1 de fev de 2010

Uma vida. Um sonho.



Sexta-Feira, dia 29/01/2010, faleceu minha cadelinha Duda, que iria completar 11 anos no dia 13/02. Nem preciso falar do quão triste foi meu fim de semana. Meu e de toda minha família, principalmente da minha mãe. Mas se você que está me lendo agora não gosta de cachorros ou apenas simpatiza com eles, ou ainda acha que eles são apenas bichinhos de estimação, é melhor ir parando por aqui. É porque quem está escrevendo aqui não pensa dessa forma e até desdenha esse pensamento alheio, com todo respeito, é claro, pois cada um é cada um.

Eu sei também que é meio lugar comum dizer que a Duda era diferente dos outros cachorros, pois todo dono dirá isso do seu animal, mas não me importo, o texto é meu e eu escrevo o que me der vontade e aquilo em que acredito, certo? Pois bem, como eu ia dizendo, ela era diferente sim, e como! Ela era uma poodle, mini, micro, sei lá, que nasceu pequena, enfim... era abricót e dona do fucinho rosa com preto mais fofo que já vi. Linda e dócil. Ela era diferente a começar porque despertava afeição em pessoas que nunca foram muito fãs dos poodles. Fãs da Duda, ao menos, se tornavam. Era carinhosa, meiga, delicada, quieta e inteligente. Por que as pessoas gostavam dela? Ora, justamente porque era diferente dos outros cães dessa raça. Enquanto os outros não paravam quietos um minuto sendo extremamente agitados e infantis, ela era quieta e adulta (desde pequena).

Na nossa família ninguém a considerava um cão qualquer, ela era da família mesmo, dormia nas camas com a gente (no inverno, inclusive, de baixo do edredom e dividindo o travesseiro com a gente), ia pro banho fazer uma "sauninha", pra praia, pras festas de família e amigos (onde todos amavam cães e também levavam os seus), estava presente em todas as viagens, muitas vezes sentava à mesa - ou numa cadeira sozinha ou no colo da mãe - esperando tirar uma lasquinha do nosso almoço, mas sempre de forma bem educada, sem jamais avançar sobre a comida. Ah, desculpa. Tá com nojo? Achando tudo isso um absurdo? Azar o seu! Eu disse pra parar de ler! Continuando... O que eu mais gostava era de beijar o fuço e as patinhas dela (patinhas que inclusive estão tatuadas no meu pulso pra que eu nunca esqueça dela). Realmente não quero esquecer a sensação gelada do fucinho nem o cheirinho das patas da princesinha da nossa casa.

Ai... Coisa boa era ser recepcionada por ela, que faceira já pedia uma atenção. Ela era muito sincera, pois mostrava direitinho suas preferências. Nunca escondeu que minha mãe sempre foi a primeira da lista! Nos últimos meses então, quando ficou mais doentinha, só se sentia segura se minha mãe estivesse por perto. Passear sozinha comigo? Nem pensar. Pedia pra voltar pra casa pra ficar com a mãe. É, eu sei, sou meio estabanada mesmo, entendo o fato de ela não se sentir segura comigo. Dormir, ela preferia ou grudada na minha mãe ou na caminha dela no quarto do meu irmão. Comer, só dando na boca, isso bem antes de adoecer, só porque era mimada mesmo. Em Porto Alegre ia do meu apartamento pro do meu vô sempre que a porta estivesse aberta. Fugir não! Ia apenas visitar os parentes e depois voltava. Da rua ela só gostava se fosse acompanhada. Na praia a mesma coisa. Do meu apartamento ia pro apartamento da Tia Cléo (amiga da família e vizinha), assim como o gato dela faz indo nos visitar no nosso. Quando ia pra beira da praia ficava de baixo das cadeiras curtindo a sombrinha sem reclamar nem latir quando outro cachorro maluco passasse enlouquecido querendo ela. Falando em outros cachorros, não era muito chegada não, dava uma cheiradinha, duas e deu, já tava bom.

Sabia direitinho quando alguém estava triste lá em casa. Ficava grudada na pessoa, ainda mais se esta estivesse chorando. Se estavam felizes, ela também estava. Ela era a alegria da casa, o consolo, a felicidade. Já perdi as contas de quantos "te amos" eu dizia pra ela por dia. De quantos beijos, abraços e apertões eu dava. De quantos elogios eu fazia.

