30 de out de 2009

Pílulas de reflexão


Trechos de um livro
"Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para gatos."
Comentário: Sim, arrumar cama, cozinhar, lavar louça ou fazer coisas similares acabam comigo, ainda mais se solicitadas, mesmo que com educação. Já falei isso uma vez aqui e repito, mesmo que, novamente, soe mal: a verdade é que fazer favores me irrita. E, geralmente, essas coisas são favores. Lavar a louça seria um favor pra minha mãe, sogra, amiga. Arrumar a cama, um favor pro meu namorado. Cozinhar, um favor até pra mim, pra que eu mesma não fique com fome (mas não deixa de ser um favor). Favores tiram meu foco. Sendo assim, não me peçam e muito menos mandem. Porque quando resolvo arrumar as coisas por livre e expontânea vontade, elas ficam demais. Porque apesar de odiar esse tipo de favor, adoro organização. Acreditem!

"Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas."
Comentário: Nem consigo mais contar quantas vezes durante um papo descontraído em meio a vários amigos, simplesmente estanquei, parei. Assim, sem mais nem menos, após ter dito uma piada que fez todo mundo rir, após parecer ser eu mesma do jeito que tanto agrada aos outros, me fechei. Isso porque, muitas vezes (quase sempre), me auto-observo. E, acreditem, isso é uma droga. Depois de um tempo me percebo assim como percebo os outros e me acho uma tonta. Desgosto do meu comportamento e sinto que aquela ali não sou eu. E onde eu estou? Onde eu sou eu de fato? E aí lembro que só sou eu mesma quando estou no meu quarto fazendo as coisas que mais gosto do jeito que melhor me sinto. Assim, como nesse exato momento em que escrevo porque amo, de pernas cruzadas em cima da cadeira, vestindo meu pijama velho, preocupada porque vou dormir tarde de novo e ainda tenho mil coisas pra fazer, com fome e com preguiça de fazer um Toddy e com vontade de matar o banho. É só quando estou sozinha que percebo que quando estou com os outros sou apenas o que eles pensam que eu sou.

"... a angústia existencial, se não é uma coisa triste, tampouco é libertadora."

Comentário: Quem a sente não é um tolo. Está mais perto de ser um sábio, pois sente a essência da vida que é justamente seu questionamento constante. Sabe que deve vivê-la intensamente porque é preciosa, mas perde boa parte do seu tempo pensando sobre ela ao invés de vivê-la. Mas como vivê-la inteiramente sem conhecê-la?

"Não estou disposta a inventar dilemas que não existem, mas quero reencontrar aqueles que existem e que foram abafados por esta minha vida correta. Não intenciono nem mesmo trazê-los à tona, quero apenas ir ter com eles onde eles se escondem, descobri-los em seu próprio bunker."
Comentário: Porque a minha sede de viver, mesmo que tentem impedir, será sempre saciada, mesmo que à minha maneira raramente correta. E parada, só bebo se chover. Não quero esperar pra ver. Vou em busca de rios, mares, oceanos inexplorados, mas existentes. Aqueles que estavam tão longe de mim, mesmo eu tendo acesso à eles. Aqueles que eu achava inalcançáveis devido aos limites que eu me impus. Porque viver é ter dilemas - angústias existências (?) - que não se inventam, apenas são descobertos por quem tem gana por desvendá-los.

"A liberdade de que falo é a de poder ser o que ainda não tentamos."
Comentário: Não quero uma fôrma pra me moldar. Não tenho fórmula. Gosto de me reinventar a cada dia. E pra que eu seja quem eu quero conforme quero, só preciso da minha inteira disponibilidade pra gozar a liberdade que tenho de me autogovernar. Às vezes, aqueles que são mais livres se prendem bem mais em sí mesmos. E quem é preso, se liberta bem mais de várias maneiras.
(Trechos do Livro "Divã", de Martha Medeiros)

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