3 de dez de 2013

Gente que sabe escutar o outro

Sempre acreditei no poder da fala. No quanto é importante falarmos sobre aquilo que nos incomoda. Falarmos pros outros - amigos, terapeuta - ou pra quem está nos afetando. Talvez ainda acredite, mas apenas com as pessoas certas.

Gosto de falar naturalmente. Faz parte de mim. Assim como gosto de escrever. Além de escrever crônicas, contos e matérias, escrevo muitos emails. Os emails são as cartas que mando quando preciso conversar com quem não gosta de sentar frente a frente e olhar olho no olho. Não culpo, pois cada um tem suas fraquezas. O problema é que essas pessoas que leem minhas 'cartas' nem sempre respondem e, muito menos, as absorvem - o que é pior que não respondê-las. As que o fazem, respondem tão lindamente (mesmo quando a resposta não é o que eu esperava), que posso dizer que são pessoas raras e especiais, pois me deram 'ouvidos' (olhos) e pediram os meus. Sou grata a elas e guardo esses emails especiais com carinho, pois foram aprendizados pra mim.


Mas não era exatamente sobre isso que eu queria falar aqui. Eu ia falar sobre a fala e o silêncio. Cansei de gastar meu português (porque não sei latim) com quem mal sabe escrevê-lo. Imagina então interpretá-lo. E, assim como eu cansei, imagino quantas pessoas cansaram também. Olhe ao seu redor. Quantos relacionamentos ruins estão baseados no silêncio de uma das partes, ou das duas?

São amigos que já não são tão amigos assim. São pais/ mães e filhos. São irmãos. São colegas de trabalho. São casais de muitos anos (namorados ou casados) que se sujeitam a uma vida a dois em nome dos filhos, da própria convenção social ou do medo da solidão ou da perda. Mas já não estão essas pessoas sozinhas? Já não perderam o outro faz tempo? Ao meu ver, elas estão apenas se iludindo com uma companhia física que não as completa e nem soma.


Seria tão bom se as pessoas falassem. Mas melhor ainda seria se as pessoas ouvissem. Ouvissem até mesmo quando não dizemos nada, até porque o silêncio diz muito. Ouvissem de coração aberto e dissessem 'tu tem razão', ou deixassem claro seu lado da moeda. E após ouvirem, seria bom se tentassem mudar - o que é bem mais importante que apenas ouvir. Mudar por elas e pelos outros. Mudar porque todo mundo precisa mudar. Faz parte da evolução do ser humano. Ou você não quer evoluir? Ser melhor? Se não pelos outros, por você!

Mas não, é mais fácil dizerem que não concordam e depois fazer o que foi aconselhado sem dar os créditos ao conselheiro, pois o ego não dá licença. Ou então dizerem que concordam só pra encerrar a conversa e não brigar. É mais fácil ficar na zona de conforto. Errado! A falta de diálogo é que traz a perda. O falar com as paredes. E nessa de evitar, acaba que a pessoa se afasta, se afasta, e mesmo estando bem pertinho de você, na verdade, ela já partiu faz tempo. E já que você não quis ouvir nunca, ela já nem fez questão de contar que não está mais nem aí pra você.

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