Depois que ela morreu que eu e minha mãe percebemos o quanto ela havia mudado e não enxergamos, ou fingimos não enxergar por receio. Quando eu estava passando pela calçada em frente ao meu bloco, a Duda já começava a latir, então a mãe abria a porta e deixava ela correr pelo longo corredor pra me encontrar. Há tempos já não corria, apesar de ter o feito depois de muito tempo esses dias, mas ter ido bem devargazinho. Há tempos ela não subia na mesa pra "almoçar". Há tempos também não subia nas camas pra dormir. Se mantinha mais tempo escondida em cantos da casa do que com a gente. Parecia querer esconder o sofrimento pra não nos entristecer. Quando eu pegava a coleira sempre era a maior festa, mas, nos últimos tempos, a festa era bem mais contida. Os latidos quando ouvia o motor do carro ou nossos passos na calçada já haviam cessado e não havíamos nos dado conta. Não por desatenção, mas por medo de enxergar de frente que ela já era velhinha, apesar de sempre ter tido essa aparência de bebê.

O amor que nós sentíamos (e continuaremos sentindo) por ela não tem como explicar; eu posso escrever um livro inteiro que não vai ser o suficiente, isso porque como meu pai definiu muito bem "cachorros NÃO são que nem pessoas, pois eles NÃO têm defeitos". A dor da minha mãe, com certeza, é maior que a minha e isso ficou mais que evidente no dia da morte dela, onde o choque com a reação da minha mãe assim como com a morte totalmente inesperada me fez guardar o choro por um bom tempo, choro que agora se manifesta quando fico quieta em silêncio e lembro dela. Me envergonho de não ter chorado na hora. Vai que a Duda estivesse vendo. Mas agora as lágrimas por ela são meu escudo. Sempre que algo ruim ou besta me vier a cabeça vou lembrar dela e transferir meu choro por algo que realmente valha a pena, ELA.

A pena é eu não acreditar em algo ainda. Ficaria bem mais aliviada se soubesse que ela está bem em algum lugar com alguém legal. Mas não tenho essas respostas. Pedi elas em sonho, mas não tive. Enquanto isso, a morte vai continuar a me intrigar e eu vou continuar a não aceitá-la. Por que nos dão a vida se nos tiram ela assim, tão de repente, nos momentos em que estamos mais vulneráveis e precisando do que aquela pessoa/animal, nos transmite? Se a vida acaba quando morremos, ela não faz o menor sentido. Prefiro acreditar que ela continua, mas queria saber como... Sonhei com a morte da Duda, o motivo foi quase o mesmo, dois dias antes. Se o sonho me disse o que ia acontecer ele pode me dizer o que aconteceu também. Eu não posso pedir ela de volta, apesar de o desejar muito, mas será que posso pedir um sonho? Pra quem pedir não sei. Só sei que eu queria apenas um sonho, um sonho muito bom e real.
Eu te amo
Porque mesmo eu estando triste, ao te ver passo a sorrir
Eu te amo
Porque a tua alegria é a minha

Eu te amo

Porque a tua existência me faz feliz

Eu te amo

Porque contigo nunca estou sozinha

Eu te amo

Porque o único momento que me doeu ao teu lado foi te ver partir

Eu te amo

Porque ter tua vida fez ter valido a pena viver a minha


2 comentários:

  1. Emocionante...principalmente para quem conheceu, viveu e conviveu com aquele pequeno exemplo do grande amor de Deus em forma de cachorro...

    Ela era a nossa (digo nossa com toda a liberdade do mundo) amiga, mascote, companheira. Esteve na minha casa em muitos momentos e também me fez compania (boba eu que achava que fazia compania pra ela...)

    Ela era especial, não há dúvidas. Conquistava o coração mais turrão.

    Era amiga, e não sei quem não foi amigo dela.

    Fazia parte de um bem comum muito maior.

    Prefiro crer que este foi o "até logo". Eu acredito em Deus, em Jesus e na promessa que Ele me fez que vai preparar um lugar lá no céu pra mim. Lá vai estar a Dudinha e eu vou poder abraçá-la novamente como sempre fazia quando a via.

    Tenho uma amiga que tem uma teoria teológica que no céu os animais falarão - eu adorarei conversar com ela sobre os momentos legais em que ela esteve presente.

    E mesmo pra quem não acredita em nada, posso atestar algo: ele fez a diferença aqui na minha vida; neste momento corpóreo em que vivemos, ela deixou a sua marca.

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  2. Tássia, não sei se tu gosta, mas indiquei teu blog para receber um selinho. É só passar lá no meu e pegar.

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