17 de abr de 2016

O velho “Mimimi” de sempre


Apesar de não estar no dicionário, tem uma palavrinha mágica que resume muito do que penso de algumas de nós, mulheres. A palavra é “mimimi”. Juntando definições de blogueiros, escritores e até filósofos que li, cheguei à seguinte: Mulher “mimimi” é aquela que reclama constantemente, de forma repetitiva e desnecessária. Faz alarde por nada e por tudo. Tem sempre uma desculpa na ponta da língua para justificar qualquer falha sua. É extremamente propensa a crises de toda ordem. Adora uma picuinha. E, geralmente, é aquela mulher que vai vir com “mimimi” pra cima de mim porque falei apenas de mulheres, como se não houvesse homens “mimizentos”. Respira! 

Agora pense: quantas amigas e inimigas (vida longa!) você tem com esse perfil? Sinceramente, todas nós somos um pouco “mimimi” (meu namorado que o diga). Mas sabemos que há mulheres que poderiam (se fossem bem autocríticas) usar a palavra “mimimi” para responder em um questionário de emprego ao item “principal característica”.

Apesar de simplória, a nova palavra engloba um comportamento cada vez mais recorrente nas mulheres da atualidade. São adolescentes que fazem manha para tudo. Qualquer favor solicitado pelos pais é uma tortura. São mães superprotetoras com os filhos que os colocam em uma redoma de vidro e não deixam que ele se defenda no mundo. Aquelas que vão à escola reclamar que o professor “humilhou” o filho na classe. E, já que falamos de trabalho por aqui, também são as mulheres que adoram as preposições “mas” e “porém”. Aquelas que dá uma vontade sobre-humana de dizer com todo respeito: “Flor, justifica menos e faz mais”. 

Essas mulheres que chegaram lá no tão almejado posto no mercado de trabalho, agora perdem toda compostura de “Yes, we can” e fazem beicinho quando algo não acontece como elas querem. Críticas? Detestam (alguém gosta?). Se acham infalíveis demais para receber um puxão de orelha. Têm dificuldade de assumir responsabilidades. Não por coincidência podem vir a ser aquelas mães que vão à escola reclamar que o coleguinha fez bullying com o filho porque chamou ele de “quatro olhos”. Pausa: juro que tenho saudades dos tempos que me chamavam de magrela, árvore, fósforo e que eu respondia à altura sem nunca ter choramingado para os meus pais. Deve ser por isso que hoje não tenho grandes problemas em ser criticada. Inclusive, quando sou, presto bem atenção para tentar não persistir no erro, até porque sou bem exigente em relação a mim mesma. Ah, e meus colegas tinham razão, eu era magrela mesmo. Na boa, é muito “mimimi” para pouca atitude. Gente, alguém uma vez disse que o que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano. Sendo assim, humildade para calar e ouvir, e até para falar, não acham? 

As mulheres “mimimi” têm uma tendência bem forte a se ofender com tudo. Se o marido falar um pouco mais grosso, se a chefe criticar, se a amiga falar a real sobre a atitude dela, ela vai lá e chora, borra a maquiagem, se exalta. E eu e minha mania de sei-lá-o-quê penso: “Caramba, vou dar um dos meus problemas para ela, afinal, para chorar por isso não deve ter problemas na vida pessoal”. Tá, desculpa a falta de sensibilidade minha aí. Whatever. 

Não sei se a origem da expressão “mimimi” vem do inglês, mas, de algum modo, me faz pensar em “me, me, me”. Ou seja, pessoas que só pensam em si mesmas. “Eu tô certa. Eu sei o que tô fazendo. Eu quero que funcione desse jeito. Eu, eu, eu”. O Eu é tão poderoso que essa pessoa não sabe viver sem elogios e agradinhos constantes. O problema todo é que o excesso de “mimimi” pode levar ao coitadismo, daí a pessoa assume o papel de vítima e chega no pior estágio: a dissimulação. Mas aí já é assunto para outro texto. 


Minha chefe costuma usar uma expressão que ando levando tanto para a vida profissional como pessoal: “Sofre menos”. Para ficar de acordo com a linguagem dessa coluna, eu poderia traduzir para: “Pare com o mimimi e foca na solução”. Acreditem, é um mantra que tem – se não resolvido -, minimizado muitos dos meus problemas.

Texto publicado na minha coluna no Negócio Feminino

5 de mar de 2016

Caímos numa cilada!

Há poucos dias, li um texto que foi um legítimo chute no traseiro. Falava do quanto nossa geração está perdida, achando o máximo trabalhar no que gosta, em uma empresa com um ambiente bem bacana para encher os olhos, e repleta de benefícios paliativos para disfarçar a falta de um plano de carreira e de uma remuneração justa para seus funcionários. Algo tão óbvio tal qual uma mosca chata pousando no nosso nariz e a gente incapaz de matá-la. Pois bem, durante a leitura olhei para a minha vida e para a vida das pessoas que me cercam e me dei conta do quanto isso é verdade.


