11 de ago de 2011

Papo de mulherzinha ou “vamos ao que interessa?”


São 10h18 da manhã de uma quarta-feira. Estou no trabalho, e minhas colegas estão falando sobre como as flores alegram um ambiente e sobre receitas de comida. Coloco meus fones de ouvido, olho pro meu colega sentado ao meu lado e digo: “Eu não quero ficar assim”. Ele começa a rir e entende do que estou falando, pois diz algo como: “Tô ficando preocupado, pois acho que tu é a mulher perfeita”. Mais risadas. Nada pessoal, mas assuntos muito triviais e/ou femininos não são meu forte.

Não sei o que acontece comigo. Às vezes eu queria ser um pouco mais menininha, sabe? Mas mesmo que eu me esforce, não consigo. A receita da comida não me interessa e sim o gosto dela. As flores são lindas e perfumadas, é claro, mas o que alegra mesmo os ambientes são as pessoas. Ou seja, mesmo que eu trabalhe num escritório sem uma florzinha (como já trabalhei), se as pessoas forem alto astral, o ambiente será alegre. Mas tá, ando numa fase chata mesmo. Estou implicando com qualquer assunto. Mas atenção, ando implicando com os assuntos, não com as pessoas, que fique bem claro.

Sei lá, não é sempre, ou melhor, quase nunca, que tenho paciência pra assuntos femininos e triviais. Falando em flores, vi que a plantinha - que não sei que planta é - que fica em cima da minha mesa está sem água. Coitada, deve estar sem água há uma semana. Ok, coloquei muita água agora. Isso já é pecado, eu sei. Agora parei pra olhar um pouco pra ela. O sol está iluminando ela. E a mim também. Estamos lindas e iluminadas e alegres. Ponto. Sem mais blá bla blá sobre plantas. E quanto à comida... Já estou pensando no que vai ter de bom no almoço. É que comer é bom pra caralho (pra caralho é coisa de homem, né? Melhor não falar mais assim...), mas cozinhar é uma merda. Eu odeio cozinhar. Eu curto comer. Curto comer horrores. Sou fã de fogões. Desde que eu fique bem longe deles.

Falando em papinho feminino, ontem fiquei até às 23h30 num atelier ajudando uma amiga a escolher o vestido de formatura dela. Afinal, também tenho coração e sou bem feminina (nos fins de semana quando tenho mais tempo pra me arrumar), e vestidos de formatura são sempre um desafio pras mulheres, por mais “ogras” que elas possam ser. Acontece que a maioria dos vestidos que ela provava eu dizia “não, nem pensar”, ou “seria lindo se não tivesse essa flor”. De novo as flores. Por que mulher tem mania de colocar uns enfeites bagaceiros com flores na roupa ou usar cores fofas como lilás ou rosa bebê? Tá, já chega, isso é o máximo que consigo chegar nos papinhos femininos: vestidos de formatura. É que perder horas falando sobre a roupa me dá uma agonia.

Por falar em agonia, descobri que tenho um problema muito esquisito. Ando no auge da minha impaciência e objetividade. Não suporto mais rodeios e assuntos longos. Brevidade. O mundo é breve. A vida é breve. Tempo é dinheiro. Vamos agilizar, né?

O problema não é só a impaciência. Mas contando aqui acho que ninguém vai entender. Acontece que quando vou me irritando com alguma enrolação vou ficando tão, mas tão irritada, que pra não gritar o que fica guardado dentro de mim vira uma espécie de falta de ar. Água, preciso de água! Por que, meu Deus, que as pessoas não decidem rápido? Por que elas não botam a mão na massa? Desculpem, mas ultimamente minha vida inteira se resume ao “vamos ao que interessa”.

Bom, isso foi só um desabafo sem sentido. É que sabe como é, eu me sinto tão sem ar às vezes que pra respirar preciso escrever. E de pensar que todo esse bla blá blá começou porque eu cheguei a conclusão de que gostaria de começar o dia de trabalho falando sobre futebol ao invés de rosas e receitas... Afinal, por mais que meu time esteja uma merda, nem tudo são flores. E aí lembrei que o único guri do meu trabalho não gosta de futebol e tive que ficar na companhia dos meus fones de ouvido. É, algo está muito errado. Uma mulher que gosta de futebol e um homem que pergunta quem é o Miralles...

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