22 de jul de 2010

Implicante, mas insistente

Há uns três anos, eu costumava ler todos os dias a coluna do Paulo Sant'Ana na Zero Hora. E adorava. Tanto que até comprei, em uma das Feiras do Livro de Porto Alegre, sua obra "O melhor de mim". Ótima, por sinal. Entretanto, bastou eu ler as últimas páginas do livro e voltar às últimas páginas do jornal pra deixar de apreciar os textos do bom e velho jornalista. Parecia-me que as últimas preciosidades do escritor-jornalista haviam sucumbido naquele livro, e que do jornal não sairiam coisas melhores do que as que li naquelas folhas. E acertei.

Daquele momento em diante, peguei uma fase ruim do jornalista. Fase que ainda não acabou, a propósito. É que ele ficou doente (fase ruim 1). E por causa disso passou a escrever apenas sobre suas consultas médicas e seus respectivos diagnósticos (fase ruim 2). Quando o assunto não era sua saúde, a coluna virava uma espécie de tribuna na qual ele reproduzia cartas inteiras de seus leitores reclamando de algum problema social através da descrição de situações pessoais (fase ruim 3). Ainda por cima, não complementava a carta com seu comentário, o mínimo que se espe
rava de um bom colunista. Noutras vezes, diante da falta de assunto que deve afligir muitos colunistas diários, aumentava a fonte e arriscava um poema (fase ruim 4). Ou pior, comentava jogos do Grêmio (fase ruim 5 - e olha que sou Gremista). E foi por conta dessas coisas que fui desencantando. Falei no passado, mas o presente não mudou muito, só pelos títulos que vejo nas colunas já tenho passado longe delas.

Esse meu triste fim de relacionamento com Pablo, entretanto, foi posterior ao meu rompimento com Luis Fernando Veríssimo. Deste li muitos livros, até me deparar com algumas narrativas de suas aventuras por lugares do globo que desconheço. Tanto livros como crônicas sobre suas viagens ao exterior, coincidentemente, vieram parar nas minhas mãos ao mesmo tempo. Peguei implicância com o exibicionismo dele e o risquei da minha lista de favoritos.

Mas o mais recente término foi o que tive com David Coimbra. Comecei me irritando com suas crônicas machistas, ainda mais as que eram ilustradas com mulheres semi-nuas nas páginas de esportes. Daí para as crônicas estilo jornalista-metido-a-historiador nas mesmas páginas. E o golpe fatal foi quando ele escreveu uma crônica a favor da queda do diploma de Jornalista. Fim da picada. Fim de caso.

Mas a grande verdade por trás desses três relacionamentos tensos foi que, até hoje, minha história com esses homens não acabou. Volta e meia rola um "remember". Mas
por que não acabo de vez com esse sofrimento e viro a página de vez? É que sou que nem aquela ex-namorada que fuça no Orkut do ex só pra ver se ele melhorou, se está mais feio, mais bonito, com uma namorada melhor ou pior. É mais ou menos isso, subtraindo o ciúme, que não é meu caso. Eu leio mesmo sem gostar, antes de mais nada, porque não posso criticar aquilo que desconheço. É como aquela pessoa que fala mal do BBB sem nunca ter visto o programa.

Se é pra falar mal, que seja de um jeito bonito, típico de advogados, ou seja, com bons argumentos. Leio pra afirmar minha posição de que fulano continua ruim. Assim não corro o risco de estar criticando o cara sem ter razão, visto que ele pode ter dado uma baita reviravolta sem eu nem saber por pura resistência. Mas assim como a garota que fuça o Orkut, também olho os textos porque tenho esperança de que eles vão melhorar e honrar suas posições. A de bom jornalista e de ex-namorado bonito devido ao bom gosto da ex. Porque sabe como é, sou brasileira, e brasileiro não desiste nunca.

Um comentário:

  1. Olá!
    Conheci você através do blog SUSPIROS, da minha amiga Bruna. Costumo sempre dar uma olhada em quem meus amigos tem de amigos, pois sempre se encontram pedras raras. Com você não foi diferente. Eu amo língua portuguesa e adoro uma boa argumentação. Seu texto é claro, firme (mostra sua posição) e é apaixonante na construção. Parabéns. Virei seu seguidor.
    Abraço.

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