A gente ganhou a liberdade de fazer o que ama, mas depois, como bem dizia a canção do Molejo, descobrimos que “não era amor, era cilada”. Batemos o pé porque queríamos ser das Humanas. Queríamos ser jornalistas, designers, publicitários, relações públicas, artistas e etc. E fomos. Mas caímos numa armadilha ao nos iludirmos pensando que um dia iríamos ser valorizados. Ao contrário, viramos escravos do nosso próprio “amor pelo que fazemos”. Amor bandido esse, né?


Todo mundo adora o mundo da informação e do entretenimento. Estão aí os jornais, as revistas, os livros, os filmes, as novelas, as redes sociais, o teatro, a TV por assinatura e seus vários reality shows e seriados que não me deixam mentir. Mas afora as celebridades, quem trabalha nos bastidores de tudo isso como repórter, jornalista, editor, revisor, tradutor, escritor, produtor gráfico, ator, dançarino, social media, designer, publicitário, produtor de conteúdo, e por aí vai, não é recompensado à altura por tudo que proporciona ao seu público fiel. Um trabalho é cobrado bem caro, mas o valor que quem produz recebe é bem baixo. É triste saber que muitas vezes somos nós comunicadores que levamos alegria para as pessoas, mas não damos um bom sorriso no final do mês ao ver o nosso contracheque.

É, estamos à beira de vender miçangas na praia como sempre brincam. Pelo menos ali nossos clientes pagam o que achamos que merecemos. Olhando para mim mesma, vejo que nem sei mais o que é vida pessoal devido ao excesso de trabalho. Para complementar a renda, preciso de mais que um trabalho. São oito horas no escritório, mais 3 horas a mais pós-expediente dedicadas as aulas de inglês que dou, sendo 2 h de aula e 1 h de preparação das aulas. Isso sem falar dos freelas. E existe opção de diminuir o ritmo e trabalhar menos? Não, não existe! As contas não diminuem. O valor da comida, por exemplo, só aumenta. E o salário? Esse nunca acompanha a inflação.

O vale-alimentação não visita o supermercado para ver o preço do tomate e o vale-refeição não vai a restaurantes já faz um tempo. O plano de saúde? Ah, esse as empresas raramente têm. Afinal, nem temos o direito de ficar doentes. Bóra trabalhar gripado, com dor de cabeça e o que for, a empresa tem remédio. E assim está todo mundo. Ninguém mais tem tempo para ver os amigos, para ir no cinema durante a semana, para ir a academia sem estar exausto... E, nos fins de semana, ainda precisamos achar um tempinho para terminar algo que ficou pendente.

Meus dois trabalhos são coisas que faço bem e que meus clientes gostam. E eu também gosto. Mas se parar para pensar, eu também gosto de ler um bom livro, de ver um filme ou um programa de TV, de relaxar me entretendo, sabe? Mas a que horas? E sabe qual a ironia de tudo isso? Que eu trabalho para entreter e informar as pessoas e com isso ganhar dinheiro e me sustentar e ainda ter um tempo de sobra para... me entreter e me informar. Que ciclo mais desinteligente, não? E no fim das contas, só para piorar o quadro, a gente não ganha dinheiro o suficiente e nem tempo para viver a nossa vida. É... É uma cilada, Bino!

Texto publicado na minha coluna no Negócio Feminino

18 de out de 2015

Homens, de que lado vocês estão?



Volta e meia testemunho pais orgulhosos de suas filhas enobrecendo-as em alto e bom som para os amigos. Quando pequena, tão esperta. Adolescente, a mais inteligente da turma. Na faculdade, já estava empregada. Formada, uma mulher feita com uma carreira em ascensão. “Ah, a minha filha passou na faculdade pública, cursou Direito, foi aprovada de cara na OAB e logo depois num concurso público, e hoje tem sua casa, seu carro e seu marido (mas não depende financeiramente dele)”. Aí me questiono: se os pais se orgulham tanto das mulheres que suas filhas se tornaram, eles não deveriam estar mais atentos à causa feminista? Não sabem eles que para suas filhas chegarem aonde chegaram elas precisaram provar sua competência trilhando um caminho bem mais acidentado do que os homens percorrem? Não sabem que, mesmo diante das conquistas, lutam diariamente para terem o mesmo reconhecimento profissional e financeiro dos homens no seu dia a dia?

