Detesto porta entreaberta. Todos (que me rodeiam) sabem disso. E por que, mesmo sabendo, eles insistem em entrarem no meu quarto (sem bater, diga-se de passagem) e ao saírem deixarem ela entreaberta? Por que, Senhor?! Sabe quando a pessoa dá aquela puxadinha de leve na porta com intuito de apenas "encostá-la"? Pra que medir a força pra não fechar se é mais simples puxá-la e fechá-la de vez? Porque eu implico com portas entreabertas eu não sei. Talvez tenha algo a ver com o som que entra mais fácil e me perturba. Ou talvez tenha uma simbologia mais profunda que se relacione diretamente à minha vida que precisa ser explicada a mim por um psicanalista (pena que psicanalistas raramente falam; se falassem seria mais fácil eu descobrir).

O meu desabafo aqui, entretanto, não busca uma resposta psicológica pra isso. Até porque, quase sempre, eu mesmo tenho respostas pras minhas dúvidas, só não tenho às soluções pros meus problemas. A matemática da minha vida é complicada mesmo. Minha última consulta com uma psicóloga foi frustante. Só faltava eu dizer pra ela: "meu bem, meu problema é esse, por causa disso, agora será que tu podia me dar a solução e parar de me olhar com essa cara de peixe morto?". É, eu sei, não sou uma boa paciente, por isso mesmo abandonei as sessões.

Mas recuperando o foco, o que ia dizer sobre as portas tem a ver com a afirmação mais coesa da minha existência: Eu não gosto do meio-termo. O meio-termo me irrita. E descobri mais essa irritação minha por causa das portas entreabertas. No meu ex-trabalho, um ex-colega (ex Graças a Deus) que achava que era meu chefe, tinha a mania de deixar as portas entreabertas. Engraçado que a dele tava sempre fechada. Sendo assim, como a dele tava sempre fechada, quando ele batia a dele eu batia a minha. Esperto meu coleguinha não? Enfim, nem porta de armário eu gosto aberta. Tenho que fechar todas antes de dormir. Vai que saia um bicho-papão dali né?

Talvez eu não goste do meio-termo justamente porque ame os extremos. E eles servem pra tudo. No caso das portas, ou abre ou fecha. E por aí vai... Fode ou sai de cima. Dá ou desce. Vai ou racha... Só tem uma coisa que ainda me intriga nessa minha vida ainda tão breve. É que eu não ao sei ao certo se sou feliz ou triste? Nenhum dos dois, que eu saiba. Às vezes sou feliz e às vezes sou triste. Puta que pariu, talvez nisso eu seja meio-termo. Ah toda a regra tem sua exceção, fazer o quê?