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O maior escritor da vida real

Conheci um homem que vivia doente. Seguidamente ele tinha dores no joelho e nas costas, sem contar os resfriados e enxaquecas. Havia dias em que estava muito bem disposto, noutros mal levantava da cama. Mas o maior problema desse homem não era sua saúde, e sim a escolha que ele fez. Entre os dias bons e ruins, ele optou pelos ruins. Pensou que o esforço em cuidar do seu corpo não compensava, tendo em vista que as dores sempre voltavam cedo ou tarde. Esqueceu-se ele que nos dias em que caminhava, se exercitava, tomava sol e os remédios, sentia-se bem. Decidiu não perder tempo cuidando da saúde e o perdeu cuidando da doença. 

Também conheci um adolescente que estava sempre em depressão. Ele dizia que não tinha amigos e que ninguém gostava dele. Mas no passado, contou-me ele, era cercado de amigos, pois costumava pertencer a grupos como a galera do vôlei, os colegas da faculdade, a turma da praia, os colegas de trabalho. Ele abandonou os grupos, mas preferiu acreditar que foram os grupos e as pessoas que pertenciam a eles que o abandonaram. E assim ele ficou sozinho, por culpa dos outros, conforme ele, sem perceber que a culpa foi toda dele.


Dia desses conheci um trabalhador também. Sua principal reclamação era sua condição social. A palavra pobre vivia saindo da sua boca seja em assuntos sérios ou, mais frequentemente, em brincadeiras. Ele reclamava que não tinha dinheiro. Eu nunca soube ao certo para o quê ele não tinha dinheiro, afinal, eu sempre via ele com algo novo, seja um aparelho eletrônico, uma roupa, um tênis. Para o quê então ele não tinha dinheiro? Talvez para comprar uma casa, um carro. Nesse homem identifiquei dois problemas. Primeiro, que ele não sabia usar o dinheiro dele. Segundo, que apesar de se considerar humilde devido às suas palavras para se referir a ele mesmo, ele não era humilde ao lidar com as pessoas. E assim, ele continuou pobre. Em dobro. Pobre de dinheiro e de espírito.


Há muitos anos conheci um senhor que era muito sonhador. Nunca estava satisfeito com os bens materiais que tinha, apesar de se considerar um homem feliz. Mas ele sempre queria mais e passava a vida trabalhando e inventando coisas para ganhar mais e mais dinheiro. E aí, outros problemas foram surgindo em sua vida. E a cada problema novo ele via apenas uma solução: preciso de dinheiro. E aí, os problemas foram aumentando e o dinheiro diminuindo. A solução dos problemas não era o dinheiro e, a cada vez que eu diminuía o dinheiro dele, eu tentava mostrá-lo isso, mas ele não aprendia.

Também conheci uma moça muito legal, mas cujos olhos estavam sempre vendados. Ela tinha um bom coração e, por isso, atraia muitas pessoas do bem. Era cheia de amigos e de momentos bons, mas o que ela mais queria era crescer. Crescer profissionalmente, crescer no seu relacionamento amoroso, crescer no seu relacionamento familiar. Mas isso não acontecia, apesar de ela achar que estava acontecendo. Isso não acontecia porque ela não olhava com olhos atentos e coração aberto seus principais objetivos. Ela os olhava como negócios a resolver. Negócios que ela sempre deixava pendente por falta de atenção ou falta de confiança em quem podia lhe ajudar. E aí, por achar que todos ao redor não eram bons o suficiente para substitui-la ou ajudá-la, não conseguia crescer, afinal, ninguém cresce sozinho.

E assim fui conhecendo as pessoas e procurando entendê-las e dar à elas o que elas buscavam. Algumas, sem perceber, buscavam a coisa errada, e eu apenas satisfiz seus desejos esperando que elas mesmas percebessem que não era aquilo que buscavam. Algumas não entenderam e nem entenderão tão cedo o que fiz por elas. Meu único desejo era que aprendessem e evoluíssem, mesmo que o caminho fosse torto. Esse sou eu, aquele escritor que todo mundo diz que escreve certo por linhas tortas. 

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