Creio eu que grande parte dos pais, se não a maioria, sonha que sua filha vá longe. Dificilmente um pai irá desejar que sua filha seja uma Gata Borralheira ou até mesmo uma princesa dondoca dependente financeiramente do marido e submissa à ele. Partindo desse pressuposto, saliento a importância dos homens serem mais engajados com as questões feministas. Aqueles que dizem que somos chatas com essa história de direitos iguais (que às vezes, realmente, foge do objetivo central e dá margem para as críticas), talvez não estejam olhando por um ângulo maior. Não deviam eles, antes de criticar, pensar que suas filhas, namoradas, irmãs, esposas ou mães merecem as mesmas oportunidades que eles, já que têm tantas competências?

Obviamente homens e mulheres não são seres iguais, o que não significa que não devemos ter direitos iguais, capiche? Homens são melhores em algumas coisas, mulheres em outras, e tá tudo certo, oras. O que defendo vai muito além de qualquer competitividade boba que não vai dar em nada. Não quero saber se a mulher dirige melhor ou pior e se o homem vai ser sempre o dono da bola. Eu estou falando é de igualdade! Queremos ser pagas de igual forma pelo mesmo trabalho. Queremos crescer sem a pressão para ter filhos antes dos 30 ou de casar sem ter certeza. Queremos abrir mão do papel de dona de casa e por aí vai.

Aproveitando o ensejo, vou dar um exemplo que me veio agora, a partir de uma leitura que fiz. O livro falava de mulheres e religião. Buenas, confesso que tenho problemas para me enquadrar em alguma religião. Tenho fé em Deus, mas não concordo que a vida do homem que foi Jesus Cristo, seus seguidores e aquelas histórias que estão na Bíblia possam servir de base para todas as situações nos dias de hoje. Como podem algumas mulheres, hoje em dia, ainda defenderem que por termos teoricamente nascido da costela de Adão viemos ao mundo para sermos o que faltava na vida dos homens, a auxiliadora que eles precisam? Que devemos ser submissas a eles, deixando que eles tenham a palavra final mesmo quando não estão certos? Não estou dizendo que eles não possam ter. Estou dizendo que isso depende de casal para casal. Na Bíblia diz que o homem é a cabeça e a mulher é o corpo. Discordo. Acho que o homem pode ser a cabeça e o corpo em alguns relacionamentos, assim como a mulher pode ser a cabeça e ele o corpo. A questão é que não se trata de uma disputa. Estamos falando de igualdade de gêneros, e igualdade não é sermos superiores aos homens e, sim, como eles - se assim o desejarmos. Ou seja, se você é feliz sendo uma mulher submissa ao seu marido, eu não condeno, pois você tem o direito de escolha. Tem DIREITO. Direitos iguais.

Pois é, homem, talvez você seja o marido que nunca deixou a esposa trabalhar por ciúmes e pelo instinto de macho dominador. Em compensação, sua filha é um exemplo no mercado de trabalho que só te dá orgulho. Será que não é chegada a hora de você abrir sua mente e perceber que não há dois lados? Há dois sexos: feminino e masculino. Mas há apenas um lado: o do ser humano.

Texto publicado na minha coluna no Negócio Feminino

18 de jul de 2015

Não basta ser educado, é preciso ser gentil

Crescemos aprendendo a ser educados, ou seja, a utilizar as palavras mágicas licença, por favor, obrigado e desculpa (ou ao menos é o que deveria acontecer). Muitos usam as tais palavrinhas no modo automático, mas elas perdem todo o valor devido à maneira arrogante e fria com a qual são usadas. Isso porque junto delas não há uma atitude gentil. E é aí que eu queria chegar. Como diz o título deste texto, não basta ser educado, é preciso ser gentil. 

Falar por favor, obrigado ou desculpa com cara de bunda não é gentil, assim como estar em um ônibus ou em um lugar cheio e pedir licença já empurrando quem está na frente também não é. Ser educado só pra cumprir o protocolo porque você aprendeu isso na teoria não significa que você aprendeu algo sobre humanidade. Além disso, ainda podemos citar as pessoas que não dão bom dia nem pros colegas de trabalho que veem todos os dias, que dirá pros vizinhos, pro motorista do ônibus, ou para um desconhecido na rua. 


Sabe, eu posso estar cheia de problemas pessoais, triste ou de mal com a vida, mas eu não acho que as pessoas que nada têm a ver com isso precisam ser vítimas do meu mau humor. O dia pode estar cinza e chuvoso (como odeio), mas eu dou bom dia e sorrio até pra quem eu nunca vi. Eu simplesmente gosto de passar energia boa pras pessoas, eu acredito na gentileza. Se alguém puxa papo comigo na parada de ônibus, eu não ignoro, eu converso mesmo. Se vejo que alguém precisa de ajuda, eu não finjo que não vi, eu ajudo. Se eu vejo algum conhecido na rua, mas que não é tão próximo, eu paro pra dar um alô. Se acho uma característica de alguém marcante, logo elogio. Por que isso é tão sacrificante pra alguns?

