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Mostrando postagens de Agosto, 2009

O casório do ano

Diante do espelho, Moacir se vê pronto.
Terno bem passado, nó da gravata dado, sapato engraxado.
Enfim, aprumado e bem ajeitado.

O amigo vai casar.
E como o dia é especial,
Ele logo vai se arrumar.

O sol está sumindo,
Foi mais um dia normal,
Mas a noite que vai surgindo
Será sobrenatural.

O casório é longe,
Fica num sítio distante,
Por isso ele se encaminha,
Duas horas antes.

Se despede do asfalto,
Pega o chão batido.
Na buraqueira da estrada
Quase volta arrependido.

Faltando pouco pra chegar,
Alguém lhe chama a atenção,
É uma jovem moça a lhe acenar
Pra qual jamais diria não.

Fim de carona e a moça desce.
Ele a pergunta onde mora.
Após dado o endereço,
Ele atento logo decora.

A cerimônia está radiante,
Mas chega o momento crucial,
Noiva linda e noivo elegante,
E o padre faz a pergunta fatal.

Alguém tem algo contra o casamento
E não demora a se manifestar.
A moça da carona ao fundo da igreja
Faz a noiva desmaiar.

Depois do ocorrido, Moacir perguntou:
"O que aconteceu?"
"A moça que o casamento arruinou
Faz …

Melhor Amor

Histórias de melhores amigos que se apaixonam são mais comuns do que miojo na hora do aperto. Já vi vários casos de perto e de longe. E querem saber? Não vejo nada de errado nisso. Pelo contrário, acho fantástico. A probabilidade do relacionamento dar errado, ao meu ver, é bem menor do que se ambos fossem desconhecidos um pro outro até o dia em que se apaixonaram. Isso porque já são conhecidas as qualidades e os defeitos do outro. Namorar o melhor amigo (ou amiga) é igual a comprar um carro tendo quase certeza de que é bom mesmo, após fazer o test drive. Sei lá, eu já fiquei com meu melhor amigo. Não me apaixonei, mas gostei o suficiente pra ficar, e não mudou nada na nossa relação depois disso. Continuamos grandes amigos, sem frescuras, sem vergonha e até mais próximos e maduros. Isso porque, é claro, ele realmente era meu melhor amigo. Porque se o carinha mudar se a relação não vingar, acreditem vocês não precisam lamentar a perda dupla de namorado e melhor amigo, porque nesse cas…

sem lona e sem graça

O circo desmoronou. A chuva forte derrubou a lona. O palhaço já não faz mais ninguém rir. No seu último espetáculo, pela primeira vez, ele pintou aquela lágrima preta do lado direito do rosto. No seu último espetáculo, já não havia um teto sob ele e várias lágrimas de chuva escorriam sob sua face. E o fiel público... Que público? Ele era público dele mesmo. De suas piadas só ele ria, ninguém mais. Ele sempre esteve sozinho no palco, mas de tão centrado em si mesmo, nunca percebeu que não havia aplausos no fim do show. Ele era o fã número um dele mesmo. Ele era aquela criança inocente mordendo sua maçã do amor na primeira fila. Era aquela mãe séria que odiava circos, mas que não conseguiu evitar o riso ao ouvir aquela velha piada sobre a sogra. Ele era público dele mesmo. Mas só agora que ele via que nunca teve graça pra ninguém a não ser pra si mesmo. Ele era uma piada sem precisar fazê-la. Só agora ele percebia que sempre guardara dentro de si o drama e não o comédia. Pobre palhaço,…

