Pular para o conteúdo principal

Pílulas de reflexão

Sobre Caio F.

Assisti umas quatro vezes nessa semana a um documentário (ou melhor, uma entrevista de 40 minutos) de 1994 com o Caio Fernando Abreu e amei. Pra começar, o cara vestia uma camiseta maravilhosa com a pergunta "Why to be NORMAL?" que dispensa maiores divagações e que eu queria muito ter no meu armário. Falou sobre seu processo criativo, sobre literatura num país onde se precisa de feijão e não de escritores, sobre saúde pública e HIV e sobre ele.

Além de ter uma visão da sociedade contemporânea super atual, ele é capaz de te prender absurdamente, a ponto de ficar que nem eu, querendo ver e ouvir várias vezes suas sábias palavras que parecem ser esculpidas. Uma parte interessante do relato é quando ele fala que queria muito escrever sobre vampiros "talvez porque os vampiros sejam uma espécie de anjos do avesso". Lindo não?

Ainda sobre vampiros, falou: "Na vida real existem muitas pessoas vampiras que só tiram a energia dos outros. É preciso tomar cuidado com isso." Pra variar ele tá coberto de razão. Sou mega confusa religiosamente falando, mas se tem uma coisa em que realmente acredito é em energia e em gente capaz de sugá-la fácinho fácinho. Sim Caio, eu tomo cuidado, mas brigada por reforçar o lembrete.

E mesmo gostando tanto de vampiros, se não fosse escritor sabe o que o Caio queria ser? Jardineiro. Lindo!

Engraçado como tudo soa lindo vindo de sua boca. Ser jardineiro é lindo por si só, mas eu achar lindo o fato de um cara achar que os vampiros são anjos do avesso, não é porque sou louca não, é porque ele tem o dom da percepção. São coisas simples que passam despercebidas por nós e passariam a vida inteira se ele não nos mostrasse o outro lado delas. É como se ele virasse todos os quadros da nossa casa de cabeça pra baixo e deixasse a obra muito mais compreensível. Caio era o cara, porque até o feio ele tornava belo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A chata existência dos chatos

Faz tempo que quero escrever sobre pessoas chatas, mas é meio difícil falar sobre elas. É que eu me irrito demais com pessoas chatas. Me irrito justamente porque elas são como são, chatas! Pior que isso, têm chatos que, muitas vezes, são legais e, portanto, você não pode ser estúpido com eles, pois se não, até nos momentos que eles deveriam ser legais, eles vão ser chatos. Complicado não?
Eu, que também devo ser chata pra algumas pessoas, não tolero determinadas chatices. Eu as engulo no osso. Muitas vezes, sou grossa, respondo, dou indiretas, ignoro. Mas o chato pós-graduado não percebe e continua me chateando. Vou dar um exemplo. Sou umas pessoa que detesta ser interrompida em qualquer circunstância (absolutamente qualquer circunstância). Não gosto de ser interrompida no banho, no telefone, quando escrevo, quando leio, quando trabalho e até quando não faço nada. Não gosto que me tirem o foco. Devo admitir que nesse sentido sou egoísta. Sempre acho que o que estou fazendo é mais inter…
Infância roubada

Crianças. Será que ainda existem? Em que momento a infância termina, nos dias de hoje? Eu deixei de ser criança parcialmente aos 12 anos, quando achei que as festinhas com a turma eram bem mais divertidas que as bonecas. Mas eu senti a chegada da adolescência normalmente. Percebi que meus interesses estavam mudando, assim como os da maioria dos meus amigos. Foi um processo natural e saudável. Mesmo virando adolescente nunca deixei de agir feito uma criança boba de vez em quando pra me divertir. O ideal é nunca deixarmos de ser crianças, nem que seja um pouquinho só. Mas esse foi o meu jeito de crescer. A maneira como as crianças crescem agora, é muito diferente.

As meninas largam as bonecas bem antes dos 12. Descobrem que é mais interessante maquiar a si mesmas do que maquiar rostos de plástico; As músicas que escutam não são mais ao estilo Chiquititas, Xuxa ou Balão Mágico. Agora a moda é ouvir Rebeldes (que não são órfãs vestidas de forma comportada, mas sim meninas q…

Gente que sabe escutar o outro

Sempre acreditei no poder da fala. No quanto é importante falarmos sobre aquilo que nos incomoda. Falarmos pros outros - amigos, terapeuta - ou pra quem está nos afetando. Talvez ainda acredite, mas apenas com as pessoas certas.
Gosto de falar naturalmente. Faz parte de mim. Assim como gosto de escrever. Além de escrever crônicas, contos e matérias, escrevo muitos emails. Os emails são as cartas que mando quando preciso conversar com quem não gosta de sentar frente a frente e olhar olho no olho. Não culpo, pois cada um tem suas fraquezas. O problema é que essas pessoas que leem minhas 'cartas' nem sempre respondem e, muito menos, as absorvem - o que é pior que não respondê-las. As que o fazem, respondem tão lindamente (mesmo quando a resposta não é o que eu esperava), que posso dizer que são pessoas raras e especiais, pois me deram 'ouvidos' (olhos) e pediram os meus. Sou grata a elas e guardo esses emails especiais com carinho, pois foram aprendizados pra mim.

Mas não e…