De pensar que tem gente que não consegue ser gentil nem dentro de casa com a própria família, eu fico mais indignada ainda. Gente que grita por qualquer coisa, que critica pais e filhos por qualquer motivo, que é intolerante, que não dá beijo, abraço, bom dia e atenção, que nunca elogia. Caramba, isso é não é só falta de educação e gentileza, é falta de consideração pelas pessoas que estão ao seu lado desde que nasceu, lhe cuidando e protegendo.

O poder da gentileza é muito grande. Posso dizer tranquilamente que muitas vezes a melhor coisa do meu dia foi um desconhecido que me proporcionou. Dou exemplos. Há uma moça que mora perto do trabalho que sempre passeia com seu Golden no horário que estou chegando. Quando o cachorro me viu já veio logo me lambendo e fazendo festa. Constrangida, ela puxou o cão, mas eu disse pra que ela deixasse, pois eu amava cachorros. Ganhei aquele carinho gostoso do Golden e conversei bastante com ela sobre a diferença que esses seres fazem nas nossas vidas. Outra vez, a gentileza veio de uma menininha pequena que conheci quando fui jantar no apartamento do vizinho. Ela me olhou e perguntou meu nome. Eu respondi e ela disse: "Nossa, que nome lindo!". Veio também quando cheguei no condomínio depois de umas dez horas de trabalho e encontrei toda a turma de amigos dos meus pais na praça tomando chimarrão. Resolvi ignorar que eu estava cansada e com fome e fiquei mais uma hora do meu dia batendo papo com eles e rindo à toa. Em outras duas vezes recentes fui parada na rua para ser elogiada por senhoras. Uma elogiava o fato de eu andar pela rua lendo em vez de estar mexendo no celular. Ela achou a cena bonita. Outra disse que se encantou pelos meus cabelos cacheados.

Pois bem, essas pequenas gentilezas de pessoas é que me alegram num dia qualquer. Elas elogiam e isso faz bem pra elas e pras pessoas que recebem os elogios. Elas sabem o valor do calor humano. Elas sabem que nessa vida estamos todos no mesmo barco, que ninguém é melhor que ninguém e que pequenas atitudes fazem uma grande diferença.

9 de jun de 2015

Leitura e Sucesso


Olha que bacana esse textinho que achei.

10 razões que mostram que pessoas que leem muito têm mais chances de ser bem-sucedidas

1. Têm um foco elevado
2. Definem metas
3. Passam o tempo com sabedoria
4. Têm perspectiva
5. São reflexivas
6. Têm incríveis habilidades de fala e escrita
7. Têm uma memória bem desenvolvida
8. Se mantém atualizadas
9. São educadas e informadas
10. Leem para relaxar

Leia na íntegra aqui.

O que as mulheres precisam aprender com os homens no trabalho


Sabemos do potencial das mulheres e do quanto merecem conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Inclusive, meu papel como mulher que dá o sangue no trabalho é defender o nosso talento e o quanto fazemos a diferença numa empresa. Somos criativas, inteligentes, ousadas, organizadas e etc. Contudo, também podemos ser uma pedra no sapato, prejudicando a produtividade de uma organização. Sou mulher e, portanto, tenho permissão para falar “mal” de mulher também. Por isso, posso dizer que, assim como somamos no trabalho, também podemos subtrair. E este texto nada mais é que um convite à reflexão e à humildade. A partir dele, espero que a gente se observe mais e peça licença ao nosso orgulho feminino para reconhecer que os homens têm muito a nos ensinar também. Mas atenção, aviso aos críticos, este texto é uma generalização. Sendo assim, se você não aceita isso, melhor parar de ler por aqui.

Desde que comecei a trabalhar, aos meus 17 anos, percebi minha tendência a preferir trabalhar com homens. Isso porque, na maioria dos casos, eles não se deixam contaminar por picuinhas, fofocas, mimimis e não ficam martelando em cima do problema. No geral, as mulheres não são tão boas quanto os homens para controlar as emoções. Para elas, uma crítica nem sempre é tão facilmente absorvida como é pelos homens.

Já vi tantas cenas de mulheres que se sentiram ofendidas, que pude perceber que elas nem ouviam mais o feedback, apenas contavam até mil mentalmente para não explodir. Os homens, por sua vez, conseguem ouvir a crítica e ir lá fazer melhor sem sofrer ou relutar tanto. Reclamam em silêncio para sua consciência, xingando a mãe do chefe e, depois, voltam para a mesa e executam a tarefa ou melhoram seu desempenho. Se as mulheres podem reagir mal a uma crítica, imagine em situações de alta pressão. Nesses casos, já vi lágrimas correndo de seus olhos.