(2 em 1) Dois pra lá, dois pra cá... e Os dez novos mandamentos escolares

Dois pra lá, dois pra cá...
Pelo que eu me lembre, eu só levei dois foras na vida (isso pode ser bom ou ruim, depende do ponto de vista). O legal de se comentar sobre esses dois foras foi que em nenhum dos dois casos eu pedi pra ficar com o guri. Foi coisa de amiga. Amiga da onça. No primeiro deles eu devia ter uns 14 anos. Eu era mega a fim de um guri da praia já fazia alguns verões e minhas amigas sabiam disso. Mas eu não queria de jeito nenhum tomar a iniciativa. Se ele quisesse, ele que me procurasse, caso contrário, deixasse quieto. Acontece que as fofas das minhas amigas, querendo meu bem, foram dar com a língua nos dentes e contar isso pro dito cujo. Aí então, eu tive que aguentar no osso, cara a cara, o bonitinho me "consolar" dizendo que me amava muito como amiga, mas que aquele não era o momento e blá blá blá. Eu me lembro vagamente de ter me sentido uma guria de 10 anos cabisbaixa sendo consolada pelo pai porque este não podia lhe dar a bicicleta de natal. Enfim...…

Hoje, ontem e amanhã.

Minha postagem de hoje é inspirada numa frase que li em um post da minha amiga Verô ( http://mascotejornal.blogspot.com), e que combina com meu momento atual, mais precisamente com meu AGORA. A frase tava guardada nos meus rascunhos pro dia em que ele me servisse. Chegou a hora...

A frase é: "Tudo o que eu queria do dia de hoje, era esquecer todos os dias de ONTEM, não pensar de maneira nenhuma no dia de amanhã."
Hoje ainda não acabou. A manhã, a tarde e a noite são imprevisíveis. A manhã foi boa, a tarde estava sendo, mas agora, surpresa, desmoronou o circo. E, apesar do sol em pleno inverno e de um possível domingo perfeito diante do meu bom humor incomum nesse dia, ocorreu um desvio de rota. O "agora" a que me refiro foi há 10 minutos. É meu passado. Mas também foi meu presente naquele exato momento em que acontecia, assim como foi meu futuro há 11 minutos. Passado, presente e futuro, tudo está relacionado, mesmo que o advérbio de tempo se refira ao presente. E qu…

Notas após um domingo qualquer quase diferente...

Finalzinho de domingo na casa da minha sogra (que, diga-se de passagem, eu realmente adoro, ao contrário de muitas noras), Grêmio virando o jogo - e eu respeitosamente quieta em meio a uma família colorada - seguido de Joe Jackson se defendendo das acusações de agressão contra Michael, e os assuntos em pauta variam....

Primeiro deles: Opção sexual.
Eu argumentando que um cara afeminado (ou como dizem agora assexuado) nem sempre é gay ou bissexual, e que nem sempre a mulher masculinizada é. Assim como nos dois casos pode ser. Dizendo que julgar pelas aparências ou jeito é preconceito. Repito o que disse pra eles: "Gente, se me colocarem do lado de várias homossexuais ou bissexuais que tem por aí e pedirem pra apontarem quem é que fez a escolha fora do convencional, a julgar pelas aparências, muitos apontariam pra mim, pois muitas das gurias são bem mais femininas que eu". Idem pros homens. Enfim... típico papo quente que adoro polemizar. Eu e meu stress versus as caretices alhe…

Apesar de tudo, irmãos...e ponto.

No início éramos um grude só. Brincávamos sempre juntos. De botão (futebol de mesa, às vezes no parquê mesmo), de pênalti (um colchão de casal no chão da garagem, eu em cima me fazendo de goleira, e ele fora pra cobrar o pênalti e eu defender), de vôlei (cuja grade pontuda que separava nossa casa da rua era a rede), de casinha (o quarto da minha mãe virava um amontoado de cadeiras e lençóis - as casinhas não tinham fogão nem boneca, eram só varios cômodos pra gente ficar brincando naquela arquitetura infantil, afinal homem nao brinca de casinha né?) e de basquete (na cesta grande no pátio ou na mini sexta da porta do quarto). Enfim... Quando adolescentes nos odiávamos. Ou melhor, eu odiava ele. Mal lhe dirigia a palavra. Ter que trocar meia dúzia de palavras com ele pra mim era o fim. Foi ali que começamos a perceber nossas inúmeras diferenças. Se ele me via na rua com três amigos meus, nos ouvidos do meu pai eles viravam uns 10 e bem mais velhos que eu. Minhas amigas, nenhuma prestav…