13 de set de 2009

(3 em 1)Em cartaz "Um filme sem público, sem gênero e sem final", Cresça e Apareça e Púlpito!


Em cartaz "Um filme sem público, sem gênero e sem final"

Todas as vidas têm peculiaridades que são dignas de serem narradas. Todas as vidas e suas excêntricidades são dignas de histórias a serem contadas em capítulos ou cenas. Nenhuma vida é igual a outra. Podem até ser parecidas, mas iguais, duvido. Assim, todas as vidas merecem ser de conhecimento geral, mesmo que mesquinhas, fúteis e sem conteúdo. Isso porque até da inutilidade podemos tirar algum aprendizado de como não ser ou não agir. Eu, por exemplo, sempre achei que a minha vida poderia dar um livro. Mas aí percebi que seria maior que a bíblia e talvez fosse maçante, com altos e baixos recheados de reflexões psico-filosóficas de alguém sem gabarito para tanto. Mas quem sabe, sei lá, quem sabe minha vida poderia render um filme? Talvez fluísse melhor, ué. O único problema é que não sei qual seria o público pro meu longa. Não se enquadraria em Drama, tampouco em Comédia. Aventura? Nahhh. Romance? Bem que eu iria gostar. Terror, Suspense... nada disso. Acho que seria um misto de melancolia com comédia dramática, mas pelo que sei, não existem prateleiras pra esses dois gêneros.
Mesmo assim acho que minha vida até aqui já daria um bom filme; não campeão de bilheteria, mas talvez bem aceito por um público alternativo que gosta de filmes que levem a refletir sobre a vida. Isso porque só tenho 22 anos, mas já vivi e vivo várias vidas. Quando criança fui estranha. Bonitinha, querida, meiga e estudiosa, mas maquiávelica em prazeroso segredo. Tudo que acontecia de errado eu tinha feito, mas como não admitia, não era meu rostinho angelical que me entregaria. Meu irmão achava que tinha uma irmãzinha linda e doce, mas tinha um diabo que atormentava dias e noites da sua vida pacífica, assim como a de meus colegas, principalmente os meninos. E pior... eu gostava dessa minha identidade secreta. Na segunda série meu lado negro foi descoberto ao ser castigada pela professora por ter na mochila uma revista erótica. Enfim... Na pré-adolescência fui totalmente inconsequente. Apesar de ter nascido em berço de ouro em comparação a outras pessoas, depois que de casa própria e colégio particular passei à apartamento alugado e colégio público, vivi a vida plenamente e me lixando pra qualquer coisa com que os outros se preocupavam. Não me orgulho, mas não me arrependo dessa fase. Descobri a vida sem as fantasias das adolescentes burguesas com quem fui conviver poucos anos depois, na adolescência (diga-se de passagem que a pré-adolescência é só uma nomenclatura, sendo que nela vivi o melhor período da minha adolescência). Fui quase beatificada ao fingir ser santa para ser aceita no meu novo colégio particular onde ganhei bolsa, pouco tempo depois. Um ano depois, em meio aquelas santas patys, encontrei novamente minha alma hippie em outras gurias. Novamente amei a vida. A vida sem caligrafia correta, sem suco de laranja, sem cabelo chapado, sem maquiagem e sem grife. A vida como ela é. Saindo da adolescência, voltei a ser quase beatificada ao entrar num relacionamento estável que beira os cinco anos e sendo uma pessoa ao seu lado, outra sozinha e outra com meus amigos. Esse é o atual período em que vivo.
Como dá pra perceber, minha vida daria um filme alternativo digno de fazer sucesso nas telas de pequenos cinemas suburbanos voltados ao público mais cult da cidade. Isso porque seria um filme totalmente autoreflexivo de uma jovem que aos 22 anos resolve recuperar sua identidade perdida que sequer sabe se um dia encontrou. Diante disso, o público pode filosofar acerca de suas próprias vidas nesse filme sem gênero, público ou tema definido. Filme que talvez rendesse uma baita série!
Cresça e Apareça!
Não faz muito que me dei conta que já não era mais criança. Esse "não faz muito" é bem depois de ter largado as fraldas, o bico e a mamadeira. Ao contrário da maioria dos jovens que acha que não é mais criança a partir do momento em que não é mais virgem, que ficou bebâbo, que voltou de madrugada pra casa ou que já dirigiu, eu deixei de ser criança faz pouco. Se é que deixei mesmo.
Foi quando percebi que o futuro era meu presente e que meu presente me assustava muito. Deixei de ser criança quando percebi que estava na hora de pensar na minha vida que só eu podia construir sem ajuda de ninguém. Foi quando eu percebi que eu não queria que minha personalidade fosse moldada por ninguém a não ser por mim mesma e que eu não queria que ninguém interferisse na minha individualidade.
Foi quando percebi que eu precisava ser EU e passei a sonhar com o dia que plenemente feliz eu conseguisse dizer que sou o que sou e construí o que quis porque assim EU desejei e pra isso EU lutei.
Foi quando enfim percebi que tudo dependia exclusivamente do EU e não do nós. E apesar de ainda viver sob o teto dos meus pais e fazer parte de um plural, dia-a-dia eu luto pra começar a construir meu EU, mas tendo plena consciência de que sem ELES não existiria o EU que sou hoje, mesmo sabendo que o EU que quero ser dependerá de mim apenas.
Foi quando percebi que o futuro chegou.
PÚLPITO

E meu cartão vermelho vaí para:
"Jovens quase adultos que ainda acham que são adolescentes, passam fins de semana inteiros bebendo, falando merdas e jogando o dinheiro dos pais que ainda bacam suas vidas no lixo". Resumindo: expulsão pra juventude alienada geração anos 80 que se dá bem por influências e não por talento!

4 comentários:

  1. Eu assistiria certo teu filme Tá!!! Vamos produzir?? hehe Adoro teus textos.. Bjão

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  2. Eu assistiria certo teu filme Tá!!! Vamos produzir?? hehe Adoro teus textos.. Bjão

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  3. Eu assistiria certo teu filme Tá!!! Vamos produzir?? hehe Adoro teus textos.. Bjão

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  4. - Cartão vermelho merecido!
    - Tem selo lá no blog para os 50 primeiros que comentarem. Vai lá!
    beijos,
    Sofia
    (http://pirulito-no-palito.blogspot.com)

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