O estresse pode gerar situações vergonhosas para nós mulheres, fato. Ou elas se exaltam para dizer que não dão conta ou choram, enquanto os homens dizem que não dá, racionalmente, pedem um assistente ou um aumento. Mas ok, isso também se deve ao fato de que nós, mulheres, somos perfeccionistas e queremos sempre fazer o melhor e provar que somos capazes – até quando não somos. Afinal, não somos nós que gerenciamos família, casa, trabalho, amigos, e demais compromissos pessoais, ora bolas?!

Além desse fator emocional, também existe a questão do trabalho em equipe. Homens e mulheres, ao meu ver, têm a mesma capacidade de construir relacionamentos. Entretanto, as mulheres, muitas vezes, confundem bons relacionamentos com panelinhas de amigas. Elas se esquecem de que, antes de mais nada, são todas colegas de trabalho. E então elas se deixam mover pela emoção e fazem a gestão de pessoas baseada no afetivo. Demite fulano porque ele fez assim, promove fulana porque ela faz assado, e assim ficam defendendo os seus filhotes como uma mãe cega aos erros dos seus rebentos. E, consequentemente, se esquecem de defender a empresa.

Tem mais: mulheres tendem a fazer fofoca. É da natureza delas. E aí, geralmente, aquelas que não entram no jogo, acabam indo para o paredão. É tipo um Big Brother: mulheres práticas, que focam no resultado, nem sempre têm vez! Afinal, você já viu a mulher que cozinha, limpa a casa, ajuda todos e vai bem nas provas de resistência ganhando o BBB? Já vi uma colega trabalhando pela outra para que uma não fosse demitida e também vi colegas mudando de setor porque não conseguiam trabalhar juntas. Ah, mulheres!

Os homens têm uma característica que adoro e que, para mim, são a base de tudo, tanto que me policio ao máximo para imitá-los nesse ponto: são objetivos. A praticidade masculina me encanta. Se um funcionário diz que vai ficar ruim e começa a missa, o gestor diz para melhorar e amém. Se outro diz que a equipe vai nadar para morrer na praia, o líder diz que é melhor morrer tentando do que se deixar levar pela onda. Homem foca na solução e não no problema. Tive um chefe assim que para mim era exemplo. Nunca tive problemas com ele. Missão dada era missão cumprida e eu só acionava ele se eu não soubesse como resolver. Caso contrário, carta branca, Tássia!

É claro que na minha caminhada por aí topei com alguns homens mais enrolados que mulher de cabelo cacheado, que botavam empecilho em tudo (com esses, haja paciência!). Lembro
de um exemplo a não seguir que achava pêlo em ovo o tempo todo. Nenhuma ideia era boa a não ser a dele e toda ideia ou solução visivelmente genial era descartada com algum porém injustificado. E o pior, para ele, o cliente nunca tinha razão (esquecendo-se  que era graças ao cliente que ele pagava suas contas e que seu trabalho era agradar ao cliente).

Salvo essas exceções masculinas desastrosas, aconselho a nós, mulheres, que queremos sempre evoluir, que nos espelhemos na atitude masculina na hora de resolver os problemas diários e gerir suas tarefas. Sejamos mulheres que focam na solução também. Sejamos mulheres que, ao invés de ser uma pedra no sapato, são um passo a frente!

Texto publicado na minha coluna no site Negócio Feminino

11 de mai de 2015

Você não precisa ser uma Miss, mas pode, por favor, depilar suas axilas e ser simpática?


Por que tantas mulheres se orgulham de coisas das quais não deviam se orgulhar hoje em dia? "Não sou simpática mesmo. Dar bom dia, distribuir sorrisos para colegas e vizinhos e ser gentil com conhecidos e estranhos não faz meu feitio. Sou grossa e quem me conhece sabe", "Não gosto de me arrumar. Escolher uma roupa que combine e me maquiar de manhã é uma tortura". Esses são apenas alguns exemplos de comportamentos que são exibidos como troféus por certas mulheres ‘modernas’. Muitas os justificam como ‘personalidade forte’. Mas, peraí! Também acho que tenho personalidade forte, o que não significa ser mal educada, intolerante e desleixada.

