26 de jul de 2011

Céu emocional, inferno criativo




Faz dias que tento concluir algumas de minhas crônicas inacabadas salvas como rascunho no meu blog, no meu e-mail, nos meus cadernos, no meu celular e na minha cabeça. Acabo por colocar as ideias em um parágrafo e não as concluo. Já desconfiava do motivo dessa minha incapacidade momentânea, entretanto, após ler uma frase do político Michel Temer em uma revista, e ainda conversar com uma amiga sobre o assunto, minhas suspeitas se confirmaram.

O problema é que ando muito bem, sem preocupações desnecessárias, estabilizada emocionalmente. Poderia dizer até que estou num momento muito feliz da minha vida. As coisas estão caminhando na direção esperada, apesar de eu sempre desejar mais velocidade pra essa corrida que é minha vida. Apesar da falta daquelas novas surpresas alegres e esperadas que eu desejaria ter quase toda semana, a ausência de más surpresas tornou minha vida satisfatória, o que por um lado é um problema. Calma lá, não estou maluca, é que em se tratando de vida literária o nosso céu emocional pode ser um inferno criativo.


Acredito que pra maioria dos escritores a grande inspiração provém da dor, da tristeza, da angústia... Não sei se isso é cientificamente comprovado, pois tal conclusão tirei dos autores que li com prévio conhecimento de suas biografias e de conversas com aspirantes a escritores como eu. Pra esses e pra mim, escrever é uma catarse. Eu, por exemplo, nunca dei muito certo com diários, então costumo liberar meus fantasmas em crônicas soltas, em contos metade fictícios/metade reais - ou na totalidade de qualquer dos dois. E sem fantasmas me rondando, apesar de eu não ser médium, dificilmente há escritos. Reproduzo aqui o aforismo do já citado Michel Temer que sintetiza o que estou escrevendo: "Lamentavelmente, tudo anda bem. Por isso, andam mal os meus escritos".


Tentei escrever sobre o meu momento "so happy", mas soa tão adolescente que não consegui. Como aspirante a jornalista, o mal é quase o mesmo. Escrever notícias felizes não rende tanto quanto escrever notícias tristes, por mais que desejemos noticiar apenas coisas boas. É, a arte de escrever é cruel, o estado de espírito em que desejamos escrever vai na contramão do mais inspirador. Já diz o ditado com o qual não ouso concordar de forma generalizada, mas que, em parte, relacionado à literatura essencialmente, se aplica: “há males que vem para o bem”.


De qualquer forma, minha luta continuará, porque não pretendo encontrar uma dor só pra me curar da ausência de inspiração pra escrita. Minha resistência já rendeu um texto, este. Portanto, sigo empreendendo esforços pra manter meu bem estar e mesmo assim meus bons escritos. Essa é apenas a primeira rua do que espero que seja um longo trajeto.

Um comentário:

  1. Amiga, acho que tens razão. Tenho exatamente esta sensação. Eu escrevia um monte antes, mas parece que minha criatividade sumiu..hehe

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