3 de out de 2013

Náusea

Ultimamente, tenho tido a frequente sensação de náusea. Não a náusea física. A náusea psicológica, que é a definição que mais se aproxima da sensação que tenho tido em relação a situações e pessoas. De acordo com a wikipedia, náusea psicológica é a forma da consciência subjetiva de dizer que não aceita aquilo. Vou tentar me explicar. Estou decepcionada. E essa sensação é uma das mais desagradáveis que o ser humano é capaz de sentir. Sentir isso pelo outro pode ser pior do que sentir isso por si mesmo. Isso porque deveria ser o outro aquele que nos inspira, nos motiva, nos alegra, assim como desejamos ser pros outros.

Pois bem, a vida anda me obrigando a conviver com essa sensação. A de aceitar o que há um tempo seria inaceitável e subjetivamente ainda o é. Quando eu desaprovava uma atitude, eu batia o pé, apontava o dedo e tentava mostrar para o outro que ele estava fazendo isso e aquilo errado, assim como algumas pessoas o faziam/fazem comigo. Mas um dia acordei e vi que todo o esforço e cansaço mental que isso gerava era em vão. E aí, 'aceitei'. 'Aceitei' que eu não posso mudar as pessoas e que a falta de mudança delas também não pode fazer com que eu mude, que eu desacredite, que eu perca a fé. É aquela coisa de não poder generalizar. De não poder dizer que nenhum homem presta só porque uns dez foram filhos da puta contigo. Anyway!


Também tem mais uma coisinha que me deixa irada. São as pessoas cujos egos são maiores que elas e que, portanto, apagam o brilho espiritual delas. Sabe aquela pessoa que só olha pro próprio umbigo? Aquela que só acha as coisas que ela mesma faz boas, geniais, sensatas, certas e o car... a quatro. Se não foi ela que disse ou que sugeriu, então não presta. Ou ainda aquela pessoa que sempre quer ter a última palavra de tudo mesmo quando ter a última palavra já não faz mais diferença, pois não vai levar a lugar nenhum. Aquela pessoa tão narcisista que não consegue enxergar nada além da própria imagem no espelho e que acaba ficando só, pois quem a queria bem acaba se afastando por saber que aquele espelho é pequeno demais pra mais uma pessoa. E aí, ela não contempla mais as belezas da vida porque a beleza dela mesmo acaba se tornando mais importante do que a beleza das pessoas e dos atos das pessoas ao redor.

Convivo diariamente com várias características alheias que me deixam nauseada. Comecemos pela hipocrisia. Pra mim é preto no branco. Se você não gosta de determinada pessoa ou de algo, simplesmente evite e não seja mais um que não faz a diferença na vida dela. Você não precisa ser mal educado, só que, POR FAVOR, não seja cínico. Nada me deixa mais enojada do que alguém que fala mal de outra pessoa e depois vai lá e abraça, sorri, tira foto e, pior, se diz amigo. Meu, deixa de ser hipócrita. Ou você decide aceitar a outra pessoa com os defeitos que o irritam ou mantenha distância. Afinal, o que você ganha com essa dissimulação? Nada! So, keep away! Just do it! OBRIGADA!


Outra coisa que me deixa puta é a falta de sensibilidade. Tá, eu sei que não sou sensível e reconheço isso. Mas estou trabalhando duro nisso pra mudar. Eu, ao menos, tô reconhecendo, o que já é um grande passo. As pessoas não se preocupam mais umas com as outras, sabe? Se você não falar que não está legal, ela não saberá e não terá a sensibilidade de perceber caso esteja próxima a você. E ela vai jurar que o errado é você que não falou que estava passando por um momento ruim. Se a pessoa está passando por um momento ruim, ela não está disposta a falar sobre ele. Simples. E se a pessoa não diz, presta atenção no que ela não diz, oras. O silêncio do outro tem muito a dizer. A ausência também. Respeite o silêncio e a ausência e tente identificar o que ele quer te dizer pra ajudar. Esteja disponível pra que estejam disponível pra você. Às vezes essa pessoa também pode e quer muito te ajudar, pois ajudar os outros faz mais bem do que ser ajudado. E ó, POUPEM os ouvidos alheios de discursos como 'E aí? Tá sumido!". Gente, ninguém tá sumido. Todo mundo tem telefone e redes sociais. Se bateu a saudade, é só chamar e marcar um happy. Além do mais, você sempre vai estar sumido pra alguém que não é seu melhor amigo, sua família ou seu namorado. Infelizmente. This is life! Escute, respire, conte até 10 e keep breathing!

E, por último, a coisa que mais mais mais me sufoca, ops, irrita, é quem sufoca! Sabe aquela pessoa dependente, que precisa de você pra tudo? Pois é, talvez seja por isso que a maternidade é um assunto que ainda me assusta. Se já somos cercados por tantos adultos dependentes, imagina então por crianças. Só de pensar que uma criança demanda ainda mais atenção, chego a tremer na base. Eu sei que é intrigante, mas não gosto quando alguém me pede mil favores. E não gosto justamente porque acabo fazendo. Não sei dizer não. O problema é que toda vez que faço um favor pro outro estou o impedindo de aprender a fazer sozinho (claro que há exceções). No fim, não estou ajudando, estou prejudicando. E pior, não estou prejudicando só ele, estou prejudicando a mim mesma, pois gasto meu tempo que poderia ser de lazer e relaxamento com a preocupação de ajudar. E, no fim, olha que irônico, eu me autosufoco.

Enfim, pessoas que fazem julgamentos (como tô fazendo agora) também não são legais. Ou seja, isso que eu tô fazendo aqui não é nada legal, mas eu gosto de ler coisas assim, então talvez alguém goste de ler também. Mas andei pensando que é a partir do julgamento que faço dos outros que posso me julgar também e ver se eu não tenho uma parcela considerável de tudo aquilo que tanto me magoa. E relendo o que escrevi antes de publicar, já identifiquei em mim um pouco de tudo isso. Alguns mais, outros menos. E quando eu vejo que agi de alguma dessas formas, rezo, peço perdão e procuro compensar em novas atitudes, em um novo dia e em um novo eu. Porque todo dia é dia para tentar de novo. Até porque, não temos outra escolha. So, go ahead! 

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