Eu não sou o tipo de mulher que acorda bem cedo para se arrumar, mas não dispenso base, pó e rímel, e nem uma roupa com a qual eu me sinta bonita e confortável. Invejo secretamente aquelas mulheres que chegam imaculadas no trabalho. Vestido, salto alto, unhas e cabelos impecáveis. Não creio que um dia eu chegue no patamar delas, pois meu sono de manhã é maior que minha vontade de sair perfeita. Mas acredito que consigo conciliar bem minha personalidade de preguiça matinal com minha vaidade. Ou seja, não vou para o trabalho de cara limpa e vestida como quem recém fez uma faxina em casa. E isso não significa que eu seja machista ou que levante a bandeira de que a mulher tem que estar sempre linda. Nada disso. O que defendo é que a mulher que se arruma todos os dias certamente passa uma impressão melhor no seu ambiente de trabalho e entre as pessoas (incluindo a visão dela sobre ela mesma). E não me venha dizer que isso não é importante, porque é sim. Caso contrário, os homens não usariam terno e gravata. A gente não queria igualdade, então que igualemo-nos! Sou feminista e nem por isso deixo de ser feminina. Seu chefe, seus colegas e seus clientes, em especial, querem alguém que, além de ser competente, passe uma imagem de credibilidade, que em cada área é uma.

Não quero generalizar, mas também acredito que quando a mulher se cuida mais é porque se ama mais, e isso é bom. E, atenção, ser vaidosa não é necessariamente ser perua ou patricinha, é apenas dedicar mais tutano e carinho ao seu próprio estilo. Uma publicitária tem margem para se vestir usando tênis, mantendo seu estilo e transparecendo sua criatividade em seu visual. Uma enfermeira deve estar com unhas sempre curtas e limpas, cabelo bem preso e roupas claras. Isso significa que estar bem arrumada difere de profissão para profissão, mas o bom senso mostra que qualquer uma delas quer que você se cuide. Portanto, o excesso do feminismo moderno que prega que as mulheres não se depilem não serve para empresas, ok?

Segundo tópico: como você espera ser promovida, ter amigos no trabalho, ganhar o respeito dos colegas e clientes se você não os respeita? Da mesma forma, como espera conquistar sua simpatia se não é capaz de dar bom dia quando chega? Ser grosseira pode até ser uma característica sua com a qual amigos e familiares já estejam acostumados a lidar, mas lhe garanto que eles não gostam nada disso. Portanto, experimente mudar a característica de grossa para direta, sem rodeios, sincera. Mantenha a personalidade forte apenas quando esta lhe trouxer benefícios sem atingir negativamente ninguém. Você não precisa ser eleita Miss Simpatia do trabalho, mas educada você precisa ser com o mundo. Da mesma maneira, você não tem que ser Sexy Simbol da equipe, mas seja ao menos mais feminina e menos rebelde sem causa. Fica a dica.

Texto publicado na minha coluna no site Negócio Feminino

20 de abr de 2015

Quando você ama sua profissão, mas ela não te ama


A frase do título resume bem a relação de amor não correspondido de muitas mulheres com suas profissões. Em especial daquelas que ignoraram os conselhos de parentes para cursarem Direito ou Medicina e seguiram o tortuoso caminho daqueles que defendem o ideal de trabalhar por prazer. O problema todo é quando o prazer no trabalho não ajuda a conquistar o prazer fora dele. Sorte das advogadas e médicas que além de fazerem uma boa escolha financeira ainda amam o que fazem.

Em nome do amor à profissão, muitas vezes as mulheres têm que abdicar de outros amores que podem afetar o limite orçamentário mensal. Aquela viagem internacional nas férias (ou até mesmo uma interestadual), aquele sapato lindo (que infelizmente é lançamento), o cinema no fim de semana (ainda mais sem desconto para estudante), o curso de dança, a aula de pilates, e os produtos mais gostosos (e caros) do supermercado como Nutella, são bons exemplos de coisas que amenizam o gosto amargo da rotina e seus imprevistos desagradáveis, mas que estão fora de cogitação. Um sapato novo pode representar futilidade para algumas (que podem não ser fúteis com sapatos, mas são capazes de pagar R$ 500 por um show de rock...atenção, mulheres, tudo é relativo!), mas para outras é uma injeção de autoestima necessária para enfrentar a vida. Pois bem, quando você está prestes a cair em tentação, uma voz interior diz: “Terra chamando...”, ou seria: “cartão de crédito gritando!”. Então você volta a si e substitui a viagem internacional pelo passeio pelo litoral gaúcho, o sapato lindo por uma blusinha com tarja amarela de promoção, o cinema por um filme no You Tube, o curso, a aula e a Nutella por.... nada (porque até dieta é cara).

Afora esses deleites consumistas, as mulheres mal pagas do mercado também acabam abdicando de investimentos. Aquela pós-graduação na sua área (porque você é cabeça-dura e insiste em investir ainda mais no seu curso mesmo quando ele ainda não lhe trouxe retorno financeiro) não cabe no bolso. E aí, você, que já não vê perspectiva de crescimento profissional, vê menos ainda, afinal, não tem condições financeiras de investir em seu aprimoramento. E que tal aqueles dilemas: faço pós ou pago o carro? Vou estudar no exterior ou dou entrada no apê? Tenho um filho ou espero me estabilizar? A resposta é quase sempre: “nenhum deles, no máximo um filho de quatro patas, como um gatinho”.

