Pular para o conteúdo principal

Papo de mulherzinha ou “vamos ao que interessa?”


São 10h18 da manhã de uma quarta-feira. Estou no trabalho, e minhas colegas estão falando sobre como as flores alegram um ambiente e sobre receitas de comida. Coloco meus fones de ouvido, olho pro meu colega sentado ao meu lado e digo: “Eu não quero ficar assim”. Ele começa a rir e entende do que estou falando, pois diz algo como: “Tô ficando preocupado, pois acho que tu é a mulher perfeita”. Mais risadas. Nada pessoal, mas assuntos muito triviais e/ou femininos não são meu forte.

Não sei o que acontece comigo. Às vezes eu queria ser um pouco mais menininha, sabe? Mas mesmo que eu me esforce, não consigo. A receita da comida não me interessa e sim o gosto dela. As flores são lindas e perfumadas, é claro, mas o que alegra mesmo os ambientes são as pessoas. Ou seja, mesmo que eu trabalhe num escritório sem uma florzinha (como já trabalhei), se as pessoas forem alto astral, o ambiente será alegre. Mas tá, ando numa fase chata mesmo. Estou implicando com qualquer assunto. Mas atenção, ando implicando com os assuntos, não com as pessoas, que fique bem claro.

Sei lá, não é sempre, ou melhor, quase nunca, que tenho paciência pra assuntos femininos e triviais. Falando em flores, vi que a plantinha - que não sei que planta é - que fica em cima da minha mesa está sem água. Coitada, deve estar sem água há uma semana. Ok, coloquei muita água agora. Isso já é pecado, eu sei. Agora parei pra olhar um pouco pra ela. O sol está iluminando ela. E a mim também. Estamos lindas e iluminadas e alegres. Ponto. Sem mais blá bla blá sobre plantas. E quanto à comida... Já estou pensando no que vai ter de bom no almoço. É que comer é bom pra caralho (pra caralho é coisa de homem, né? Melhor não falar mais assim...), mas cozinhar é uma merda. Eu odeio cozinhar. Eu curto comer. Curto comer horrores. Sou fã de fogões. Desde que eu fique bem longe deles.

Falando em papinho feminino, ontem fiquei até às 23h30 num atelier ajudando uma amiga a escolher o vestido de formatura dela. Afinal, também tenho coração e sou bem feminina (nos fins de semana quando tenho mais tempo pra me arrumar), e vestidos de formatura são sempre um desafio pras mulheres, por mais “ogras” que elas possam ser. Acontece que a maioria dos vestidos que ela provava eu dizia “não, nem pensar”, ou “seria lindo se não tivesse essa flor”. De novo as flores. Por que mulher tem mania de colocar uns enfeites bagaceiros com flores na roupa ou usar cores fofas como lilás ou rosa bebê? Tá, já chega, isso é o máximo que consigo chegar nos papinhos femininos: vestidos de formatura. É que perder horas falando sobre a roupa me dá uma agonia.

Por falar em agonia, descobri que tenho um problema muito esquisito. Ando no auge da minha impaciência e objetividade. Não suporto mais rodeios e assuntos longos. Brevidade. O mundo é breve. A vida é breve. Tempo é dinheiro. Vamos agilizar, né?

O problema não é só a impaciência. Mas contando aqui acho que ninguém vai entender. Acontece que quando vou me irritando com alguma enrolação vou ficando tão, mas tão irritada, que pra não gritar o que fica guardado dentro de mim vira uma espécie de falta de ar. Água, preciso de água! Por que, meu Deus, que as pessoas não decidem rápido? Por que elas não botam a mão na massa? Desculpem, mas ultimamente minha vida inteira se resume ao “vamos ao que interessa”.

Bom, isso foi só um desabafo sem sentido. É que sabe como é, eu me sinto tão sem ar às vezes que pra respirar preciso escrever. E de pensar que todo esse bla blá blá começou porque eu cheguei a conclusão de que gostaria de começar o dia de trabalho falando sobre futebol ao invés de rosas e receitas... Afinal, por mais que meu time esteja uma merda, nem tudo são flores. E aí lembrei que o único guri do meu trabalho não gosta de futebol e tive que ficar na companhia dos meus fones de ouvido. É, algo está muito errado. Uma mulher que gosta de futebol e um homem que pergunta quem é o Miralles...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A chata existência dos chatos

Faz tempo que quero escrever sobre pessoas chatas, mas é meio difícil falar sobre elas. É que eu me irrito demais com pessoas chatas. Me irrito justamente porque elas são como são, chatas! Pior que isso, têm chatos que, muitas vezes, são legais e, portanto, você não pode ser estúpido com eles, pois se não, até nos momentos que eles deveriam ser legais, eles vão ser chatos. Complicado não?
Eu, que também devo ser chata pra algumas pessoas, não tolero determinadas chatices. Eu as engulo no osso. Muitas vezes, sou grossa, respondo, dou indiretas, ignoro. Mas o chato pós-graduado não percebe e continua me chateando. Vou dar um exemplo. Sou umas pessoa que detesta ser interrompida em qualquer circunstância (absolutamente qualquer circunstância). Não gosto de ser interrompida no banho, no telefone, quando escrevo, quando leio, quando trabalho e até quando não faço nada. Não gosto que me tirem o foco. Devo admitir que nesse sentido sou egoísta. Sempre acho que o que estou fazendo é mais inter…

O tempo passa, o tempo voa...

"Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem, pode nem chegar." A Pitty falou tudo né? Quem sabe o dia de amanhã? Deus? Talvez. Não sou exemplo de organização, mas sempre procuro diminuir ao máximo minhas pendências. Só durmo se estou caindo de sono mesmo. Pois se ainda sou capaz de pensar, ainda sou capaz de fazer o que tenho pra fazer. As olheiras que se danem. Nem as disfarço (tenho preguiça).

Carrego sempre comigo um bloquinho de notas (cafonérrimo, a propósito). Nele vão tarefas que tenho que cumprir, trabalhos a fazer, lembretes, dicas de filmes e livros que recebo e, acima de tudo, idéias, muitas idéias. Deixar pra depois faz com que eu fique sobrecarregada, me estresse e acabe desistindo de muitas coisas. Por isso, me dedico muito aos meus "deveres" que eu mesma me imponho e vou riscando eles do bloquinho conforme vou cumprindo-os. Posso ter preguiça de lavar louça, mas meus textos, trabalhos …
Infância roubada

Crianças. Será que ainda existem? Em que momento a infância termina, nos dias de hoje? Eu deixei de ser criança parcialmente aos 12 anos, quando achei que as festinhas com a turma eram bem mais divertidas que as bonecas. Mas eu senti a chegada da adolescência normalmente. Percebi que meus interesses estavam mudando, assim como os da maioria dos meus amigos. Foi um processo natural e saudável. Mesmo virando adolescente nunca deixei de agir feito uma criança boba de vez em quando pra me divertir. O ideal é nunca deixarmos de ser crianças, nem que seja um pouquinho só. Mas esse foi o meu jeito de crescer. A maneira como as crianças crescem agora, é muito diferente.

As meninas largam as bonecas bem antes dos 12. Descobrem que é mais interessante maquiar a si mesmas do que maquiar rostos de plástico; As músicas que escutam não são mais ao estilo Chiquititas, Xuxa ou Balão Mágico. Agora a moda é ouvir Rebeldes (que não são órfãs vestidas de forma comportada, mas sim meninas q…