9 de jun de 2015

O que as mulheres precisam aprender com os homens no trabalho


Sabemos do potencial das mulheres e do quanto merecem conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Inclusive, meu papel como mulher que dá o sangue no trabalho é defender o nosso talento e o quanto fazemos a diferença numa empresa. Somos criativas, inteligentes, ousadas, organizadas e etc. Contudo, também podemos ser uma pedra no sapato, prejudicando a produtividade de uma organização. Sou mulher e, portanto, tenho permissão para falar “mal” de mulher também. Por isso, posso dizer que, assim como somamos no trabalho, também podemos subtrair. E este texto nada mais é que um convite à reflexão e à humildade. A partir dele, espero que a gente se observe mais e peça licença ao nosso orgulho feminino para reconhecer que os homens têm muito a nos ensinar também. Mas atenção, aviso aos críticos, este texto é uma generalização. Sendo assim, se você não aceita isso, melhor parar de ler por aqui.

Desde que comecei a trabalhar, aos meus 17 anos, percebi minha tendência a preferir trabalhar com homens. Isso porque, na maioria dos casos, eles não se deixam contaminar por picuinhas, fofocas, mimimis e não ficam martelando em cima do problema. No geral, as mulheres não são tão boas quanto os homens para controlar as emoções. Para elas, uma crítica nem sempre é tão facilmente absorvida como é pelos homens.

Já vi tantas cenas de mulheres que se sentiram ofendidas, que pude perceber que elas nem ouviam mais o feedback, apenas contavam até mil mentalmente para não explodir. Os homens, por sua vez, conseguem ouvir a crítica e ir lá fazer melhor sem sofrer ou relutar tanto. Reclamam em silêncio para sua consciência, xingando a mãe do chefe e, depois, voltam para a mesa e executam a tarefa ou melhoram seu desempenho. Se as mulheres podem reagir mal a uma crítica, imagine em situações de alta pressão. Nesses casos, já vi lágrimas correndo de seus olhos.

O estresse pode gerar situações vergonhosas para nós mulheres, fato. Ou elas se exaltam para dizer que não dão conta ou choram, enquanto os homens dizem que não dá, racionalmente, pedem um assistente ou um aumento. Mas ok, isso também se deve ao fato de que nós, mulheres, somos perfeccionistas e queremos sempre fazer o melhor e provar que somos capazes – até quando não somos. Afinal, não somos nós que gerenciamos família, casa, trabalho, amigos, e demais compromissos pessoais, ora bolas?!

Além desse fator emocional, também existe a questão do trabalho em equipe. Homens e mulheres, ao meu ver, têm a mesma capacidade de construir relacionamentos. Entretanto, as mulheres, muitas vezes, confundem bons relacionamentos com panelinhas de amigas. Elas se esquecem de que, antes de mais nada, são todas colegas de trabalho. E então elas se deixam mover pela emoção e fazem a gestão de pessoas baseada no afetivo. Demite fulano porque ele fez assim, promove fulana porque ela faz assado, e assim ficam defendendo os seus filhotes como uma mãe cega aos erros dos seus rebentos. E, consequentemente, se esquecem de defender a empresa.

Tem mais: mulheres tendem a fazer fofoca. É da natureza delas. E aí, geralmente, aquelas que não entram no jogo, acabam indo para o paredão. É tipo um Big Brother: mulheres práticas, que focam no resultado, nem sempre têm vez! Afinal, você já viu a mulher que cozinha, limpa a casa, ajuda todos e vai bem nas provas de resistência ganhando o BBB? Já vi uma colega trabalhando pela outra para que uma não fosse demitida e também vi colegas mudando de setor porque não conseguiam trabalhar juntas. Ah, mulheres!

Os homens têm uma característica que adoro e que, para mim, são a base de tudo, tanto que me policio ao máximo para imitá-los nesse ponto: são objetivos. A praticidade masculina me encanta. Se um funcionário diz que vai ficar ruim e começa a missa, o gestor diz para melhorar e amém. Se outro diz que a equipe vai nadar para morrer na praia, o líder diz que é melhor morrer tentando do que se deixar levar pela onda. Homem foca na solução e não no problema. Tive um chefe assim que para mim era exemplo. Nunca tive problemas com ele. Missão dada era missão cumprida e eu só acionava ele se eu não soubesse como resolver. Caso contrário, carta branca, Tássia!

É claro que na minha caminhada por aí topei com alguns homens mais enrolados que mulher de cabelo cacheado, que botavam empecilho em tudo (com esses, haja paciência!). Lembro
de um exemplo a não seguir que achava pêlo em ovo o tempo todo. Nenhuma ideia era boa a não ser a dele e toda ideia ou solução visivelmente genial era descartada com algum porém injustificado. E o pior, para ele, o cliente nunca tinha razão (esquecendo-se  que era graças ao cliente que ele pagava suas contas e que seu trabalho era agradar ao cliente).

Salvo essas exceções masculinas desastrosas, aconselho a nós, mulheres, que queremos sempre evoluir, que nos espelhemos na atitude masculina na hora de resolver os problemas diários e gerir suas tarefas. Sejamos mulheres que focam na solução também. Sejamos mulheres que, ao invés de ser uma pedra no sapato, são um passo a frente!

Texto publicado na minha coluna no site Negócio Feminino

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Feedbacks sinceros me interessam. Go ahead!