu era. Eu que estava feliz comigo mesma, que tinha a auto-estima lá em cima, que gostava de ser diferente e que vivia (e vive) criticando as pessoas iguais, engoli minha própria língua pra ser igual em um quesito. Isso, porque, naquele quesito, me sentir diferente diminuia minha auto-estima. Afinal, na era das siliconadas, quem não tinha um plástico dentro de sí não era bonita. Seios naturais já não eram atraentes aos olhos masculinos (e nem femininos). Eu que me sentia linda quase sempre, passei a não me sentir tanto assim depois que a mídia impôs a mais nova ditadura da beleza. Pois é, no nosso país "maravilhoso e livre" a gente mesmo tira nossa própria liberdade porque somos aprisionadas pelo padrão. PADRÃO! Se a gente não é padrão a gente é feia. E como ser diferente faz bem pro ego, mas ser feia não, eu me rendi a cirurgia nos seios (como se apenas o aumento dos seios fosse me tornar linda). Confesso que pelo menos com a parte de cima do meu corpo já não tô tão insatisfeita, mas o foda é que a gente nunca fica satisfeita por completo. Se desse, eu teria colocado mais peito. Se desse, eu teria mais bunda, mais cocha, mais canela, mais cachos, mais mais mais...a gente quer sempre MAIS! Nunca nos damos por satisfeitos porra! Depois da cirurgia, percebi que não eram os seios que faziam com que eu me sentisse feia. Eu nunca me senti feia (exceto quando pintei meus cabelos com mexas loiras e pus aparelho nos dentes), foi só uma fase, pela qual todo mundo deve passar, mas uma fase em que o silicone já existia. Não me sinto linda. Existem milhares de gurias mais bonitas que eu, ou não, depende do ponto de vista de cada um (infelizmente os pontos de vista são bem parecidos). Cada um tem uma beleza diferente e eu que amo o diferente tô aprendendo a me amar ué.

A nossa merda de país não nos incentiva a valorizarmo-nos por dentro, só por fora. Num livro que tô lendo, que fala sobre as conquistas femininas pelas mulheres, diz que as próprias mulheres se deixaram enganar pelo sistema ao acreditarem que essa superexposição de seus corpos na mídia era algum progresso. ERRADO! Fomos desvalorizadas debaixo do nosso nariz. A mídia, ao nos superexpôr, não mostra nossa evolução intelectual; apenas a carnal. Ela mascara o que temos de inteligência e nos expõe ao rídiculo mostrando a única coisa que podemos ter de bom que é justamente ser BOA! Em outros países as mulheres são valorizadas, mas aqui não, aqui somos subjulgadas. Somos propaganda de cerveja, bobos da corte em programas de auditório, mulheres frutas, a terceira opção pros homens em propagandas que mostram primeiro futebol, depois carros e por último mulheres. Ordem e Progresso?!

Dizem que com o tempo a gente aprende. E acho que aprende mesmo. Pois tô aprendendo a me valorizar como sou, mas a maioria das mulheres infelizmente faz o contrário (se reboca, reboca, reboca e nem sempre a massa corrida cobre todos defeitos...talvez externos, mas não internos). Aprendi a amar minhas pernas fininhas e agradecer a Deus por tê-las. Sei que hoje a moda pode ser perna grossa, mas amanhã pode ser fina (ou não), mas vai ter alguém que as goste assim como são. Aprendi a amar meus cabelos (ao contrário da maioria das crespas que só quer os alisar). Aprendi a amar meus olhos castanhos (pois acho verde e azul muito fora dos meus padrões... ksksks). Aprendi a gostar de mim. Claro que eu me cuido pra manter minha forma Olívia Palito. Não é porque tenho que me inundar de pensamentos positivistas sobre meu eu interior que não posso me cuidar exteriormente.

Entretanto, apesar dessa evolução por qual tenho passado, ainda tenha raiva do padrão sabe. Não é inveja das tchutchucas mundo a fora, não. JURO! Mas não acho bonito gente igual. Bonito pra mim é o diferente. Guris loiros de olhos claros e fortões não me atraem. Gurias loiras e gostosas muito menos. Um tipo exótico me chama a atenção. Se eu fosse lésbica então, o último tipo de guria pra quem eu olharia seriam as loirinhas ou branquelinhas. Olharia pras morenas, de preferência de cabelos cacheados e esvoaçantes ou curtos de corte moderno. Não olharia pras altas, mas pras baixas. Olharia pr'aquelas que transparencem sua personalidade no modo de vestir e não pr'aquelas que se vestem iguais as outras. Tô numa fase meio Inês sabe (a da Caminho da índias). Se for padrão, tô fora!

12 comentários:

  1. É bem assim, mas o padrão está ae, e não creio que dê pra tirá-lo da cabeça das pessoas. Como você disse, quem não se encaixa, não consegue ser valorizada.
    Sou loira, baxinha, cabelo enrolado e branquela. Um pouco de padrão, ou pouco de autênticidade. só que não adianta ficar fora do padrão e não se sentir bem assim. Na sociedade atual, a mulher precisa, antes de qualquer coisa, se sentir bem, estar não totalmente satisfeita (pq seria utopia) mas não buscar a todo momento se tornar quem não é.
    É ser diferente, e ser feliz com essa diferença!

    ;**

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  2. Concordo com cada vírgula desse texto! Bjus e boa semana.

    http://so-pensando.blogspot.com

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  3. acho que eu faço o seu tipo ;*)


    bjokas

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  4. qnd li o texto do herbert, tinha certeza q tu ia gostar... mas nao imagina q tu iria escrever esse texto enooorme sobre isso! hahaha
    ta otimo mesmo! bjuu

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  5. e isso só tende a piorar,mas a culpa acaba sendo das pessoas mesmos pq valorizam sempre o lado externo e não o interno !

    bejoos

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  6. Mas qual é o caminho, afinal? Em uma sociedade onde os modelos de ascensão social/profissional não tem NADA a ver com leitura e estudos, não me surpreende em nada as adolescentes e jovens mulheres turbinando os seios, fazendo lipo, etc e etc.

    É o modelo de sucesso. O que faz sucesso hoje é a modelo, a dançarina, o ator, a atriz, o jogador de futebol, o pagodeiro, os brothers malhadões confinados numa casa, os bombados e malhados...

    Apenas a forma, não o conteúdo, a essência da pessoa é levado em consideração. Vemos isso todos os dias nas seleções de emprego, por exemplo. Já começa por aí. Ou nas lojas. A aparência conta.

    No que nos transformamos? Em seres de plástico, que dão preferência apenas à forma. Será mesmo que continuaremos neste caminho?

    O texto está excelente e muito adequado para nosso cotidiano!

    abs!

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  7. Tássia!
    Então você se considera polêmica???
    Uffa, achei que era sozinha no universo.

    Amei teu blog, teus textos, os assuntos.
    Temos que puxar papo cabeça um dia desses.

    Amei tua visita no meu blog.

    Beijão!!!

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  8. Cacilda. É muita futilidade, fã. Você tem aí o texto do Herbert?

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  9. Oi
    Concordo com você, porque apesar de odiar esse padrão acabamos entrando nele, é Quase inevitável.
    Adorei o texto!!
    Bjuu

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  10. What words... super, a remarkable idea

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