22 de jan de 2011

"Cara de quem não entendeu nada"


Você já teve aquela sensação de falar com as paredes? Não falo aqui em falar sozinho, ser ignorado ao não obter uma resposta; é quase isso... Me refiro àquela sensação de falar e não ser compreendido! De expor uma teoria, um conceito, um ponto de vista e ver que a pessoa não entende a sua língua! Ou pior, ver que ela sequer se esforça pra te entender!

Pois é, eu já tive. Várias vezes. E principalmente várias vezes com as mesmas pessoas. Tão estranho isso, afinal, em um dos mundos em que eu vivo, com as pessoas com quem convivo, a grande maioria parece me entender e compartilhar das minhas ideias. Mas, geralmente, as pessoas que eu mais quero que me interpretem são as que não o fazem.

Também, que mania essa minha de pensar demais e tentar fazer com que entendam meus pensamentos através das minhas palavras... Mas sei lá, eu acho que se as pessoas conseguissem me interpretar, elas seriam capazes também de interpretar sua relação comigo. Acredite, não sou enrolada, sou bem direta, mas não adianta, tem gente que só escuta o que quer...

Enfim... depois de algumas coisas que aconteceram na minha vida, me dei conta que talvez as pessoas não sejam tão limitadas quanto eu penso, talvez elas simplesmente não estejam interessadas no que eu penso ou no que eu tenho a dizer. E quando a gente não está interessado, a gente só finge que está e ponto. Como disse a Cláudia Laitano em uma crônica dela "...aprendemos desde muito cedo a fazer as caras que os outros esperam ver em nós - "cara de quem está interessado", "cara de quem está entendendo", "cara de quem concorda muito" e a sempre bem-vinda "cara de fale-me-mais-disso-por-favor".* Agora, pensando bem, vejo como falei sozinha, enquanto meu interlocutor só respondia com um "aham"; aquele "aham" característico de quem ou não entendeu ou não está a fim de entender.

Por muito tempo convivi com alguém que não estava interessado em absolutamente nada da minha vida (e se estava, lamentavelmente, não demonstrava); alguém que se eu não contasse, não me perguntaria como foi meu dia; alguém que não me decifrava, por mais simples que fosse. E hoje vejo que desperdicei uma grande quantia de horas, de voz e de dedicação com alguém tão monossilábico, em vãs tentativas de compreensão... Ainda convivo com pessoas que só se interessam por suas vidas. Mas agora estou bem treinada, simplesmente não falo mais da minha vida, deixo-as falar, afinal, a vida delas é "tãooo legal" e, além do mais, eu aprendi a fazer as "caras de interesse" também!

Engraçado eu reclamar de gente que não me interpreta, afinal, eu também não sou nada boa em interpretações, já que não soube interpretar os sinais de desinteresse dessas pessoas e desistir. Mas agora aprendi! Porque toda e qualquer experiência que se tem na vida é um aprendizado. É tudo uma questão de interpretação!

*(“O que se passa na cabeça dos cachorros, 23/10/10, ZH.)

5 comentários:

  1. Belo post!

    Belo blog!!!

    Gostei muito...

    Parabéns, voltarei aqui mais vezes...

    Convido vc a conhecer meu trabalho (poesia, teatro, música)...

    Ficaria muito feliz!!!

    http://mailsonfurtado.com

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  2. Vc me descreveu pois é assim que eu me sinto? bjssssssssssss

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  3. é...
    compartilhamos o 'pensar demais'.
    principalmente pensar em como dizer, e dizer como se pensou.
    daí a palavra falada pelo nosso próprio cérebro não tem a mesma imagem no cérebro alheio.

    e há o problema dos anencéfalos, mas né, acho melhor deixar os anencéfalos pro tema do aborto.

    (se tu entendeu, bem vinda ao clube)

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