Pular para o conteúdo principal

Minhas quatro paredes

Enquanto eu me maquiava no espelho e ouvia Leoni, na pilha pro show de quarta, olhei meu quarto no reflexo... E vi o quanto gosto do meu quarto, do meu espaço, que é tão eu. Cada coisa guardada de forma excessivamente organizada. E a bagunça também no seu devido e espaçoso lugar. O meu lado forte e o meu lado fraco expostos pra mim e pra quem no meu quarto (na minha vida) entrar. Só na escrivaninha está o creme de cabelos cacheados, os porta-copos de alguns bares que ganhei, os incensos do seu José Martines da Cidade Baixa, as mil canetas que não uso, pois mal sei escrever em papel, as velhas fotos e as mil senhas no mural, os porta recados com esboços de ideias e de afazeres, a bolinha pra eu fazer exercícios pra tendinite enquanto leio, o livro que estou lendo ("Contra um mundo melhor: ensaios do afeto" - Pondé), as lembranças da última viagem, a foto dos meus pais, o ingresso do show...

Nos meus pés, o porta-coisas, as havaianas que usei à tarde pra passear na rua, os livros que comprei na Feira ainda na sacola, os tênis de uma caminhada ao sol, os jornais a serem lidos empilhados, e eu em todos os cantos. E agora não mais de frente pro espelho, estou aqui escrevendo enrolada no roupão de cabelos ainda molhados enquanto meus amigos já me esperam pra sairmos rumo à lugar nenhum. Essa sou eu. O caos sob controle. E a minha bicicleta tá me olhando e me esperando pra um domingo ao sol atravessando a cidade pela Salvador França sentindo a liberdade de ser quem eu sou. Hoje é sábado. Não toque em nada. Tudo está como devia estar.

E agora já é domingo, e entrei no blog e vi que meu post não tinha sido publicado, e agora o caos já está excessivamente no seu lugar e o quarto voltou a ser impecável. Porque eu aprecio a bagunça justamente pra arrumar depois e ver que, sim, eu sei me salvar do caos em que eu me coloco. E logo mais, depois de 'relaxar' assistindo ao grenal, meu ciclo reinicia, e tenho certeza de que tudo voltará ao seu devido lugar (fora do lugar).

Comentários

  1. É sempre bom sabermos que somos, ter identidade, uma característica que é tão nossa... Bjus

    http://ere-ge.blogspot.com

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Feedbacks sinceros me interessam. Go ahead!

Postagens mais visitadas deste blog

O tempo passa, o tempo voa...

"Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem, pode nem chegar." A Pitty falou tudo né? Quem sabe o dia de amanhã? Deus? Talvez. Não sou exemplo de organização, mas sempre procuro diminuir ao máximo minhas pendências. Só durmo se estou caindo de sono mesmo. Pois se ainda sou capaz de pensar, ainda sou capaz de fazer o que tenho pra fazer. As olheiras que se danem. Nem as disfarço (tenho preguiça).

Carrego sempre comigo um bloquinho de notas (cafonérrimo, a propósito). Nele vão tarefas que tenho que cumprir, trabalhos a fazer, lembretes, dicas de filmes e livros que recebo e, acima de tudo, idéias, muitas idéias. Deixar pra depois faz com que eu fique sobrecarregada, me estresse e acabe desistindo de muitas coisas. Por isso, me dedico muito aos meus "deveres" que eu mesma me imponho e vou riscando eles do bloquinho conforme vou cumprindo-os. Posso ter preguiça de lavar louça, mas meus textos, trabalhos …

A chata existência dos chatos

Faz tempo que quero escrever sobre pessoas chatas, mas é meio difícil falar sobre elas. É que eu me irrito demais com pessoas chatas. Me irrito justamente porque elas são como são, chatas! Pior que isso, têm chatos que, muitas vezes, são legais e, portanto, você não pode ser estúpido com eles, pois se não, até nos momentos que eles deveriam ser legais, eles vão ser chatos. Complicado não?
Eu, que também devo ser chata pra algumas pessoas, não tolero determinadas chatices. Eu as engulo no osso. Muitas vezes, sou grossa, respondo, dou indiretas, ignoro. Mas o chato pós-graduado não percebe e continua me chateando. Vou dar um exemplo. Sou umas pessoa que detesta ser interrompida em qualquer circunstância (absolutamente qualquer circunstância). Não gosto de ser interrompida no banho, no telefone, quando escrevo, quando leio, quando trabalho e até quando não faço nada. Não gosto que me tirem o foco. Devo admitir que nesse sentido sou egoísta. Sempre acho que o que estou fazendo é mais inter…

Gente que sabe escutar o outro

Sempre acreditei no poder da fala. No quanto é importante falarmos sobre aquilo que nos incomoda. Falarmos pros outros - amigos, terapeuta - ou pra quem está nos afetando. Talvez ainda acredite, mas apenas com as pessoas certas.
Gosto de falar naturalmente. Faz parte de mim. Assim como gosto de escrever. Além de escrever crônicas, contos e matérias, escrevo muitos emails. Os emails são as cartas que mando quando preciso conversar com quem não gosta de sentar frente a frente e olhar olho no olho. Não culpo, pois cada um tem suas fraquezas. O problema é que essas pessoas que leem minhas 'cartas' nem sempre respondem e, muito menos, as absorvem - o que é pior que não respondê-las. As que o fazem, respondem tão lindamente (mesmo quando a resposta não é o que eu esperava), que posso dizer que são pessoas raras e especiais, pois me deram 'ouvidos' (olhos) e pediram os meus. Sou grata a elas e guardo esses emails especiais com carinho, pois foram aprendizados pra mim.

Mas não e…