Infelizmente essa é a realidade de muitas mulheres hoje em dia. Elas conquistaram seu espaço no mercado de trabalho, mas não conseguem impulsionar suas carreiras e ganham pouco para consolidar seus planos e saciar seus desejos. É duro admitir, mas nós ainda estamos longe da igualdade salarial com os homens, por mais que tenhamos exemplos de grandes empresárias e até uma presidenta no Brasil. Isso é a minoria. E aí, o que acontece? O diploma de graduação fica pendurado na parede de casa e muitas mudam de área em busca de remunerações mais justas. Já vi designer virar promoter, jornalista virar confeiteira, psicóloga virar auxiliar administrativo, farmacêutica virar vendedora, administradora virar corretora de imóveis, publicitária virar professora de inglês e RP virar garçonete.

Pesquisas apontam as mulheres como melhores líderes, ótimas funcionárias e com melhor capacidade de comunicação. Se as mulheres são tão boas, por que ainda trabalham mais, trazem mais resultados e ganham menos que os homens? Enquanto esperamos o mercado se dar conta do nosso valor, que tal começarmos a fomentar uma reflexão coletiva? Você, educadora física, enfermeira, veterinária, sabe o quanto vale? Você sabe onde quer chegar? Até onde vai sua ambição? Será que você está pronta para dizer “não” quando lhe oferecerem uma remuneração abaixo do que você merece? Afinal, até quando as mulheres vão ficar sem negociar sua carreira? Está na hora de amar e ser amada!

Texto publicado na minha coluna no site Negócio Feminino

21 de mar de 2015

Dona de casa? Dona do seu nariz? Dona do tempo!

Me sinto um pouco frustrada por não ser capaz de fazer mais que arroz, bife, massa, rechear pastelão pronto e seguir algumas receitas. Gostaria de ter o dom de chefs de cozinha e fazer pratos lindos, exóticos e deliciosos. Até saber cozinhar como uma boa dona de casa já me servia. Isso porque amo comer. E comer bem, no caso. O problema é que passo longe de ter esse talento. Em contraposição, quando me dá a louca e cozinho, lamento a cada louça que preciso lavar depois. Fico pensando coisas do tipo: eu poderia estar lendo um livro, escrevendo, assistindo um filme, tirando um cochilo e, é claro, colocando o trabalho em dia. Bom, esta introdução simples é para concluir, de antemão, o óbvio do quanto é duro ser dona de casa. Ser do lar, muitas vezes, significa abrir mão de ser dona de sua carreira para cuidar da comida da família e de todas as outras demandas que um lar exige.

Dou mais exemplos da minha inaptidão doméstica e conveniência. Todo dia de manhã, quando saio para o trabalho, nem cogito arrumar a cama. Raciocínio lógico: para que arrumar se vou bagunçar na volta? Seguindo a mesma teoria, a toalha de mesa da janta não precisa ser retirada, já que pela manhã preciso colocá-la de novo para tomar café. Afora a lógica, todos sabemos que é muito mais prazeroso chegar em casa ou acordar com tudo nos seus devidos lugares. Cama feita, mesa com aquele vasinho de flores, pia sem louças sujas, cheirinho no ar de casa recém-limpa. Lembro de uma vez que minha mãe viajou e me deixou sozinha em casa. Caramba, perdi o fim de semana inteiro passando aspirador, arrumando camas, lavando louças, organizando e tirando o pó.  E aí me dei conta do quanto o trabalho da mãe era cansativo e, pior ainda, porque mesmo ela tendo dedicado o dia todo à limpeza e manutenção da casa, à noite chegavam marido e filhos e bagunçavam tudo sem dó nem piedade. Hoje penso que minha mãe é louca por não mandar todo mundo longe, não gritar com cada um que deixa um copo fora do lugar e por aí vai.

Se ser apenas dona de casa já é uma tarefa e tanto, imaginem quem tem que trabalhar o dia todo, cuidar da casa e, em casos mais complexos, cuidar do filho, do cachorro e, quiçá, dos pais? Os tempos atuais tornaram a mulher dona do seu nariz. Hoje ela é empreendedora, empresária, funcionária e dá seu máximo. Acorda cedinho para trabalhar e só volta à rotina pessoal à noitinha, quando o que menos faz é cuidar de si. Conquistou o tão quisto espaço no mercado de trabalho e a tão sonhada igualdade, muitas vezes em cargos de chefia e extrema responsabilidade e sobrecarga. Com isso, ganhou muito – não tanto em valorização salarial, mas em reconhecimento -, mas perdeu também. Perdeu aquele tempinho de descansar depois do almoço e cochilar no sofá antes de voltar para o batente, de ser mais presente na rotina escolar dos filhos, de fazer uma jantinha romântica para o marido, de fazer as compras no super com calma e disposição, de cuidar de si. Ela está trabalhando mais e vivendo menos.

