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Tem gente nova nesta Praça

Matéria Publicada no Correio do Povo dia 15/11/2009, no Caderno da Feira, em virtude da Oficina de Jornalismo.

Emancipada, descolada, sincronizada com o universo digital e sem frescura. É assim que o escritor e jornalista Fabrício Carpinejar, 37 anos, descreve a nova geração de autores gaúchos, da qual também fazem parte nomes como Carol Bensimon, Marcelo Spalding, Daniel Galera, Daniel Pelizzari, Altair Martins e Paulo Scott. Uma turma nascida entre os anos 70 e 80 que usa e abusa da Internet para se promover.

Juliane Chaves, 19 anos, estudante, é uma das provas de que o uso do meio digital pode ser uma boa alternativa na hora de conquistar os leitores. Conheceu Carpinejar ao ler um poema dele na Internet. Ficou encantada. A partir dali, passou a lê-lo virtualmente. A designer de 31 anos, Daniela Langer, vê a Web como um espaço democrático, rápido e sem filtros, sendo propício, se bem explorado, para divulgar literatura. Apesar de certo preconceito aos escritores-blogueiros, Carpinejar acredita que a rede pode ser uma boa porta de entrada: ''Não podemos culpar a ferramenta pelo seu uso.''

Apesar de favorável a ideia, Langer, diferente de Juliane, não conheceu Carpinejar nem os demais autores pela Internet. Leitora e escritora, sempre buscou saber o que há de novo na praça, apesar de acreditar que na literatura não existe novo, apenas uma outra visão sobre a mesma coisa. É justamente essa percepção inovadora que diferencia os autores contemporâneos dos demais. A designer destaca algumas características comuns a esta geração como a linguagem pós-moderna, a fugacidade, a instantaneidade e o não comprometimento. Esta mudança no perfil do escritor também é percebida por Carpinejar: ''Interatividade entre artes e música, linguagem e traço mais agressivo são pontos fortes dessa trupe que se diverte falando sério.''

Outro ponto forte dos escritores modernos é a exposição pessoal. Usando recursos tecnológicos como Twitter e blogue, eles se mostram também como indivíduos, o que aguça ainda mais a curiosidade do leitor que se identifica não só com a obra, mas com a personalidade do autor. Conforme Carpinejar, símbolo máximo desse estereótipo de escritor, escrever é uma arte pública e, por isso, essa exposição é bem-vinda.

Se a procura pelos livros dos novos autores ainda é baixa, Carpinejar não pode reclamar das vendas. Cada banca da Feira, segundo seus proprietários, vende em média quatro livros seus por dia. Para ele, isso se deve ao momento, já que está em evidência devido à conquista do Prêmio Jabuti pelo livro de crônicas ''Canalha!'' e outras indicações a prêmios literários.

Carpinejar, como bom frasista, ainda consegue sintetizar o sentimento de sua geração com poucas palavras: ''Talvez a gente não tenha vivido tão intensamente, mas que a gente imaginou, imaginou''.
Link da matéria no site do Correio do Povo:
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/Ano=115&Numero=46&Caderno=0&Noticia=56687

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