23 de nov de 2009

Cidade bem informada

A cidade onde ele morava tinha pouco mais de mil habitantes. A praça era a vida do lugar. Mateada, pique-esconde, bate-papo, desfile, baile. Tudo ali, numa quadra só, onde até a falta de atrações atraía frequentadores. Fosse dia ou noite, bastava o tempo estar bom pro povo ir pra lá.
Enquanto isso, as tevês de suas casas permaneciam desligadas, ainda mais na hora do telejornal, programa totalmente dispensável devido às informações que não lhes serviriam pra nada.
Ah, nada como um bom chimarrão pra acompanhar as tantas novidades daquela cidade que aos olhos dos outros era tão monótona. Informações vindas de fontes seguras como a cunhada da moça que abortou o filho do primo, a amante do marido da costureira que foi expulso de casa e o vizinho do doutor que se mudou pra cidade com a esposa dondoca que dava em cima do dono do restaurante que era ex-marido da costureira e primo da moça que abortou. Ah, quantos e quão bons eram os causos ignorados pelos jornalecos regionais e nacionais. Tão interligados que até eram dignos de roteiro da novela das 20h.
Coisa boa a vida naquela cidade, coisa boa os encontros naquela praça, coisa boa aquela gente falando bem ou falando mal que se encontrava todo dia no único, maior e mais credível noticiário veiculado na cidade.

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