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Mostrando postagens de Outubro, 2013

O diário

Era quase meia-noite no velório da minha avó paterna, quando a sua cuidadora me perguntou se eu já havia feito o ‘diário’ da minha avó. Que diário? O diário com a história dela e uma mensagem. Demorei a entender. Teu primo disse que estava esperando tu chegar de Porto Alegre pra ti escrever. Tu consegue ler? Não tive muito tempo pra pensar. Só disse 'sim' pras duas perguntas.

E o tal do diário nada mais era que aquela mensagem que alguém lê ao início da missa após o velório e anterior ao funeral. Saí do velório e fui pra casa da vó, agora casa da dinda. Só que na vó não tinha papel nem caneta e, muito menos, um computador. A cuidadora me trouxe do velório aquele caderninho que fica na porta de entrada e no qual as pessoas que estiveram presentes no local assinam. Peguei as folhas detrás e ali escrevi. Fazia muito tempo que eu não escrevia a mão e sem direito à correção, tendo em vista que só tinha aquela folha. E, enquanto algumas pessoas estavam ao meu redor durante a madrugad…

O maior escritor da vida real

Conheci um homem que vivia doente. Seguidamente ele tinha dores no joelho e nas costas, sem contar os resfriados e enxaquecas. Havia dias em que estava muito bem disposto, noutros mal levantava da cama. Mas o maior problema desse homem não era sua saúde, e sim a escolha que ele fez. Entre os dias bons e ruins, ele optou pelos ruins. Pensou que o esforço em cuidar do seu corpo não compensava, tendo em vista que as dores sempre voltavam cedo ou tarde. Esqueceu-se ele que nos dias em que caminhava, se exercitava, tomava sol e os remédios, sentia-se bem. Decidiu não perder tempo cuidando da saúde e o perdeu cuidando da doença. 
Também conheci um adolescente que estava sempre em depressão. Ele dizia que não tinha amigos e que ninguém gostava dele. Mas no passado, contou-me ele, era cercado de amigos, pois costumava pertencer a grupos como a galera do vôlei, os colegas da faculdade, a turma da praia, os colegas de trabalho. Ele abandonou os grupos, mas preferiu acreditar que foram os grupos …

Náusea

Ultimamente, tenho tido a frequente sensação de náusea. Não a náusea física. A náusea psicológica, que é a definição que mais se aproxima da sensação que tenho tido em relação a situações e pessoas. De acordo com a wikipedia, náusea psicológica é a forma da consciência subjetiva de dizer que não aceita aquilo. Vou tentar me explicar. Estou decepcionada. E essa sensação é uma das mais desagradáveis que o ser humano é capaz de sentir. Sentir isso pelo outro pode ser pior do que sentir isso por si mesmo. Isso porque deveria ser o outro aquele que nos inspira, nos motiva, nos alegra, assim como desejamos ser pros outros.

Pois bem, a vida anda me obrigando a conviver com essa sensação. A de aceitar o que há um tempo seria inaceitável e subjetivamente ainda o é. Quando eu desaprovava uma atitude, eu batia o pé, apontava o dedo e tentava mostrar para o outro que ele estava fazendo isso e aquilo errado, assim como algumas pessoas o faziam/fazem comigo. Mas um dia acordei e vi que todo o esforç…