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E virou amizade mesmo quando não era pra ser



Quando pequenas, as crianças costumam pedir um presente especial no seu aniversário. Algo que elas querem mais que tudo.

Talita queria muito um cachorro. Mas muito mesmo. 

Pra cuidar, pra brincar, pra apertar de tão fofo que seria, e pra passear na rua e ver ele sendo feliz. E, assim, ela ficaria feliz com a felicidade dele. 

Na manhã do seu aniversário, seus pais a acordaram pra dar seu presente tão esperado.

Seu presente era um cachorro. Um cachorro de pelúcia. Embalado num papel de presente transparente.

Foi uma das maiores decepções de todos os seus sete anos de vida. Adultos, às vezes, são tão insensíveis, pensava ela.

Como ela levaria ele pra passear? Só no colo e, mesmo assim, seus amiguinhos iriam rir dela. E brincar? Ele não latia, não corria, não lambia. Ela só podia afofar sua fofura e cuidar como cuidava das bonecas.

Talita cresceu e ganhou um cachorro. E depois outro. E mais outro. Amou todos. De verdade.

Mas aquele cão de pelúcia ainda dormia na cama ao seu lado. Ela bem abraçada nele e ele com o fuço peludo no rosto dela.

Ela não gostava de dormir sozinha desde que o cachorro entrou na sua vida. Ela não tinha raiva dele. Ela amava ele. Porque ela queria muito um cachorro de verdade. E ele queria muito ser um cachorro de verdade.

Os dois eram vítimas de um sonho não realizado. Eram, portanto, iguais. E juntos, não estavam mais sozinhos e nem tristes. Eram amigos. E amigos, só fazem bem um ao outro, não importa o tipo de amizade.

Talita não é mais menina. Talita é mulher. E o seu cãozinho, só sai de cena quando o seu namorado pede licença. E, mesmo assim, tem dias que Talita ainda troca o abraço do namorado pelo abraço do cachorro.

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