5 de set de 2010

Mais que mil palavras...


O mundo retratado nos jornais não é o mesmo em que vivemos. Pelo menos não parece. Sabemos da incidência de várias barbáries, entretanto, não atestamos sua veracidade através da absorção de imagens jornalísticas relacionadas. Imagens estas que deveriam prestar-nos este serviço de compromisso com a verdade. Estamos em guerra, mas não vemos as fotos do sofrimento que ela causa, tal como soldados mortos e feridos, famílias angustiadas, civis desassistidos e cidades em ruínas, conforme já disse Voltaire Schilling em seu artigo A Grande Camuflagem (ZH - 08/08/10).
Mas este é só um exemplo dentre tantas tragédias ocultadas imageticamente como as guerras civis, a violência urbana, a miséria e outros. Diante deste atual cenário, até é possível entender os motivos que levam as autoridades a não divulgar tais fotos. O que é difícil compreender é por que tantas pessoas comuns são resistentes à divulgação dessas fotos na mídia impressa. Seria o medo da verdade? Ou o medo do trauma que esses retratos podem gerar? Estranho, pois são raras as crianças que leem jornais. Estas sim poderiam ficar traumatizadas com tais imagens, porque não as compreendem. Não que não sejam chocantes para um adulto, mas não é possível que jovens e adultos, bem instruídos, público-alvo da maioria dos jornais, se traumatizem com a exposição sem máscaras da realidade. Afinal, não é a verdade que estes leitores buscam? Então quem são essas pessoas que buscam se enganar enquanto leem?
Pelo que lembro das minhas aulas de fotografia da faculdade, "uma imagem fala mais que mil palavras". Atualmente, porém, essa frase não corresponde à realidade da mídia impressa. Conforme Schilling, a mídia corporativa dos EUA se aliou ao Estado "no sentido de não excitar a opinião pública interna contra a continuidade da guerra". Ok, mas e quanto à nossa guerra civil, das favelas paulistas e cariocas principalmente? Qual o problema com a omissão de seus registros fotográficos?
Obviamente a crítica não é para os fotojornalistas e jornalistas. Certamente, à eles, não falta vontade de registrar a verdade nua e crua e divulgá-la, como ocorria com a insuperável revista Realidade. Deveríamos saber verdade através da maneira mais próxima, apesar de muitas vezes distante, a fotografia. Mas, enquanto isso não acontece, vale lembrar que a ausência de imagens também pode falar mais que mil palavras.

Um comentário:

  1. Na verdade, o que nos vemos na TV já nos choca tanto que quqndo pegamos o jornal damos até graças por poder ler as noticias sem tantas fotos chocantes, que muitas vezes nos tiram a razão de ser e estar no mundo. Bjs

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