No fim das contas, eu poderia começar esse texto ao contrário do que comecei. Poderia dizer que é duro ser mulher de negócios. E que, enquanto donas de casa são frustradas por não terem dado prosseguimento aos estudos e construído uma carreira, mulheres que trabalham se frustram por não dedicar mais tempo à família e a si mesmas. E aí, muitas vezes, essas mulheres de negócios se pegam pensando no quanto seria bom se ainda lhes restasse um tempinho para serem um pouco mais donas de casa e voltar a cozinhar como suas avós. E não apenas para alimentar o marido e os filhos, mas também pelo prazer de cozinhar como hobby (ok, nada de ser chef), em um cenário atual onde muitas mulheres só têm como hobby descansar. 

Texto publicado na minha coluna no site Negócio Feminino.

24 de fev de 2015

Por que sua vida daria um filme?

Estive sem tempo pra dar atenção pro meu blog antes e, por isso, não compartilhei por aqui a novidade. Desde o final do ano passado sou colunista do portal Negócio Feminino. Lá, escrevo quinzenalmente sobre mulheres e trabalho. Aqui eu me apresento para as leitoras e leitores: Leitura obrigatória, mas prazerosa

O texto abaixo é a segunda coluna que escrevi. Boa leitura!



Eu tinha todos os motivos do mundo para não publicar minha coluna esta semana. Todo o prazo que tive para escrevê-la (antes de hoje) não foi suficiente para eu conseguir digitar estas linhas. E juro que não estou exagerando. Mas eu não seria a mulher que me orgulho de ser - na maioria das vezes - se eu não entregasse este texto, mesmo que aos 45min do 2º tempo. Para mim, compromisso firmado é compromisso cumprido. Então, percebi que a experiência que quase me impediu de escrever tem muito a ver com mulheres que trabalham e se viram em mil.

Bom, o que vivi, e estou vivendo, ainda é um momento de caos profissional e pessoal, e certamente daria um filme (ou seria uma novela do Manoel Carlos?). Trabalho e família combinaram de precisar mais de mim do que o normal e ao mesmo tempo. Devem estar me testando. Nossa, como estou positiva! Enfim, tenho certeza que isso já deve ter acontecido com você aí também. Resumindo, estou passando por um tratamento de choque logo na semana que minha psicóloga cancelou minha 1h no divã. A desordem é tanta que posso citar coisas rotineiras das quais não dei conta. Não respondi mensagens de amigos por nenhum canal - por mais que tenha lido -, não fiz as unhas, não fui à academia, não dei conta dos meus freelas, não comi direito, não dormi direito, mal lembro de ter visto meu namorado - por mais que ele tenha dormido praticamente todos os dias comigo -, não tive tempo de ler nenhuma página do livro da vez e nem lembro de ter me olhado no espelho.

Tudo isso porque optei por honrar meus deveres mais urgentes. Apoiei - e estou apoiando - meus familiares em seus problemas emocionais e de saúde (isso inclui assumir responsabilidades que não eram minhas temporariamente e precisar de 48h em um dia de 24), estive ao lado do meu avô nos dois dias que antecederam seu falecimento e na sua despedida, atendi – e estou atendendo - meus clientes com a mesma atenção e dedicação de sempre, fiz – e estou fazendo - horas extras e por aí vai. O que parecia uma missão impossível, sem ter outra escolha, virou o dia depois de amanhã. E sabe por que fiz e faço tudo isso? Pelos mesmos motivos que você também faz. Primeiro, porque vivemos em um mundo onde os fracos não têm vez. Segundo, porque não viemos a esse mundo para ficar à espera de um milagre. E, terceiro, porque devemos ter um coração valente.

Pois é, diariamente, nós, mulheres, provamos ao mundo e a nós mesmas porque estamos conquistando nosso espaço em todas as áreas. Encaramos os imprevistos da vida como desafios e saímos deles com novos aprendizados e fortalecidas. Nada de ser uma mulher invisível, certo? Então, quando você tiver tempo de se olhar no espelho, pense: É, sou uma menina de ouro! No fim das contas, mesmo com nossa realidade enlouquecedora, todas estamos à procura da felicidade profissional e pessoal. Todas queremos que nossa vida seja um filme, mas um filme que tenha uma lição de vida ao final.