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O velho “Mimimi” de sempre


Apesar de não estar no dicionário, tem uma palavrinha mágica que resume muito do que penso de algumas de nós, mulheres. A palavra é “mimimi”. Juntando definições de blogueiros, escritores e até filósofos que li, cheguei à seguinte: Mulher “mimimi” é aquela que reclama constantemente, de forma repetitiva e desnecessária. Faz alarde por nada e por tudo. Tem sempre uma desculpa na ponta da língua para justificar qualquer falha sua. É extremamente propensa a crises de toda ordem. Adora uma picuinha. E, geralmente, é aquela mulher que vai vir com “mimimi” pra cima de mim porque falei apenas de mulheres, como se não houvesse homens “mimizentos”. Respira! 

Agora pense: quantas amigas e inimigas (vida longa!) você tem com esse perfil? Sinceramente, todas nós somos um pouco “mimimi” (meu namorado que o diga). Mas sabemos que há mulheres que poderiam (se fossem bem autocríticas) usar a palavra “mimimi” para responder em um questionário de emprego ao item “principal característica”.

Apesar de simplória, a nova palavra engloba um comportamento cada vez mais recorrente nas mulheres da atualidade. São adolescentes que fazem manha para tudo. Qualquer favor solicitado pelos pais é uma tortura. São mães superprotetoras com os filhos que os colocam em uma redoma de vidro e não deixam que ele se defenda no mundo. Aquelas que vão à escola reclamar que o professor “humilhou” o filho na classe. E, já que falamos de trabalho por aqui, também são as mulheres que adoram as preposições “mas” e “porém”. Aquelas que dá uma vontade sobre-humana de dizer com todo respeito: “Flor, justifica menos e faz mais”. 

Essas mulheres que chegaram lá no tão almejado posto no mercado de trabalho, agora perdem toda compostura de “Yes, we can” e fazem beicinho quando algo não acontece como elas querem. Críticas? Detestam (alguém gosta?). Se acham infalíveis demais para receber um puxão de orelha. Têm dificuldade de assumir responsabilidades. Não por coincidência podem vir a ser aquelas mães que vão à escola reclamar que o coleguinha fez bullying com o filho porque chamou ele de “quatro olhos”. Pausa: juro que tenho saudades dos tempos que me chamavam de magrela, árvore, fósforo e que eu respondia à altura sem nunca ter choramingado para os meus pais. Deve ser por isso que hoje não tenho grandes problemas em ser criticada. Inclusive, quando sou, presto bem atenção para tentar não persistir no erro, até porque sou bem exigente em relação a mim mesma. Ah, e meus colegas tinham razão, eu era magrela mesmo. Na boa, é muito “mimimi” para pouca atitude. Gente, alguém uma vez disse que o que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano. Sendo assim, humildade para calar e ouvir, e até para falar, não acham? 

As mulheres “mimimi” têm uma tendência bem forte a se ofender com tudo. Se o marido falar um pouco mais grosso, se a chefe criticar, se a amiga falar a real sobre a atitude dela, ela vai lá e chora, borra a maquiagem, se exalta. E eu e minha mania de sei-lá-o-quê penso: “Caramba, vou dar um dos meus problemas para ela, afinal, para chorar por isso não deve ter problemas na vida pessoal”. Tá, desculpa a falta de sensibilidade minha aí. Whatever. 

Não sei se a origem da expressão “mimimi” vem do inglês, mas, de algum modo, me faz pensar em “me, me, me”. Ou seja, pessoas que só pensam em si mesmas. “Eu tô certa. Eu sei o que tô fazendo. Eu quero que funcione desse jeito. Eu, eu, eu”. O Eu é tão poderoso que essa pessoa não sabe viver sem elogios e agradinhos constantes. O problema todo é que o excesso de “mimimi” pode levar ao coitadismo, daí a pessoa assume o papel de vítima e chega no pior estágio: a dissimulação. Mas aí já é assunto para outro texto. 


Minha chefe costuma usar uma expressão que ando levando tanto para a vida profissional como pessoal: “Sofre menos”. Para ficar de acordo com a linguagem dessa coluna, eu poderia traduzir para: “Pare com o mimimi e foca na solução”. Acreditem, é um mantra que tem – se não resolvido -, minimizado muitos dos meus problemas.

Texto publicado na minha coluna no Negócio Feminino

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